(Avaliação) Volkswagen Nivus Highline: O melhor de dois mundos

Eram meados de 2018, a VW ainda se mantinha no ritmo de novidade com hatch premium Polo (lançado em setembro de 2017) e o sedan Virtus (que chegou em janeiro de 2018), além da novidade do bom e velho Gol, que foi reestilizado na linha 2019, ganhando frente nova (vinda da Saveiro) e inaugurando a transmissão automática como opcional em sua linha.

Mas, além deles, a fabricante alemã ainda tinha algumas cartas na manga para o mercado brasileiro: focando só na fabricação nacional, fora o SUV compacto T-Cross (leia aqui o teste comparando as três versões do modelo), ainda estava por vir um inédito utilitário coupé (ou crossover coupé, como você preferir), já antecipado com exclusividade por Douglas Mendonça na Revista Motor Show (veja a publicação da época).

Apesar dessa ideia de um utilitário coupé “barato” parecer meio bizarra e sem sentido na época, ela acabou se concretizando mais ou menos dois anos depois, e chegou com o nome de Nivus, um crossover coupé derivado da dupla Polo/Virtus. Ele tem excelentes armas pra brigar com Honda WR-V, Nissan Kicks, Chevrolet Tracker e afins, mas será que esse VW é um bom negócio, ou vale mais a pena levar mais um dos SUVs “normais”?

Com esse estilo de carroceria coupé, trazendo mais esportividade, o Nivus guarda sob o capô o ótimo 1.0 TSI, propulsor tricilíndrico turbinado que fez sua fama nos Polo e Virtus mais caros, principalmente por unir bem o desempenho arisco e baixo consumo de combustível.

Com concepção moderna e bastante tecnologia embarcada, ele desenvolve 116/128 cv (gasolina/etanol) e 20,4 mkgf de torque com os dois combustíveis, disponível de forma crescente entre 2.000 e 3.500 rpm. Esse motor 200 TSI, como é chamado pela VW, trabalha junto com o bom e velho câmbio automático Aisin de 6 velocidades, o mesmo que é utilizado em boa parte da linha de carros automáticos da fabricante aqui no país (além de figurar em vários modelos da Fiat, Ford, Jeep, Chevrolet, Peugeot, Citroën, Hyundai, Kia, entre outros).

Na prática, esse conjunto está bem de acordo com a proposta do Nivus, trazendo boas doses de desempenho independe de estar rodando em baixas ou altas rotações, e o câmbio automático, mesmo sendo convencional, não desaponta, fazendo reduções sempre que se exige mais do carro. Segundo dados da Volkswagen, a prova dos 0 a 100 km/h é cumprida em 10 segundos, e a velocidade máxima fica próxima dos 190 km/h quando abastecido com etanol.

O melhor disso tudo é o consumo: o Nivus batia com facilidade a marca dos 21 km/l de gasolina rodando na estrada em uma média de 115 km/h. Na cidade, com trânsito pesado, ele registrou números entre 12 e 12,5 km/l. Muito positivo para um carro considerado SUV e que pesa 1.200 kg.

Mas a grande sacada desse VW é ser, basicamente, um “Polo diferenciado”, afinal, além da plataforma e do conjunto motor/câmbio, eles também compartilham os sistemas de direção e freios; parabrisas; teto; portas dianteiras; interior (painel, bancos e laterais de porta) e boa parte dos equipamentos.

O interior, quase que inteiramente do Polo, tem muito plástico duro

Na hora de dirigir é que se percebe tamanha semelhança com o hatch premium, e isso é bom: além da posição de guiar muito bem acertada, esse crossover coupé também herda o bom comportamento dinâmico, com respostas imediatas na direção e freios, além da carroceria que tem baixa rolagem em curvas e desvios de trajetória, mesmo os mais bruscos. O que também ajuda nessa boa dinâmica é o sistema de suspensões, que é um tanto rígido, dando prioridade à estabilidade e um possível trajeto “fora de estrada”. Por causa disso, em contrapartida, não espere desse VW o conforto de um sedan ou SUV médio, por exemplo.

Falando em espaço interno, o Nivus também se sai bem. Começando pelo porta-malas, ele acomoda ótimos 415 litros, capacidade mais do que suficiente para uma família de 4 pessoas. Com 4,26 m de comprimento e 1,75 m de largura, ele só poderia ser melhor se tivesse os 2,65 m de entre-eixos do sedan Virtus. Mas, na prática, os 2.566 mm da base do Polo já são suficientes para acomodar até dois adultos com conforto no banco traseiro, sem nenhum aperto para as pernas, mesmo se houver uma pessoa mais alta sentada na frente.

Além disso, existem saídas USB e de ar-condicionado para a segunda fileira, e o túnel central é baixo, causando pouco desconforto para quem vai no meio. O único “porém” da tal carroceria coupé é a queda abrupta na parte traseira, o que tira um pouco do espaço para a cabeça dos passageiros traseiros, dificultando um pouquinho a vida principalmente de quem tem mais de 1,85 m de altura.

