Conhece? Effa Plutus chegou em 2011 para peitar S10 e Ranger, mas ficou só na vontade

A vida dos carros chineses no Brasil era pra lá de complicada há 10 anos. A desconfiança era grande por parte do público consumidor, a infraestrutura era pequena e, principalmente, os carros não eram lá essas coisas. Hoje a história é totalmente outra, e já vemos que os chineses estão aqui para ficar. Mas antes era bem diferente…

Já imaginou então uma das marcas com pior reputação do mercado nacional em 2011, querendo fazer com que um de seus modelos batesse de frente com carros nacionais tradicionalíssimos? Foi essa a estratégia da Effa (que na realidade montava vários carros chineses aleatórios em uma fábrica no Uruguai) com a picape Plutus (só não confunda com o Pluto, cão do Mickey), concorrente direta de Chevrolet S10 e Ford Ranger. Pra começar, a Effa era reconhecida pelo pequeno M-100, um dos piores carros já vendidos no Brasil, e também pelo ULC, uma espécie de Towner modernizada que tinha variantes van, furgão e picape.

A Plutus era uma caminhonete cabine dupla feita no estilo carroceria sobre chassis, dotada de motor diesel e tração traseira (Foto: Effa/Divulgação)

Sobre a Plutus, ela era uma caminhonete média cabine dupla, com motor diesel, tração traseira, construção tradicional carroceria sob chassis, e fabricada na realidade pela Huanghai Auto, em Liaoning, na China. Custava bem menos que a concorrência (cerca de R$62 mil), e, como todo bom carro chinês, já era completa de fábrica, trazendo desde ar-condicionado até conjunto elétrico e rádio AM/FM. O visual, bem datado pra 2011, tinha a frente copiada da velha Chevrolet Colorado americana, e o restante do carro era bem insosso, com linhas retas e quadradas, feitas “a base de facão”.

O 3.2 diesel de projeto alemão tinha potência e torque pífios (Foto: Effa/Divulgação)

Mas quadrada mesmo era sua mecânica, composta por um motor 3.2 turbodiesel com duas válvulas por cilindro de tenebrosos 103 cv e 25 mkgf de torque, acoplado a um câmbio manual de 5 marchas. Esse 3.2 tem origem alemã, projetado pela Deutz há algumas boas décadas atrás. Se você tentou imaginar o desempenho de um automóvel desses com a lotação máxima na cabine e caçamba, provavelmente desanimou, assim como o proprietário. Para se ter uma ideia do que estamos falando, a velocidade máxima declarada pela Effa era de nada além dos 135 km/h, enquanto o 0 a 100 km/h era completado na casa dos 25 segundos. Pra que ter pressa, né?

0 a 100 km/h? Sim. Só não queira saber em quanto tempo… (Foto: Effa/Divulgação)

Pelo menos a caçamba era razoável no tamanho, e a capacidade de carga eram os mesmos 1.000 kg da maioria das picapes médias do mercado. Por dentro, as semelhanças com outros modelos mais conhecidos não  eram em vão, já que a “inspiração” rolava solta por aqui. Um volante com raios em duas cores e a mescla de preto, branco, prata e creme no painel/bancos/laterais de porta deixavam o conjunto com uma aparência bem duvidosa. Nada ajudava essa picape chinesa a não ser seu preço baixo.

O interior misturava plásticos pretos, prata, branco e creme, em uma estranha combinação de cores. Ao menos a lista de equipamentos era boa (Foto: Effa/Divulgação)

Se você nunca viu a Effa Plutus ao vivo, não ache estranho, porque o difícil mesmo é encontrar uma delas por aí. Suas vendas começaram em dezembro de 2011, praticamente 2012, e ela provavelmente não chegou a completar nem um ano inteiro de mercado. É difícil saber quantas delas foram realmente comercializadas no Brasil, mas com certeza foi menos vendida que muito superesportivo por aí.

E, acredite se quiser: em plena pandemia do COVID-19 em 2020, uma Effa Plutus 2011 dessas foi emplacada pela primeira vez. Provavelmente ficou enroscada em documentos de importação, ou simplesmente ninguém quis ela nesses nove anos…

Compartilhar:
Tem 20 anos, atualmente cursa Publicidade e Propaganda na Universidade Paulista, é filho do jornalista Douglas Mendonça, e desde que se conhece por gente, convive com carros e está envolvido no mundo automobilístico. Aprendeu a ler nas revistas automotivas, cresceu frequentando oficinas, corridas, encontros e eventos com o pai, e daí veio sua maior paixão: os carros. Um gearhead legítimo, Lucca se tornou o braço direito do pai após sua perda de visão em 2012, ajudando na produção de matérias, reportagens, avaliações e textos sobre carros. No Carros & Garagem, é responsável pela cobertura de eventos de lançamento de novos veículos, e produz avaliações, fotos e comparativos de modelos. Os carros estão até nos seus hobbies: Possui um acervo com mais de 300 manuais do proprietário de veículos diversos, incluindo antigos e modernos, além de colecionar revistas, folders, catálogos, e vários outros materiais automotivos.