(Avaliação) T50 Plus é o melhor JAC que você pode comprar atualmente

A JAC Motors aproveitou o clima de Ano-Novo do finalzinho de 2020 pra revitalizar quase todos os seus produtos no Brasil. Além dos promissores elétricos, que são o outro foco da marca no país, seu portfólio atual é composto só por crossovers e SUVs. São quatro carros no total, e quem se destaca entre eles é o T50 Plus, SUV compacto que é o melhor negócio da JAC Motors em 2021. Vendido por R$111.490 iniciais, ele oferece bastante conteúdo de série, espaço interno invejável, baixo consumo de combustível e dirigibilidade bem acertada. Esse chinês pode ser uma compra mais interessante do que parece, principalmente por sua boa relação custo X benefício.

Foto: Lucca Mendonça

O T50 é o que se pode chamar de “produto amadurecido”, ou seja, é um carro que já tem um bom tempo de mercado, passou por várias melhorias, e, teoricamente, teve a maioria dos seus problemas crônicos resolvidos. Pra quem não sabe, ele nada mais é do que o T5 do início de 2016, só que reestilizado duas vezes (uma em 2018, quando virou T50, e agora em 2020, recebendo o sobrenome Plus). Se já está há mais de 5 anos no Brasil, na China ele é ainda mais tradicional: foi lançado lá no longínquo 2013, com o nome de Refine S3. É o carro mais “maduro” da JAC no Brasil, mas nem por isso é obsoleto ou antiquado, já que foi se renovando de acordo com a pedida do consumidor.

Nessa última atualização, da linha 2021, ele ganhou nova frente com faróis divididos e muito mais eficientes, uma central multimídia inédita de 10” com mais funções, além de teto-solar e 6 airbags. Tudo muito bem-vindo, diga-se de passagem. Além disso, ele traz de antes o ar-condicionado digital automático, conjunto elétrico (vidros, travas e retrovisores), chave presencial para destravamento das portas e partida do motor, computador de bordo, câmera 360º, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, sistema Start&Stop, controles eletrônicos de estabilidade (ESP) e tração (ASR), monitor de pressão dos pneus (TPMS), assistente de partida em rampas (Hill Holder), rodas de liga-leve diamantadas aro 16, e por aí vai. Segue a velha cartilha dos carros chineses, ou seja, mais por menos.

A nova frente foi a maior novidade dessa reestilização para 2021 (Foto: Lucca Mendonça)

Bastante coisa de série ele tem, mas não é só de conteúdo que se vive um carro. Aqui, a mecânica também tem seus méritos: o motor é o 1.6 16V DVVT (de Double Variable Valve Timing, ou Duplo Comando de Válvulas Variável), que trabalha só com gasolina e, segundo a fabricante, desenvolve presunçosos 138 cv. O torque é mais condizente com a realidade, ficando na casa dos 17 mkgf a altos 4.000 rpm. Completando o conjunto, temos uma transmissão automática do tipo CVT que simula 6 marchas, a mesma encontrada no T40 e T60.

Para um carro com proposta familiar, os quase 140 cv em um modesto 1.6 chegam a surpreender na teoria, mas não espere nada brilhante no desempenho. Não é um carro que vai trazer emoções ao volante, mas cumpre bem o seu papel, principalmente no uso urbano. Ele demora pra embalar nas velocidades médias e altas, enquanto o pacato câmbio CVT se mostra confuso nas acelerações mais fortes, mas nada que não possa ser amenizado ativando o modo Sport da transmissão, que ainda dá direito às trocas manuais na alavanca. Rodando sem pressa, temos um carro bem silencioso, suave e, principalmente, econômico, conseguindo médias de 10,9 km/l na cidade e 15,2 km/l na estrada (gasolina).

Posição de dirigir elevada e a grande área envidraçada são destaques (Foto: Lucca Mendonça)

Ao volante, tem-se a impressão de estar guiando um carro bem maior, graças ao banco elevado, teto alto e excelente área envidraçada. Foi sentida uma melhora nas suspensões dessa linha renovada de 2021, que tiveram seus cursos aumentados (evitando as pancadas secas nas lombadas e valetas maiores), além de ganharem mais rigidez, melhorando o comportamento dinâmico nas curvas. Os diferenciais ficam pelos eficientes freios a disco nas quatro rodas, assim como o acabamento interno caprichado para o nível do carro. Pena a direção com assistência elétrica continuar leve demais e anestesiada nas respostas, mesmo nas velocidades mais altas.

