(Avaliação) Renault Kwid elétrico é o carrinho que todo mundo queria ter

O Renault Kwid já é um bom popular urbano, principalmente para as ruas do Brasil. Por ser alto e com pinta de “mini-SUV”, é uma bela pedida pra nossa buraqueira e asfalto lunar. O projeto da Índia, onde a situação viária é ainda mais complicada, ajudou muito. Isso sem falar na relação amigável entre ter uma carroceria bem pequena e fácil de transitar nos grandes centros urbanos, mas sem desperdiçar espaço interno ou capacidade do porta-malas, ambos interessantes. O Kwid é simples de tudo e até rústico, mas ótimo pro nosso mercado.

E o que falar então de um Kwid elétrico? Tudo de bom do carro a combustão mais custo de manutenção baixíssimo (menos de R$1.800 até os 60 mil km, isso na rede autorizada Renault), zero gasto com combustível, silêncio total de funcionamento e todo o apelo ecológico de se ter um “eco-friendly”. A recarga, que pode ser um problema dos elétricos, é feita até nas tomadas 110V/220V de casa e não demora muito. Nos eletropostos ou wallbox a perda de tempo recarregando é ainda menor (os 100%, em carga rápida, podem vir no tempo de um filme: 1h30min). Privilégios de se ter baterias de apenas 26,8 kWh, e ser um carinha que adora cidades grandes, mas nem tanto rodovias.

Recarga é descomplicada e, o melhor, não demora tanto (Foto: Lucca Mendonça)

A origem do Kwid elétrico é diferente do a combustão, apesar de serem praticamente gêmeos no design, carroceria e mecânica básica. O elétrico é uma criação conjunta da Renault com a chinesa Dongfeng. Nasceu City KZ-E em 2019, depois foi para a Europa como Dacia Spring, onde faz sucesso e, por aqui, chegou como Renault Kwid E-Tech, hoje custando R$147 mil. As três variantes são Made in China.

E-Kwid, Kwid E-Tech…pelos emblemas ele tem dois nomes (Foto: Lucca Mendonça)

Barato para um elétrico mas caro para um subcompacto, o Kwid E-Tech custa praticamente o dobro de um equivalente brasileiro a combustão. O lado bom é que é mais completo: só ele tem limitador eletrônico de velocidade, seletor giratório de “marchas”, um volante de quatro raios com pega melhor, vidros elétricos traseiros (sem comandos dianteiros!), regulagem interna do facho dos faróis e, como cereja do bolo, seis airbags. Perde algo? Sim: por algum motivo o tão prático comando de som na coluna de direção não é oferecido. Nem as rodas de liga-leve: aqui são calotas que imitam rodas, como nos nossos primeiros Kwid.

O Kwid E-Tech vem com uma configuração mais adequada para o Brasil, perdendo um pouco de potência (são 65 cv no total) e torque (bons 11,5 mkgf imediatos), porém com reforços no sistema de arrefecimento do motor elétrico dianteiro e baterias para aguentar nosso clima tropical. Em seu país de origem, além da Europa, os números são outros e maiores. Não é daqueles elétricos que fazem colar no banco quando se pisa fundo, e nem tem essa pretensão, mas é muito ágil na cidade: faz de 0 a 50 km/h em apenas 4 segundos e, depois disso, são outros 10 segundos até chegar nos 100 km/h. O limite é de 130 km/h.

Inegavelmente urbano, mas dá pra encarar uma rodovia com o pequeno elétrico (Foto: Lucca Mendonça)

Lembrando que esse ânimo para andar em velocidades menores é a maior pedida no trânsito urbano, como saídas de semáforos, passagens por lombadas, ultrapassagens em ruas e avenidas. Acima dos tais 50 km/h já é quase sempre um uso mais rodoviário, onde o E-Tech não é tão esperto quanto seu irmão 1.0 flex, por exemplo. A maioria das ultrapassagens na estrada só são feitas em segurança com o “pé na tábua” o tempo todo, exigindo a força máxima do conjunto elétrico. Até se vira nas estradas e rodovias, mas seu habitat é na selva de pedra.

Usar o Kwid E-Tech na cidade é até mais vantajoso, e é que ele dá seu melhor. Um simulador de barulho de motor a combustão, que lembra o som de um microondas funcionando, alerta qualquer desavisado que o carrinho se aproxima. Existe também a regeneração em frenagens e desacelerações, que poderia ser mais forte ou regulável pra aproveitar melhor a energia. Isso sem falar no modo ECO, que limita o conjunto motriz em cerca de 50 cv para poupar energia e render alguns km a mais. Pra economizar energia, vale tudo.

Modo ECO e formas de economizar energia são importantes. Detalhe para a alavanca seletora giratória e os minúsculos pedais. Falta um apoio para o pé esquerdo (Foto: Lucca Mendonça)

Falando nisso, a Renault declara 298 km de autonomia máxima, ou 265 km em trecho misto. De tão citadino, nem se fala do alcance rodoviário, mas como parte dos sete dias de teste com o carrinho foram em estradas, dá para afirmar que ele consegue rodar pelo menos 210 km só nelas. Nossas médias de consumo batem com o que a Renault informa, o que é raro: 8,8 km/kW urbano (totalizando 303 km de alcance), 9,9 km/kW misto (270 km) e 12,2 km/kW rodoviário (219 km). Dá e sobra para ir e voltar do trabalho por uma semana inteira, ou render várias e várias idas ao supermercado, academia e por aí vai.

