Samsung Motors: Os carros da gigante sul-coreana

A marca Samsung pode estar em diversas coisas do seu uso cotidiano: Smartphone, notebook, televisão, eletrodomésticos pequenos ou grandes e por aí vai. Mas já imaginou ter um Samsung Motors na sua garagem? Sim, isso é possível na Coréia do Sul, país de origem da marca gigante.

Desde seu início, na primeira metade da década de 90, ela se aliou à Nissan para, inicialmente, produzir veículos comerciais. A principal motivação era a rápida ascensão de outras marcas asiáticas: Hyundai, Kia, Honda, Toyota e cia. estavam dominando o mundo, ou seja, era a hora da Samsung inovar e investir.

No começo, a produção automotiva da Samsung Motors era focada em caminhões e vans (Foto: Samsung Motors/divulgação)

Com a crise que atingiu a região em 1997, a Samsung Motors, ou SM, que ainda não havia decolado no ramo de furgões e caminhões, teve que apelar e “se vender”. A principal interessada era conterrânea, a Daewoo, mas o negócio acabou não indo para frente por conta das próprias dificuldades financeiras que as empresas asiáticas enfrentavam.

No final, quem levou a melhor foi a Renault, que adquiriu 70% da SM no final dos anos 90 e logo a transformou em Renault Samsung Motors. A aliança Renault-Nissan (hoje Renault-Nissan-Mitsubishi), embora novidade, já existia na época.

Primeiro carro da marca, o SQ5 tinha origem no Nissan Maxima, e algum tempo depois se tornou SM5 (Foto: Samsung Motors/divulgação)

O primeiro modelo, chamado inicialmente de SQ5 e algum tempo depois de SM5, nada mais era do que o Nissan Maxima rebatizado, e começou a ser produzido em uma planta exclusiva em Busan, na Coréia do Sul, ainda em 1998. As vendas logo se espalharam, chegando inclusive ao Chile. Mesmo sem ter alcançado proporções notáveis como as antigas concorrentes Hyundai e Kia, a Samsung Motors (ou Renault Samsung Motors) ainda resiste bravamente no seu país de origem e, de quebra, ainda exporta seus modelos para outros lugares.

Focada em sedans e SUVs, a marca coreana inicialmente oferecia apenas modelos baseados em Nissan’s, mas a partir de meados dos anos 2000, a linha de produtos Samsung Motors se tornou Renault. O SM3, por exemplo, começou sendo o Nissan Sunny rebatizado, mas na geração seguinte se tornou uma variação do Renault Fluence (que tivemos por aqui), durando assim até 2018.

Já o maior SQ5/SM5, pioneiro da marca, também começou como Nissan (Maxima), mas depois passou a ser Renault (Safrane), durando até meados de 2019. Existiu ainda o grandalhão SM7, talvez o mais exclusivo da linha coreana, que era baseado no próprio SM5, mas tinha carroceria alongada e oferecia uma proposta mais premium, que incluía design modificado. Ele também saiu de linha em 2019.

No segmento dos SUVs, a Renault Samsung Motors teve bons representantes, como por exemplo o médio QM5, vendido entre 2006 e 2016, que era baseado na primeira geração do Renault Koleos. Outro utilitário que recebeu identidade coreana foi o QM3, ou Renault Captur (outro conhecido nosso): Ele surgiu por lá em 2013 mas não durou muito, se despedindo em 2018.

Hoje a Renault Samsung Motors oferece três modelos na sua linha: O sedan de luxo SM6 desde 2016, que é o Renault Talisman com pequenas mudanças; o SUV coupé XM3 desde 2020, baseado no Renault Arkana; e o SUV médio QM6, derivado do Renault Koleos de segunda geração.

Embora pequena, a gama de produtos da marca franco-coreana é reconhecida pela alta qualidade e confiabilidade, afinal são todos carros atuais da Renault europeia. No entanto, as vendas caem ano após ano, bem como os prejuízos aumentam.

Na metade de 2021, foi anunciada uma joint-venture (parceria) entre a Renault Samsung Motors e a Geely, dona da Volvo, para desenvolver veículos elétricos para os mercados da China e Coréia do Sul a partir de 2024. A novidade foi vista com bons olhos pelo mundo, afinal seria uma das formas de salvar novamente a vida da Samsung Motors: Com o crescimento desenfreado dos carros eletrificados, essa seria uma saída para estabelecer um futuro mais próspero para a marca coreana. Veremos…

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Tem 20 anos, cursa Publicidade e Propaganda, é filho do jornalista Douglas Mendonça, e desde que se conhece por gente, convive com carros e está envolvido no mundo automobilístico. Aprendeu a ler nas revistas automotivas, cresceu frequentando oficinas, corridas, encontros e eventos com o pai, e daí veio sua maior paixão: os carros. Lucca se tornou o braço direito do pai após sua perda de visão em 2012, ajudando na produção de matérias, reportagens, avaliações e textos. No Carros & Garagem, é responsável pela cobertura de eventos de lançamento de novos veículos, e produz avaliações, fotos e comparativos de modelos.