O “plus” está mesmo no ótimo espaço interno. A união do teto bem alto com o novo teto-solar dá uma bela sensação de amplitude, e o espaço para ombros e pernas é generoso, por maiores que sejam os cinco ocupantes. Outros pontos positivos vão para o assoalho praticamente plano, o que faz sobrar espaço para o passageiro central se ajeitar, e para o interessante porta-malas de 450 litros. Mesmo sendo contido nas dimensões (4,34 m de comprimento, 1,76 m de largura e 2,56 m de entre-eixos), sobra espaço nesse chinês, provando que um bom trabalho de engenharia na hora de desenvolver o interior de um carro faz toda a diferença.

Foto: Lucca Mendonça
Foto: Lucca Mendonça
Foto: Lucca Mendonça

Além dos itens de série já citados ali em cima, esse JAC ainda pode receber um pacote de opcionais por mais R$4 mil, chamado de Pack 3. Ele adiciona os bancos e volante de couro sintético, piloto automático, sensores de chuva e crepuscular, câmera de ré, retrovisores com rebatimento elétrico, e até a barra de teto e antena do tipo barbatana de tubarão. Um carro como o das fotos, que traz esses equipamentos a mais, custa então R$115.490, o que ainda é bem convidativo para um utilitário pequeno tão recheado.

O maior problema do carro não envolve “o carro”

Esse T50 Plus tem um grande problema. Na realidade, ele não está no carro em si, e sim na JAC Motors do Brasil. Sua proprietária e responsável pela importação dos carros, o Grupo SHC, tem enfrentado problemas financeiros aqui no país, e isso se reflete diretamente na marca e sua rede de concessionárias autorizadas.

JAC/Divulgação

Hoje são apenas 33 pontos credenciados da JAC no país inteiro, e boa parte está concentrada na região sudeste, o que complica a vida dos proprietários fora desse território. Também pairam dúvidas quanto ao fornecimento de peças de reposição, que acaba sendo prejudicado pela rede de concessionárias limitada e pouca infraestrutura. Deixando as várias virtudes do modelo de lado, esse é um ponto para se analisar na hora da compra.

O T50 Plus vale a pena?

Mesmo com as ressalvas quanto a rede autorizada, o carro é muito interessante pelo que custa. Ele une praticamente tudo que se espera de um SUV compacto: boa lista de equipamentos, ótimo espaço interno, posição de dirigir agradável, baixo consumo de combustível, acabamento interno caprichado e bastante conforto a bordo, tudo por um preço relativamente interessante. Deixa a desejar aqui e ali, mas agrada com méritos no conjunto da obra.

Dentre o trio T40, T50 e T60, a compra mais interessante é a desse intermediário (Foto: Lucca Mendonça)

Hoje ele ocupa o espaço de intermediário entre o crossover T40 e o utilitário médio T60, que também carregam o sobrenome Plus, mas se garante como o melhor negócio do trio. O menor T40, apesar de utilizar exatamente o mesmo conjunto mecânico, custa caro (cerca de R$100 mil) e oferece pouco quando comparado com o T50, e até com os seus principais concorrentes (leia aqui um comparativo dele com o VW Nivus, Hyundai HB20X e Fiat Argo Trekking).

Já o médio T60, que beira os R$130 mil, traz só algumas vantagens exclusivas, principalmente na lista de equipamentos. Além disso, em que pese seu moderno motor 1.5 turbo, lhe falta uma transmissão mais bem elaborada, já que ele também traz a mesma continuamente variável de 6 velocidades virtuais.

Ou seja, dentro da linha de carros a combustão da JAC hoje em dia, o negócio mais interessante é esse T50 Plus, principalmente se ele for equipado com o pacote mais completo de itens de série. Se o seu objetivo for gastar menos na hora da compra e se diferenciar da manada com um modelo alternativo, aqui está o que você procura.

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Tem 20 anos, atualmente cursa Publicidade e Propaganda na Universidade Paulista, é filho do jornalista Douglas Mendonça, e desde que se conhece por gente, convive com carros e está envolvido no mundo automobilístico. Aprendeu a ler nas revistas automotivas, cresceu frequentando oficinas, corridas, encontros e eventos com o pai, e daí veio sua maior paixão: os carros. Um gearhead legítimo, Lucca se tornou o braço direito do pai após sua perda de visão em 2012, ajudando na produção de matérias, reportagens, avaliações e textos sobre carros. No Carros & Garagem, é responsável pela cobertura de eventos de lançamento de novos veículos, e produz avaliações, fotos e comparativos de modelos. Os carros estão até nos seus hobbies: Possui um acervo com mais de 300 manuais do proprietário de veículos diversos, incluindo antigos e modernos, além de colecionar revistas, folders, catálogos, e vários outros materiais automotivos.