Mas tanta semelhança assim com o Polo acaba trazendo um problema à tona, que é o interior, exatamente idêntico ao do hatch com exceção do volante (que é oriundo do Novo Golf europeu). Apesar do visual agradável e moderno, ele peca pelo acabamento que abusa (e muito) do plástico duro, tanto no painel quanto nas portas. Mesmo tentando disfarçar esse ponto negativo com uma boa combinação de texturas e cores, é um problema recorrente não só no Nivus, mas também no T-Cross, e que no futuro ainda pode resultar em barulhos internos indesejáveis. Além disso, é de se estranhar o a ausência do prático porta-celular fixado sobre o painel, que já virou quase que uma marca registrada dos Volkswagen “made in Brazil” atuais. Já que o painel é do Polo, que conta com esse acessório em todas as versões, nada impediria colocá-lo também no Nivus, mas pelo jeito os projetistas não pensaram assim…

O que é tão bom que merece um par de parágrafos a parte é a nova multimídia VW Play, que apareceu primeiramente no Nivus e hoje se estende também ao T-Cross. De série nessa versão Highline e opcional na Comfortline, o aparelho tem tela de generosas 10” e, além das conexões Android Auto e Apple CarPlay (essa podendo se conectar sem precisar de um cabo), ainda tem câmera de ré e pode ser ligado a uma rede Wi-Fi de internet.

Fora isso, o principal diferencial dessa central é ter uma loja de aplicativos exclusiva, podendo baixar desde o navegador GPS Waze até o iFood, para fazer pedidos em restaurantes, passando por apps de player de música e podcasts. A VW Play ainda tem sistema de bloqueio das suas funcionalidades com senha, ideal para quando terceiros forem usar o carro, assistente virtual e até função de agendamento de revisões na rede de concessionárias, tudo isso pela própria multimídia.

A nova multimídia VW Play é um dos maiores destaques do Nivus

Deixando a tecnologia da VW Play um pouco de lado, vamos falar de preço e conteúdo dessa versão Highline, topo de linha. Hoje ela sai por pouco menos de R$100 mil e basicamente não tem opcionais além da cor: o único pacote a parte é o Launching Edition, um especial de lançamento que escurece rodas, retrovisores, teto e logotipos por R$720, como no carro das fotos.

No final, com a cor metálica, um carro idêntico ao das fotos sai por R$101.660, um precinho salgado se formos analisar pelo viés do seu parentesco com o Polo. Mas ele traz muitos equipamentos destacáveis, principalmente quando o assunto é tecnologia e segurança: controle de cruzeiro adaptativo (o ACC, que regula a velocidade de acordo com o veículo da frente), sistema de frenagem autônoma de emergência, monitoramento de trajetória por radares, detector de fadiga do motorista, frenagem pós-colisão (ativa os freios automaticamente após um acidente), 6 airbags, sistema de iluminação em LED (lanternas, faróis e luzes de neblina), sensores de chuva e crepuscular, chave presencial (para destravamento das portas e partida do motor) e painel de instrumentos digital Active Info Display com tela de 10,2”.

Fora isso, ainda temos o ar-condicionado digital, bancos de couro, controles eletrônicos de estabilidade e tração, assistente de partida em rampas, monitoramento da pressão dos pneus (TPMS), coluna de direção com ajuste de altura e profundidade, retrovisor interno eletrocrômico, sensor de estacionamento dianteiro e traseiro, paddle-shifts para trocas de marcha no volante, entre outros. Bastante conteúdo pra justificar o valor que bate os seis dígitos, e também pra se distanciar o máximo possível do Polo.

No final, o bom do Volkswagen Nivus é que ele consegue juntar o bom de dois mundos: agilidade, dinâmica e economia de combustível dignos de um hatch, com o espaço interno, praticidade e a tecnologia dos SUVs. Um meio termo bem acertado entre as duas categorias. E, parando pra analisar, em comparação com a concorrência ele não acaba ficando com um valor tão alto assim, principalmente pelo bom conjunto que oferece. Esse novo VW tem uma proposta bacana, principalmente se você quer um utilitário no melhor estilo “fora da caixinha”.

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  • Luiz Alberto Melchert de Carvalho e Silva
    Luiz Alberto Melchert de Carvalho e Silva
    24 de outubro de 2020 - 14:23

    Quanto ao multimídia, gostaria de saber se é acessível pelo leitor de telas e se tem a redundância requerida pelo acordo W3CV, de que o Brasil é integrante.

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  • Luiz Alberto Melchert de Carvalho e Silva
    Luiz Alberto Melchert de Carvalho e Silva
    23 de novembro de 2020 - 09:27

    Importante seria que o sistema permitisse o uso do Talkback, leitor de telas para Android. Com ele, o motorista pode escolher o que quer e dar dois toques rápidos em qualquer lugar da tela para interagir com o sistema. Isso evita que o balanço do carro leve a comandos indesejados. Além disso, depois de acostumar, o motorista não precisa tirar os olhos da estrada para comandar a central.

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