Daewoo Matiz foi a “fonte de inspiração” para o Chery QQ e nasceu como Fiat em 1992

O pequenininho QQ, lançado lá em 2011, foi um divisor de águas na vida da Chery brasileira: completo de equipamentos e custando pouco mais que um Fiat Mille básico, ele logo conquistou os consumidores que precisavam de um meio de transporte barato, honesto e prático para o uso urbano, principalmente. Mas aquelas suas linhas simpáticas e bonitinhas não saíram originalmente de nenhuma prancheta de design chinesa…

Linhas do QQ não tinham origem na China (Foto: Chery/divulgação)

Na realidade, o visual básico do QQ foi criado no início dos anos 90, em um estudo de design da Italdesign, contratada pela Fiat para desenvolver possíveis futuras versões do tradicional 500 (na época Cinquecento). Um dos carros-conceito, que chegou a ser exposto no Salão de Turim de 1992, foi batizado de Lucciola, e fez alarde junto ao público justamente por sua simpatia e modernidade.

Percebendo que o conceito da Italdesign, chefiada pelo consagrado Giorgetto Giugiaro, havia conquistado as pessoas que o viram exposto, a marca coreana Daewoo surgiu interessada em transformar o tal estudo em um carro de produção. Como a Fiat não havia dado continuidade no desenvolvimento do Lucciola, a Italdesign tinha a permissão de oferecê-lo à outras marcas, e assim o fez.

O Lucciola, preparado pela Italdesign, saltou aos olhos também da Daewoo, que precisava de um novo popular (Foto: Italdesign/divulgação)

Alguns anos depois, em 1998, chegava ao mundo o Daewoo Matiz, o “Lucciola oficial”. Claro que muita coisa mudou entre o carro-conceito e a versão final de produção, como sempre acontece, mas a proposta e estilo básico da Italdesign foram mantidos: um carro pequeno, de dimensões compactas, econômico para rodar e ser mantido, barato de ser comprado e agradável no quesito design e habitabilidade.

Para a fabricante coreana era perfeito, afinal seu único carro subcompacto era o Tico, que já tinha mais de 10 anos de lançamento e, definitivamente, estava aquém dos seus rivais. A novidade do Matiz, ainda mais com suas linhas “by Giugiaro”, era um alento, e agora teriam um substituto à altura do Tico. Em sua mecânica, o Matiz contava com opções de motores de 0.8 tricilíndrico ou 1.0 de quatro cilindros, além de câmbio manual de 5 marchas e até uma caixa automática de três velocidades. Menor que um Fiat Mobi, ele tinha 3,49 m de comprimento e apenas 1,49 m de largura, ideal para cidades grandes.

Em 1998 chegava a versão final do Lucciola: Daewoo Matiz (Foto: Daewoo/divulgação)

Carinha de Chery QQ vinha em 2000

Reestilizado no final de 2000 como linha 2001, o Matiz ganhava nova frente e pequenas modificações na traseira e interior. Aí nascia a fonte de inspiração para a Chery, que, então com menos de uma década de experiência, lançava o seu QQ em 2003. O pequeno carrinho chinês nada mais era do que uma cópia perfeita do Matiz: mudavam poucas coisas, como detalhes no parachoque dianteiro, lanternas traseiras (maiores) e componentes do interior. Até a mecânica era parecida: motores 0.8 e 1.1 de três e quatro cilindros, respectivamente, com câmbio manual ou um automatizado de 5 marchas, que fazia as vezes do automático convencional.

Os chineses começaram a criar e fabricar carros em escala considerável somente na década de 80. No início dos anos 2000, ainda com pouco know-how no mercado automotivo, eles precisavam se basear nas marcas conhecidas de outros países, assim como fizeram os japoneses e coreanos nos seus respectivos primórdios automotivos. Na época, essas cópias não eram nada surpreendentes nem assustadoras, já que aconteciam em praticamente todas as marcas do país da Grande Muralha.

Rumos diferentes

A Daewoo, comprada pela Chevrolet, foi extinta em 2011, restando apenas o Chevrolet Spark, irmão-gêmeo do Matiz, em produção desde então. O subcompacto coreano-americano ainda ganhou diversas gerações ao longo desses quase 25 anos (uma em 2005 e outras em 2009, 2015 e, futuramente, uma inédita que chegará em 2023). Hoje ele é vendido em inúmeros países mundo afora, incluindo EUA, sempre como Chevrolet Spark.

Com o fim da Daewoo, restou apenas o equivalente Chevrolet Spark, que já está beirando sua quinta geração, totalmente diferente dessa que inspirou a Chery (Foto: Daewoo/divulgação)

Já o Chery perdurou sem maiores mudanças até 2015, também sendo vendido em diversos países, incluindo o Brasil. A partir de 2016, uma nova geração do QQ foi substituindo gradativamente a primeira, mas esse novo modelo já contava com design e tecnologias exclusivas, sem copiar nada de ninguém. Acabou deixando o mercado nacional em 2019 após a aquisição da Chery Brasil pela CAOA, que optou por deixar de lado os populares e focar nos crossovers, SUVs e sedans luxuosos.

Durou até 2015 na sua primeira geração, e ganhou nova carroceria em 2016: O QQ também é um carrinho de sucesso (Foto: Chery/divulgação)
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Tem 20 anos, cursa Publicidade e Propaganda, é filho do jornalista Douglas Mendonça, e desde que se conhece por gente, convive com carros e está envolvido no mundo automobilístico. Aprendeu a ler nas revistas automotivas, cresceu frequentando oficinas, corridas, encontros e eventos com o pai, e daí veio sua maior paixão: os carros. Lucca se tornou o braço direito do pai após sua perda de visão em 2012, ajudando na produção de matérias, reportagens, avaliações e textos. No Carros & Garagem, é responsável pela cobertura de eventos de lançamento de novos veículos, e produz avaliações, fotos e comparativos de modelos.