Mitsubishi ASX e Outlander como você nunca viu: 4007, 4008, C-Crosser e C4 Aircross

Parcerias entre fabricantes automotivas são bem comuns, seja para compartilhar know-how, tecnologias, engenharia, equipes ou produtos inteiros, como motores, câmbios e até carros. Algumas dessas parcerias dão tão certo que acabam formando uma só empresa, mas outras não demoram pra ir por água abaixo.

Nesse segundo e triste caso está a parceria entre a extinta PSA Peugeot/Citroën e Mitsubishi, criada principalmente para atender os mercados asiáticos e europeus. Dela saíram algumas criações até bizarras envolvendo os carros das três marcas.

De início, a tal união da PSA com a Mitsubishi era pra desenvolver modelos elétricos, mas logo elas inauguraram uma fábrica conjunta na Rússia, que produziria diversos automóveis das três marcas. Estamos falando de acontecimentos de 12 ou 13 anos atrás, ou seja, lá para os idos de 2009 e 2010, época que os carros eletrificados ainda engatinhavam.

Mitsubishi travestido de Peugeot e Citroën

Mas antes disso, ainda em 2007, as marcas francesas e japonesa se juntaram por um bom motivo: Peugeot e Citroën, nessa época, não tinham experiência com SUVs, então recorreram à Mitsubishi, mais entendida do assunto, pra criar novos modelos (nem tão novos assim).

Primeiro veio um SUV médio, batizado de 4007 pela Peugeot e C-Crosser pela Citroën. Quem eram eles? Ninguém menos que o Mitsubishi Outlander, mas com outra cara (externa, já que o interior era o mesmo) e algumas diferenças mecânicas. A dupla era feita no Japão, e movida por três motores de origem Mitsubishi, sendo dois a gasolina (2.0 e 2.4) e um a diesel (2.2). Contavam também com opções de transmissão manual ou automatizada de dupla embreagem, ambas com 6 marchas, além de tração 4×4, que era acionada manualmente, de acordo com as necessidades do motorista.

Tanto o 4007 quanto o C-Crosser eram carros, no mínimo, curiosos, já que misturavam de forma única toda a ousadia francesa com o padrão da Mitsubishi na época. O design fala por si só, cada um adaptado para ter a identidade visual das respectivas marcas: O Peugeot com uma enorme grade dianteira e faróis espichados, e o Citroën trazendo o sagrado Chevron com frente bem característica.

Lateral e traseira da dupla pouco mudavam quando comparada com a do Outlander original, enquanto o interior, como já dito, era o mesmo nos três carros.

E esses Mitsubishi travestidos de PSA deram certo? Não. Enquanto o Outlander sempre conquistou o consumidor de SUVs mundo afora (sempre vendeu relativamente bem, até no Brasil), os 4007/C-Crosser não emplacaram em momento algum. As fabricantes tinham expectativa de vender pelo menos 30 mil unidades da dupla por ano, mas a realidade foi bem mais cruel: Cerca de 47 mil carros foram comercializados…em cinco anos.

O Mitsubishi Outlander sempre vendeu bem em todos os mercados que participou. Já seus irmãos-gêmeos da PSA… (Foto: Mitsubishi/divulgação)

Vendo que a fórmula de Mitsubishi Outlander + DNA da Peugeot/Citroën não tinha dado certo, a dupla saiu de linha no início de 2012. Foram cinco anos dando “cabeçadas” e tentando fazer com que os modelos emplacassem, mas não teve muito jeito: Peugeot 4007 e Citroën C-Crosser morreram exatamente como nasceram, inclusive falando de design.

Mas não, não parou por aí: Ainda em 2011, quase 2012, nasciam outros SUVs frutos da parceria. Dessa vez, quem cedia a carroceria, mecânica e interior era o ASX, utilitário menor que o Outlander e que saiu de linha há poucos meses no Brasil. Assim, vinham ao mundo o Peugeot 4008 (apesar do nome, ele era menor e não sucedia o 4007) e Citroën C4 Aircross (que, no mercado nacional, seria um filho do C4 Cactus com o Aircross).

Também fabricados no Japão, os ASX da PSA fizeram mais sucesso e foram vendidos em diversos países do mundo. Um dos responsáveis por isso, provavelmente, foram seus respectivos designs mais bem elaborados, distantes do carro original da Mitsubishi. Frente, traseira e até recorte das janelas eram exclusivos e similares a outros carros da Peugeot ou Citroën, quer esteja falando do 4008 ou do C4 Aircross. Quem não mudava, novamente, era o interior, igual nos três carros.

Pra variar, essa nova dupla trazia até um motor 1.6 movido a diesel desenvolvido pela própria PSA, além de um outro diesel de 1.8 litro, um 1.6 a gasolina e o 2.0 a gasolina responsável por equipar o Mitsubishi ASX brasileiro. Além de ter também a opção da tração nas quatro rodas, os 4008 e C4 Aircross poderiam trazer um câmbio manual de 6 marchas ou automático do tipo CVT, dependendo do nível de acabamento.

A dupla de SUVs nipo-francesa vendeu bem, mas nem tanto quanto seu irmão original Mitsubishi ASX (Foto: Mitsubishi/divulgação)

Essa nova fornada de SUVs nipo-franceses deu mais certo, tanto que chegaram até a receber algumas melhorias no visual durante o tempo que ficaram em produção. Eles se despediram do mercado em 2017, mas, ao menos, deixaram substitutos: O Citroën C4 Aircross deu lugar ao C5 Aircross (irmão maior do nosso Cactus), enquanto a segunda geração do Peugeot 3008 tomou o espaço do 4008.

Totalmente improváveis, esses SUVs nunca chegaram a ser vendidos por aqui. Quem chegou mais perto foi o C4 Aircross, o ASX da Citroën, que teve sua importação para o Brasil cogitada pela fabricante francesa em 2013, mas nada se concretizou. Mesmo assim, tanto os 4007/C-Crosser quanto os 4008/C4 Aircross são curiosas criações de uma inusitada união que entrou pra história automotiva mundial.

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Tem 20 anos, cursa Publicidade e Propaganda, é filho do jornalista Douglas Mendonça, e desde que se conhece por gente, convive com carros e está envolvido no mundo automobilístico. Aprendeu a ler nas revistas automotivas, cresceu frequentando oficinas, corridas, encontros e eventos com o pai, e daí veio sua maior paixão: os carros. Lucca se tornou o braço direito do pai após sua perda de visão em 2012, ajudando na produção de matérias, reportagens, avaliações e textos. No Carros & Garagem, é responsável pela cobertura de eventos de lançamento de novos veículos, e produz avaliações, fotos e comparativos de modelos.