(Avaliação) Honda CR-V Touring é pouco lembrado, mas pode ser uma opção mais interessante do que parece

Com o mar de utilitários vendidos hoje, alguns modelos mais tradicionais acabam ficando pra trás, geralmente ofuscados por concorrentes mais interessantes, por custarem caro, ou então simplesmente por não serem mais divulgados pela fabricante. Um ótimo exemplo disso é o Honda CR-V: vendendo muito bem por aqui entre os anos de 2006 e 2011, ele era o sonho de consumo de várias famílias brasileiras, mas acabou caindo no esquecimento de uns anos pra cá, principalmente pelo preço salgado. Isso sem falar dos rivais extremamente competitivos que foram dominando o mercado com o passar dos anos.

Falando um pouco sobre ele, pra quem não sabe, o CR-V é feito sobre a plataforma do Civic (hoje sobre a base modular CCA da décima geração do sedan), e já é figurinha carimbada no mercado mundial há mais de duas décadas, sendo considerado um dos pioneiros no conceito de SUV que conhecemos hoje. Ele desembarcou no Brasil em março de 2000, ainda na sua primeira geração, e nunca mais foi embora: nesses 21 anos, já são quase 100 mil carros vendidos por aqui.

Hoje ele está na sua quinta geração, apresentada no Brasil em 2018, e é oferecido em versão única (Touring), sem nenhum opcional. Quanto custa? Oficialmente R$240 mil, mas na prática ele pode ser comprado por bem menos do que isso: as únicas unidades disponíveis são da linha 2019, o que ajuda bastante na hora de pechinchar um precinho mais agradável na concessionária. Pode não parecer, mas japonês fabricado nos EUA pode ser uma excelente alternativa pra Jeep Compass S Diesel, VW Tiguan R-Line, Toyota RAV-4 Hybrid e afins.

Foto: Lucca Mendonça

Mecânica, dirigibilidade e consumo

Além da base, ele também compartilha parte da mecânica com o Civic 10. A suspensão traseira tipo multilink e o conjunto motor/câmbio, por exemplo, são os mesmos do sedan, mas com calibrações diferentes. No CR-V, o propulsor 1.5 Turbo com quatro válvulas por cilindro e injeção direta rende bons 190 cv e 24,5 mkgf de torque (disponível de forma crescente entre os 2.000 e 5.000 rpm). A transmissão, do tipo CVT com conversor de torque para as baixas rotações, simula 7 marchas, com possibilidade de trocas manuais. Um dos diferenciais desse CR-V é o sistema de tração 4×4 permanente, que distribui a força do motor de acordo com a demanda de cada roda (chamado de AWD), eliminando o seletor manual de tração.

Esse SUV médio da Honda surpreende por andar muito bem e gastar pouquíssimo combustível, em que pese seus quase 1.600 kg em ordem de marcha. Mesmo no modo Eco, o 1.5 Turbo responde com bastante agilidade ao comando do acelerador, conseguindo ter ótimas arrancadas e fazer ultrapassagens sem nenhuma dificuldade, mesmo quando está mais carregado.

Com o câmbio na posição Sport ele fica ainda mais arisco: o pedal do acelerador ganha mais sensibilidade, o câmbio trabalha de forma mais ágil e, quando se pisa fundo, ele estica as “marchas” até os 5 mil rpm ou mais. Pra quem prefere uma condução mais esportiva, ele ainda oferece os paddle-shifts atrás do volante.

O motor 1.5 Turbo brilha pelo baixíssimo consumo e excelente desempenho (Foto: Lucca Mendonça)

E as médias de consumo foram até melhores que o desempenho. Pra quem passa a impressão de ser um carro gastão, esse Honda provou totalmente o contrário: fez, sem muito esforço, 11 km/l na cidade, sempre com A/C ligado e trânsito carregado. Na estrada, andando suavemente em uma média de 115 km/h, as medições entre 17,5 e 18,0 km/l eram surpreendentes, sempre rodando com gasolina no tanque (um pênalti desse motor é não ser flex).

