Jeep Renegade e as dicas de como envelhecer bem

Algumas marcas aprenderam na prática que um carro que não “caiu bem” logo precisa mudar bastante. Outras, em contrapartida, descobriram que seus produtos deram tão certo que podem ficar um tempinho extra sem muitas mudanças. Mas, além disso, pra ficar esse tal “tempinho extra”, a fabricante precisa saber exatamente quando e onde mexer, senão o carro acaba virando inferior perante os rivais.

Quer um exemplo do segundo caso? A Jeep com o Renegade, seu SUV compacto. Projetado lá no início da década de 2010, ele chegou ao mercado em 2014 e, logo depois, estava conosco no Brasil. Sempre foi a porta de entrada da marca, mas com refinamento de uma plataforma moderna, suspensões independentes, possibilidade de tração 4×4 e bons recursos tecnológicos. Ele já está por aí há mais de 8 anos, e muito bem, na mesmíssima geração.

Lançado em 2014 no mundo e logo depois no Brasil, o SUV compacto da Jeep

Olhando um Renegade 2014 e um 2022, as diferenças são sutis: parachoques, grade, faróis, rodas ou outros pormenores. Na cabine, a Jeep mexeu menos ainda, só com novos volante, multimídia, instrumentação ou comandos do console central. No restante, é o mesmo carro do início da década passada, inclusive em boa parte da mecânica. Até seu irmão maior Compass, lançado em 2017, já mudou mais que ele.

E ainda vende muito. Até hoje já foram quase 500 mil Renegade emplacados no Brasil, sendo quase 75 mil deles só em 2021. Sinal de que o grande público não se importa em trocar um concorrente de projeto recente pelo bom e velho SUV compacto da Jeep e seus anos de estrada.

Mas por quê? Bom, para começar, ele foi um projeto bem feliz. Seja pelo design quadradão, parrudo, que apela para a robustez e fez a cabeça de quem sonhava com um SUV na época (e até hoje), soluções inteligentes na composição do interior espaçoso e bem acabado, motorização de manutenção simples e barata e por aí vai. Mas a tarefa foi mesmo mantê-lo “em dia” em relação aos rivais…

Um dos seus dons sempre foi a boa habitabilidade com espaço interno interessante (Foto: Lucca Mendonça)

As primeiras novidades do Renegade vieram não muito tempo depois do lançamento, e em 2018, na primeira reestilização, ele ganhou poucas e boas mudanças. Basicamente foi mexido em pontos necessários, nada além disso: frente com um levíssimo retoque de parachoque, novo arranjo interno da lanterna traseira (possibilitando a estreia do LED), multimídia maior (a principal pedida do mercado), além de novas rodas, como em todo bom facelift.

Agora em 2022 vieram mais novidades, mais uma vez nos triviais elementos frontais, traseiros, rodas etc. Ah, e agora a motorização é nova, assim como parte da mecânica geral. Tudo bastante discreto, nada profundo, afinal o design sempre foi um dos maiores argumentos de venda do Jeep Renegade. Não se mexe em time que está ganhando.

Motorização só foi renovada agora em 2022 (Foto: Lucca Mendonça)

E o que vale muito, coisa que a Jeep fez, é adicionar vários equipamentos novos. O Renegade hoje tem instrumentos digitais, uma enorme multimídia com conexões de celular sem fio, Wi-Fi integrado, carrega smartphones por indução, tem LEDs pra todo lado, freia automaticamente para evitar colisões, corrige sozinho a trajetória na pista, lê placas de sinalização, sabe a velocidade permitida nas vias ou vê obstáculos quando o motorista vai mudar de faixa. Em 2014 isso não era nem sonho para ele, mas hoje já é de série em algumas versões.

Ou seja, o segredo também está na adição de conteúdo. Pelo menos tudo que for permitido no projeto do carro em questão. No caso do Renegade, por ter concepção moderna desde o início, não foi tarefa complicada fazer as tecnologias dos tempos modernos funcionarem nele.

É inegável que, em alguns pontos, a idade é facilmente notada, como no painel e laterais de porta que destoam dos outros Jeep contemporâneos, ou até no coeficiente de arrasto (Cx) de mais de 0,36, elevado mesmo para um SUV. Mas, a essa altura do campeonato, são pouquíssimos detalhes realmente “envelhecidos” no meio das novidades.

O Cx, alto, é um dos pontos que entregam a idade do seu projeto (Foto: Lucca Mendonça)

Um Jeep Renegade totalmente novo? Certamente só depois de 2025, quando ele terá, aí sim, mais de 10 anos de lançamento e, talvez, esteja obsoleto o suficiente pra precisar de uma nova geração, inteiramente reformulada. Por enquanto, mesmo com oito anos e design quase intocado, ele continua firme e forte na sua primeira e única geração.

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Tem 20 anos, cursa Publicidade e Propaganda, é filho do jornalista Douglas Mendonça, e desde que se conhece por gente, convive com carros e está envolvido no mundo automobilístico. Aprendeu a ler nas revistas automotivas, cresceu frequentando oficinas, corridas, encontros e eventos com o pai, e daí veio sua maior paixão: os carros. Lucca se tornou o braço direito do pai após sua perda de visão em 2012, ajudando na produção de matérias, reportagens, avaliações e textos. No Carros & Garagem, é responsável pela cobertura de eventos de lançamento de novos veículos, e produz avaliações, fotos e comparativos de modelos.