(Avaliação) JAC T40 Plus CVT com dois anos de uso intenso e quase 35 mil km. Aguentou bem?

Em maio de 2021, aos 5.600 km rodados, colocamos esse JAC T40 Plus em uma disputa com VW Nivus, Fiat Argo Trekking e Hyundai HB20X, e hoje, mais de um ano depois e quase 35 mil km registrados no hodômetro, aquele mesmo carro está de volta. Todas as fotos que ilustram essa matéria são da ocasião do comparativo, mas garanto que na aparência ele continua idêntico.

E como esse carro é usado para testes da imprensa especializada, esse tempo e quilometragem foram bem “sofridos”: motor, câmbio e suspensão colocados à toda prova, vários combustíveis e asfaltos (bons e ruins), diferentes estilos de condução e por aí vai. Um carro de testes muito bem testado, mas será que ele aguentou o tranco?

35 mil km de testes de tudo quanto é tipo feitos pela imprensa nacional: tarefa difícil (Foto: Lucca Mendonça)

Desempenho e consumo: melhor, pior ou igual?

O T40 Plus CVT tem sob o capô um 1.6 16V junto de uma transmissão automática CVT que simula seis marchas. Pena que ele só beba gasolina. São 138 cv de potência e mais de 17 mkgf de torque, que não o deixam muito rápido: o motor tem a maioria do torque em altas rotações, e o câmbio, que simula muito bem as seis marchas com relações curtas, demora pra reagir na maioria das ocasiões.

Esse 1.6 16V do T40 Plus é bom, mas prejudicado pelo câmbio CVT (foto: Lucca Mendonça)

Quando comparado com o nosso primeiro uso em 2021, o T40 continua com o mesmo pique de antes: é preciso ter um pouquinho de paciência na hora de acelerar a fundo, ou dá pra driblar as lerdezas com o modo Sport do câmbio, que cumpre o que promete e deixa o carro mais ágil. Aparentemente nenhum cavalo se perdeu no caminho, e, em nossos testes atuais, ele cumpriu a prova de 0 a 100 km/h ao redor dos 12,5 segundos, bem próximo daquilo registrado da primeira vez.

O motor bem amaciado também parece estar um pouquinho mais econômico do que antes, registrando médias interessantes em diferentes tipos de uso. Chegou aos 16 km/l na estrada, enquanto na cidade ficou sempre beirando os 12 km/l. Nada mau, tirando a autonomia limitada pelo tanque de 42 litros.

Delay na hora de começar a andar e Start&Stop “desaparecido” são saldos negativos do período (Foto: Lucca Mendonça)

O que chamou a atenção foi a demora para tirá-lo do lugar, que mais parece um problema na transmissão do carro testado do que desgaste: mesmo acelerando, são alguns centésimos de segundo até ele dar um leve tranco e realmente andar. Lembrando que o CVT do T40 Plus não tem conversor de torque, que poderia ser o culpado nesse caso. Ah, e o sistema Start&Stop, que já pouco funcionou no primeiro teste, aparentemente parou de vez.

Suspensão chinesa e piso brasileiro…

Surpreendentemente, ele não sofreu muito com a buraqueira brasileira. Aqui, em 2021, seus pneus ainda estavam com bastante borracha (Foto: Lucca Mendonça)

Aparentemente essa combinação deu certo no T40 Plus de quase 35 mil km, já que ele ainda se mostra bem confortável e suave depois de provavelmente ter passado por poucas e boas. Claro que as revisões cumpridas no prazo e feitas em concessionária autorizada ajudam, mas ainda assim o conjunto continua competente na missão de absorver a buraqueira. A estrela da nossa pauta, inclusive, se mostrou também bem alinhada e balanceada.

O “contra” é a limitação das molas e amortecedores: dar fim de curso nas valetas ou lombadas é normal no T40 Plus. Faz bastante falta o chamado stop-hidráulico, que evita exatamente esse tipo de problema. Barulheira ao rodar? Só nos pisos bem ruins, e principalmente da traseira, mas também nada diferente daquilo já visto antes. No geral as suspensões continuam como as de um T40 novo.

Maior curso das molas e amortecedores seria bem-vindo (Foto: Lucca Mendonça)

Bom acabamento evitou “escola de samba”

Aqui as peças e materiais utilizados na cabine são de boa qualidade, e a montagem é esmerada. Aqueles plásticos coloridos e de baixa qualidade dos primeiros carros chineses ficaram no passado. O JAC T40 Plus, diria, é melhor que alguns concorrentes tradicionais nesse quesito.

Bom acabamento interno evitou problemas futuros (Foto: Lucca Mendonça)

E no carro avaliado tudo parece bem íntegro: todos os bancos com espuma ainda firme, pouquíssima coisa rangendo ou batendo durante o uso e nenhuma peça interna com folgas ou sinais de muito desgaste. Isso, lembrando, depois de quase dois anos de uso…digamos…intenso. Nesse quesito ele não piorou em nada desde nosso primeiro contato, há 1 ano.