Pra quem não confia no computador de bordo, o marcador de combustível estava lá de prova, e, nesse caso, ele pouco baixava. Ainda de quebra, ele possui a grade dianteira inteligente, que se fecha quando o motor não precisa de muita ventilação, diminuindo o arrasto aerodinâmico e ajudando bastante na economia de combustível.

Acabamento, espaço interno e conforto

E os pontos positivos não param por aí: por dentro, apesar do visual pouco ousado de painel, laterais de portas e afins, o acabamento é caprichado, com bons materiais e várias superfícies macias ao toque. Elogios também para a suspensão traseira tipo multilink, herdada do Civic, que garante um rodar muitíssimo confortável e macio, além de auxiliar na estabilidade em curvas rápidas e desvios bruscos de trajetória, em que pese as molas e amortecedores calibrados em prol do conforto no CR-V (bem macias e molengas). O isolamento acústico também merece destaque, tanto de ruídos da parte mecânica quanto externos.

Enquanto na Europa existe a opção de 7 lugares, aqui no Brasil ele comporta só 5 pessoas, mas com espaço de sobra: os 2,66 m entre os eixos não chegam a impressionar, mas o vão enorme entre os bancos dianteiro e traseiro mostram que até os ocupantes mais altos conseguem se acomodar sem apertos. O teto é alto, como de praxe, o assoalho é praticamente plano, e no porta-malas, que tem abertura e fechamento automáticos (inclusive com sensor de presença), vão bons 522 litros.

Itens de série e conteúdo

Essa versão única Touring, que é a topo de linha dos modelos Honda no mercado nacional, traz muito conteúdo e uma lista de itens de série que não deixa a desejar em quase nada. O “quase” fica por conta da falta de equipamentos de segurança como, por exemplo, alertas de colisão frontal e saída de faixa, frenagem autônoma de emergência, ou então monitores de ponto cego, todos já oferecidos até mesmo em carros populares. Nesse caso, até mesmo um controle de cruzeiro adaptativo (ACC) seria bem-vindo. Lembrando que, em mercados do exterior como EUA e Europa, ele já conta com boa parte desses itens desde a configuração de entrada.

Interior é caprichado e essa versão Touring tem lista de itens de série generosa (Foto: Lucca Mendonça)

Mas ele ainda oferece de série os 6 airbags (dois dianteiros, dois laterais e dois de cortina), controles eletrônicos de estabilidade (ESP) e tração (ASR), monitor da pressão dos pneus (TPMS), e o sistema Lane Watch, que conta com uma câmera externa na lateral direita do carro para eliminar os pontos cegos nas mudanças de faixa. Fora isso, também estão presentes os bancos dianteiros com ajustes elétricos (incluindo memorização de posição para o do motorista); painel de instrumentos digital de 7”; Head-up display; conjunto óptico full-LED (faróis baixo e alto, luzes de neblina e lanternas traseiras); chave presencial com partida remota do motor; teto-solar; sensores de chuva e crepuscular; retrovisor interno fotocrômico; multimídia de 7” com conexões Android Auto/Apple CarPlay; rodas de liga-leve diamantadas aro 18 e muito mais.

E aí, vale a compra?

No final, o Honda CR-V Touring agrada muito em vários aspectos, principalmente no desempenho, economia de combustível e conforto. Quer um? Então melhor correr, afinal as últimas unidades que restaram dessa linha 2019 são difíceis de serem encontradas. Negociando na hora da compra, o desconto pode ser enorme, e um carro igual ao das fotos pode acabar custando bem menos do que o esperado. É um ótimo negócio, mas coisa de ocasião.

Quando encerrar esse lote de carros 2019 0km, só poderemos encontrar o CR-V no mercado de usados, pelo menos por enquanto: os retoques visuais que essa quinta geração recebeu há algum tempo no exterior não chegaram ao mercado nacional, mas uma sexta geração, totalmente inédita e prevista para o final desse ano, já roda em fase avançada de testes mundo afora. Então, como essa atual geração já está encerrando seu ciclo, provavelmente não teremos um Novo CR-V no Brasil antes de 2022. Ao que tudo indica, essa sexta geração que está por vir deve ser ainda melhor que a atual, então a espera deve valer a pena!

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