Alcance agrada e muito para um carrinho da cidade (Foto: Lucca Mendonça)

A carroceria compacta e mecânica é a mesma dos outros Kwid, então pouco muda na sensação ao volante ou espaço interno. O primeiro não é dos melhores pontos dele: apesar de ser mais estável e preciso que o carro a combustão (o elétrico é mais pesado, tem centro de gravidade mais baixo, suspensões levemente endurecidas e direção um pouquinho mais direta), ainda não é nenhum exemplo de como um hatch deve se comportar na dinâmica. Mas isso pouco importa em um carro feito pra mal passar dos 100 km/h.

Ainda é um Kwid: altinho, robusto, elevado do solo e espaçoso para seu porte (Foto: Lucca Mendonça)

Na sua missão é invicto: transporta com bom espaço e conforto quatro ocupantes (não, ele não é homologado para cinco), e tem caprichos no isolamento acústico e silêncio a bordo para um elétrico de entrada (pontos importantes que fazem muita diferença). O nível de acabamento e montagem das peças é incrivelmente bom, fora o charme do painel e portas dianteiras em dois tons: cinza gelo na parte superior e preto na inferior. Isso o Kwid nacional nem sonha em ter por enquanto.

Sem exageros, nenhum carro elétrico é robusto como ele, até pela capacidade de transpor obstáculos e altura do solo. Passa pela buraqueira da cidade (quase) sem reclamar, já que as suspensões são um pouco diferentes das do carro brasileiro e deram sinais de fim de curso ou pancadas secas quando muito exigidas. São feitas do outro lado do mundo, literalmente. Mesmo assim é um dos elétricos mais ideais para o Brasil hoje, seja nas preferências do público, estilo de condução ou rodagem. Praticamente todos os pontos que o E-Tech poderia melhorar, o Kwid 1.0 também, ou seja, são detalhes do projeto do carro e não da variante elétrica.

O que é melhorável em um E-Tech, é melhorável também no Kwid a combustão (Foto: Lucca Mendonça)

Por essas e outras que o Kwid E-Tech é o carrinho que todo mundo queria ter: elétrico fácil de recarregar e pequeno para usar na cidade, é espaçoso para o seu tamanho, quase zerado em ruídos ou emissão de poluentes, passa longe de qualquer posto de combustíveis, vem completinho de equipamentos e atrai no baixo custo de manutenção. Pena que esses carros a bateria ainda sejam tão caros, mesmo falando dos pequenos como esse Renault, o elétrico menos caro do Brasil.

Ficha técnica:

Concepção de motor: elétrico, dianteiro, com refrigeração líquida de baterias e propulsor, conjunto de baterias de íon-lítio instalado no assoalho, capacidade de energia de 27 kWh
Carregamento: entrada Tipo 2, carga via eletropostos (de 90 min. a 5 horas, dependendo da força), Wallbox (3 horas) ou tomadas 110V/220V residenciais (pelo menos 9 horas). Regeneração de energia durante condução
Potência: 65 cv
Torque: 11,5 mkgf
Suspensão dianteira: independente, do tipo McPherson
Suspensão traseira: eixo de torção com molas helicoidais
Direção: com assistência elétrica progressiva
Freios: discos ventilados na dianteira e tambores na traseira
Pneus e rodas: GreenMax EcoTouring, medidas 175/70 com rodas de aço e calotas aro 14
Dimensões (comprimento/largura/altura/entre-eixos): 3,73 m/1,58 m/1,50 m/2,42 m
Porta-malas: 290 litros
Alcance máximo: 298 km (ciclo WLTP)
Peso em ordem de marcha: 977 kg
Aceleração 0 a 100 km/h: 14,6 segundos
Velocidade máxima: 130 km/h (limitada eletronicamente)
Preço básico: R$146.990

Itens de série:

Limpador do vidro traseiro, Banco traseiro rebatível, Ar-condicionado manual, Apoios de cabeça traseiros com ajuste de altura, Bancos dianteiros com porta-revistas, Vidros elétricos dianteiros e traseiros, Retrovisores com regulagem elétrica, Limpador e desembaçador do vidro traseiro, multimídia MEDIA Evolution com Android Auto® e Apple Carplay®, 2 fixações Isofix, Monitoramento da pressão dos pneus (TPMS), Limitador eletrônico programável de velocidade, 6 airbags (frontais + laterais + cortinas), Repetidores laterais de seta, Assistente de frenagem de emergência, Travamento automático das portas a 6 km/h, Controles eletrônicos de estabilidade e tração, Freio ABS, Cintos de segurança dianteiros e traseiros de 3 pontos, Alerta visual e sonoro de não utilização do cinto de segurança de todos os ocupantes, Luzes de circulação diurna em LED (DRL), Função Eco, Direção Elétrica, Câmera de ré, Bancos em tecido com TEP, Rodas aro 14″ com calotas integrais, Retrovisores externos em preto brilhante

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Com 21 anos, está envolvido com o meio automotivo desde que se conhece por gente através do pai, Douglas Mendonça. Trabalha oficialmente com carros desde os 17 anos, tendo começado em 2019, mas bem antes disso já ajudava o pai com matérias e outros trabalhos envolvendo carros, veículos, motores, mecânica e por aí vai. No Carros&Garagem produz as avaliações, notícias, coberturas de lançamentos, novidades, segredos e outros, além de produzir fotos, manter a estética, cuidar da diagramação e ilustração de todo o conteúdo do site.