O maravilhoso Porsche Carrera 4 2001 com capota removível

Bom, vamos lá. Meu nome é Alexandre Ule Ramos, sou jornalista há 32 anos, formado na Cásper Libero, de São Paulo, e também em Publicidade e Propaganda pela Metodista, de São Bernardo do Campo. É com muito orgulho que fui convidado pelo Douglas Mendonça para fazer essa coluna, essa figura que conheço há quase tanto tempo quanto tenho de jornalismo.

Nessa longa história já passei pelas principais publicações do país: durante muitos anos tenho feito setor de usados do Guia Melhor Compra da revista Quatro Rodas, tive três passagens pela revista Oficina Mecânica e Hot, sendo em duas delas como editor-chefe, colaborei com muitas publicações, como revista Carro, Brasil Transportes, Fúria, fui editor-chefe do Superauto, escrevi para o Webmotors, fiz matérias para o Auto+, Feira Livre do Automóvel etc. Além disso, escrevi sobre aviões para revista Avião Revue Brasil, onde também fui editor-chefe. E tenho uma página infelizmente meio abandonada no Facebook, a Carro Verdade, com cerca de 170.000 seguidores.

Estou fazendo essa apresentação resumida apenas para você ter uma ideia de quem eu sou e de como os carros fazem parte da minha vida. Ah, tenho uma coleção de miniaturas, com… seis mil carrinhos. Mas, na verdade, minha vida não se resume – e nem se resumiu – em apenas escrever sobre carros. Eu também vendi vários deles durante muitos anos, e continuo vendendo até hoje.

E com isso, desde 1999, já comprei mais de 1000 automóveis. Aliás, nem faço muita ideia de quantos mais foram, mas documentados foram mais de mil. Eu tinha uma empresa, então comprava profissionalmente. Dessa forma pude juntar o melhor dos dois mundos: testar, escrever e ainda comprar, usar e vender alguns desses carros. E posso dizer que tive alguns dos melhores automóveis do mundo.

Isso foi uma verdadeira benção. Ferrari tive três, Porsche uns 15, de BMW foram literalmente mais de 200 (entre E36, E39, E46, E60, E70 e por aí vai). Inclusive fui um dos fundadores do clube reconhecido pela BMW do Brasil, o BMW Car Club do Brasil, no qual sou o sócio número seis. Mercedes e Audi também não escapam dessa lista, além de Volvo, mas estes em menor quantidade. Além, é claro, de centenas de carros nacionais, e importados de outras marcas também. Muitos desses carros foram inesquecíveis, mas na verdade posso dizer que todos seriam. Todos tiveram importância e foram parte da minha história. Mas hoje vou começar com um dos carros que mais gostei até hoje.

Estamos falando de um Porsche 996, versão que foi produzida entre os anos de 1998 e 2004. No meu caso, um Carrera 4 TipTronic 2001, azul com interior caramelo e apenas 25.000 km originais. Maravilhoso, Impecável. O Carrera 4 se distingue dos outros 911 contemporâneos principalmente pela tração nas quatro rodas, daí a nomenclatura “4”. Os outros modelos tm tração traseira, com exceção do Turbo. Essa tração 4×4 é permanente, não tem nenhum tipo de atuação por parte do motorista e divide o torque para as rodas dianteiras numa proporção de 5 a 40%, dependendo da situação.

O impecável Carrera 4 azul com interior caramelo (Foto: Arquivo Pessoal/Alexandre Ramos)

O Carrera 4 é um carro espetacular e o meu teve a vantagem de vir com capota rígida opcional. Pintada na cor do carro, é de alumínio e pesa 33 kg, mas tinha que ser colocada manualmente. Para os mais afortunados havia um interessante sistema de guindaste que a deixava pendurada no teto para você usar. Mas eu não tinha isso, e para colocar a tal capota era uma luta insana. E você tinha que contar com mais uma vítim… quer dizer, amigo, para colocá-la. Sozinho era impossível.

A capota que vem montada no carro é de lona e de acionamento elétrico, podendo ser acionada até a velocidade de 50 km/h, levando cerca de 20 segundos para abrir ou fechar. Uma curiosidade é que, por causa da forma que ela fecha, a parte exterior sempre fica para cima, para maior durabilidade do tecido.  Aliás, em seus modelos Cabrio, a Porsche nunca usou capotas elétricas de aço, a exemplo de Mercedes SLK e BMW Série 4 Cabrio. As capotas retráteis dos Porsche eram de lona e continuam sendo assim até hoje.

Com esse carro andei muito pouco, mas foram quilômetros de muita felicidade. Até hoje ele é muito bonito, e chama muita atenção. Claro, é um Porsche! Segundo estudos da fábrica, cerca de 85% dos carros produzidos pela marca ainda são funcionais, um verdadeiro recorde. Seu motor de seis cilindros boxer aspirado 3.4, herdeiro direto do motor do Fusca, rendia excelentes 300 cv, suficientes para fazer a máquina acelerar de 0 a 100 km/h em 5,2 segundos e chegar aos 275 km/h de velocidade máxima.

Essas são marcas excelentes até hoje, principalmente se considerarmos que esse carro tinha tração nas quatro rodas, era Cabrio e automático (só o 4×4 e o câmbio automático acrescentavam 55 kg a mais, levíssimo para um sistema como esse, mas é mais peso para levar).

Para 2001 o 911 trouxe como principais mudanças o acionamento elétrico das tampas do motor e porta-malas, melhor iluminação interna e carpete também de melhor qualidade. Seu estilo era o mesmo do lançamento e, para alguns críticos, lembrava muito o irmão mais barato, o Boxster (que, inclusive, tive um prata, mas falaremos dele mais pra frente). Devia ser verdade, pois no Turbo 2001 (tive um destes também, com 420 cv), os faróis já eram diferentes dos outros, e para 2002 esses faróis passaram a fazer parte de toda a linha 911.

O Carrera 4 trazia o interior mais iluminado e melhor acabado na linha 2001 (Foto: Acervo Pessoal/Alexandre Ramos)

Depois de alguns dias com o meu Carrera 4 azul, chegou a hora de vender. E confesso que ele deixou muitas saudades. Era um carro espetacular e que hoje só tende a valorizar, como tem acontecido com todos os modelos da marca, talvez com exceção do SUV Cayenne, o qual também tive, que não tem o mesmo carisma dos esportivos.

Na próxima edição da minha coluna, vou trazer outro carro inesquecível, mas nem sempre será uma supermáquina como essa. Existem carros que marcam nossa vida mesmo com toda sua simplicidade. Mais importante do que o carro em si, são os bons momentos que eles nos trazem. Isso não depende de sua marca, de seu estado de conservação, ano de fabricação ou nível de glamour, mas sim, principalmente, de como enxergamos esse carro e o que ele significa para nós. Até a próxima!

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Alexandre Ule Ramos é jornalista há 32 anos, formado na Cásper Libero, de São Paulo, e também em Publicidade e Propaganda pela Metodista, de São Bernardo do Campo. Durante muitos anos foi responsável pelo setor de usados do Guia Melhor Compra da revista Quatro Rodas, trabalhou na revista Oficina Mecânica e Hot, teve passagens pela revista Carro, Brasil Transportes, Fúria, Superauto, produziu conteúdo para o Webmotors, Auto+, Feira Livre do Automóvel etc. Tem enorme conhecimento no mercado de carros usados, trabalhando há mais de 22 anos com compra, venda e consultoria de veículos. Já adquiriu mais de 1.000 carros durante essas mais de duas décadas, e, até hoje, permanece ativo na sua função.