Tudo funcionando como deveria?

A lâmpada do farol esquerdo, provavelmente a mesma que ele trouxe de fábrica, queimou justamente na nossa mão (Foto: Lucca Mendonça)

Tirando os pneus perto da hora da troca, borrachas do teto-solar que não vedam bem como antes, vidro do motorista demorando para fechar (provavelmente não é nada que uma lubrificação não resolva) e um farol que queimou durante essa semana que estivemos com o carro pela segunda vez, na maioria coisas de desgaste comum, tudo está como antes. Nenhum comando ou função do carro sem funcionar. Tirando o Start&Stop, claro.

Tirando o Start&Stop, nada parou de funcionar, o que é bom (Foto: Lucca Mendonça)

A multimídia de 10”, que mais parece instalada em lojas de acessórios automotivos, tem até Spotify integrado, mas está mais “cansada” e lenta no funcionamento, como acontece com qualquer dispositivo eletrônico. Já o sistema de som com seis alto-falantes e até uma espécie de subwoofer, se bem ajustado, parece até assinado por alguma grife.

Preço e afins

Bancos em couro e teto-solar, por exemplo, só são de série nesse carro mais caro (Foto: Lucca Mendonça)

Se você gostou desse crossover da JAC, vai precisar tirar R$114 mil do bolso e ir em uma das 13 concessionárias da marca no Brasil. Existe também uma versão de R$111 mil com menos conteúdo, lógico. E, pra te deixar mais tranquilo, o T40 Plus tem garantia de seis anos sem limite de quilometragem, uma das maiores do mercado.

Ficha técnica:

Concepção de motor: 1.590 cm³, gasolina, quatro cilindros, 16 válvulas (quatro por cilindro), aspiração natural, injeção indireta de combustível, duplo comando de válvulas, variador de fase na admissão e escape, bloco e cabeçote fundidos em alumínio
Transmissão: automática do tipo CVT, com simulação de seis marchas e opção de trocas manuais
Potência: 138 cv a 6.000 rpm
Torque: 17,1 mkgf a 4.000 rpm
Suspensão dianteira: independente, do tipo McPherson, com barra estabilizadora
Suspensão traseira: eixo de torção com molas helicoidais
Direção: com assistência elétrica progressiva
Freios: discos ventilados na dianteira e discos sólidos na traseira
Pneus e rodas: Wanli Harmonic H220, medidas 205/55. Rodas de liga-leve aro 16
Dimensões (comprimento/largura/altura/entre-eixos): 4,13 m/1,75 m/1,57 m/2,49 m
Porta-malas: 450 litros
Tanque de combustível: 42 litros
Peso em ordem de marcha: 1.155 kg
Aceleração 0 a 100 km/h: 11,1 segundos (dados oficiais)
Velocidade máxima: 190 km/h (dados oficiais)
Preço básico: R$110.990 (carro avaliado: R$113.990)

Itens de série:

Airbag duplo frontal, Barras de proteção lateral nas portas, Aviso de cinto não acoplado (piloto e copiloto), Chave canivete com destravamento remoto das portas e porta-malas, Travas elétricas, Imobilizador, Alarme antifurto, Travamento automático das portas à 15 km/h, Freios ABS com EBD, BOS, ESP, TCS, HSA, BAS, TPMS, Sensor de estacionamento (dianteiro e traseiro), Luzes diurnas de LED, Piloto Automático, Espelhos Retrovisores elétricos, Faróis com regulagem elétrica de altura, Faróis com acendimento automático, Luzes de neblina (dianteiras e traseiras), Luzes de conversão Estática, Sistema Start-Stop, Bancos em couro ecológico, Saída USB na segunda fileira, Teto solar, Ar condicionado Automático Digital, Vidros Elétricos, multimídia com tela de 10” e conexões Android Auto/Apple CarPlay, Câmera panorâmica 360º, Apoio de braço dianteiro, Rodas diamantadas aro 16

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Tem 20 anos, cursa Publicidade e Propaganda, é filho do jornalista Douglas Mendonça, e desde que se conhece por gente, convive com carros e está envolvido no mundo automobilístico. Aprendeu a ler nas revistas automotivas, cresceu frequentando oficinas, corridas, encontros e eventos com o pai, e daí veio sua maior paixão: os carros. Lucca se tornou o braço direito do pai após sua perda de visão em 2012, ajudando na produção de matérias, reportagens, avaliações e textos. No Carros & Garagem, é responsável pela cobertura de eventos de lançamento de novos veículos, e produz avaliações, fotos e comparativos de modelos.