(Avaliação) Mercedes C 200 EQ Boost: a Classe muito econômica

Unir o luxo, requinte e conforto de um Mercedes-Benz com as médias de consumo de um Renault Kwid. Pode parecer uma ilusão, mas é exatamente essa a proposta do C 200 EQ Boost, que custa R$280 mil. Esse sedan intermediário germano-brasileiro, produzido em Iracemápolis, no interior de São Paulo, usa uma tecnologia praticamente inédita no mercado nacional: ele não é movido totalmente a combustão, e nem é um legítimo híbrido, mas sim uma espécie de semi-híbrido. A própria Mercedes não classifica essa C 200 como híbrida, mas sim como um “veículo EQ Boost” (EQ sigla para Inteligência Elétrica, enquanto o Boost se refere ao propulsor, ou seja, algo como Motor com Inteligência Elétrica).

Esse sistema, bastante tecnológico, tem um funcionamento relativamente simples: além da rede elétrica convencional de 12 volts, presente em qualquer carro comum, a C 200 EQ Boost possui um sistema adicional de 48 volts, além do BSG, que é a unificação do motor de arranque com o alternador (ligados por uma correia). Esse conjunto, que rende 14 cv e cerca de 16,3 mkgf de torque, é o responsável pela partida do motor a combustão, além de sempre auxiliá-lo durante a condução.

Com toda essa tecnologia, é possível, por exemplo, rodar com o propulsor convencional desligado em algumas situações: nas rodovias, em trechos planos ou descidas, por exemplo, o sistema entende que o carro pode manter sua velocidade apenas com a inércia e algum impulso do motor elétrico, desativando por completo o motor a combustão. Ele, inclusive, é um 1.5 16V Turbo movido somente a gasolina, que conta com injeção direta e é feito totalmente em alumínio, entregando excelentes 183 cv de potência com 28,6 mkgf de torque, disponíveis entre 3 e 4 mil giros. A transmissão automática, com 9 marchas, casa muitíssimo bem com a proposta do modelo: relações bastante curtas para evitar as altas rotações do motor, trocas suaves e reduções rápidas, sempre que necessário.

Sozinho, o 1.5 Turbo já consegue mover com bastante ânimo o C 200 e seus mais de 1.500 kg dessa configuração “semi-híbrida”, mas os complementos elétricos dão uma boa ajuda. Na prática, segundo dados da Mercedes-Benz, o teste do 0 a 100 km/h é feito em 7,7 segundos, chegando aos 240 km/h de velocidade máxima, que é limitada por um sistema eletrônico.

Esse 1.5 Turbo já dá muito bem conta do recado na C 200 EQ Boost (foto: Lucca Mendonça)

E tudo isso é feito pensando no meio ambiente, e, claro, no bolso do motorista: esse sedan médio polui pouco, e gasta menos ainda. Para se ter uma ideia, rodando suavemente no trecho rodoviário a cerca de 100 km/h, o computador de bordo acusava excelentes marcas entre 18,0 e 19,0 km/l de gasolina. Na cidade os números foram mais comedidos, ficando na casa dos 11 km/l. Essas médias, claro, foram obtidas no modo de condução ECO. Pra fechar com chave de ouro, o tanque de combustível comporta ótimos 66 litros, ou seja, ao completar o reservatório, você até esquece dos postos de combustíveis. E aí, o consumo é ou não de um subcompacto popular?

Pois é, gasta combustível como um carrinho pequeno, mas tem os méritos de conforto e espaço interno de um sedan médio. São 4,68 m de comprimento, 1,81 m de largura e 1,44 m de altura, ou seja, um pouco maior que um Toyota Corolla atual. O diferencial fica por conta dos imensos 2,84 m de distância entre-eixos. Espaço interno ele têm de sobra, comportando até 5 adultos sem aperto para ombros, cabeça ou joelhos. Quem vai atrás, apesar de ter o conforto das saídas de ar-condicionado traseiras, sofre apenas com o túnel central alto, que atrapalha na acomodação das pernas, e também no entra e sai do carro. O porta-malas, que possui abertura e fechamento elétricos, comporta até 435 litros, ficando na média da categoria.

A posição de dirigir é baixa e todos os comandos ficam a mão do condutor, como se espera de um Mercedes. Bonito, fácil de operar e objetivo, o painel de instrumentos digital com 12,3” é o oposto da central multimídia, que, apesar de grande, não é touchscreen (uma mancada e tanto nos dias de hoje), e também bastante confusa, dificultando a operação pelos botões no console central. Além disso, o sistema de som, apesar da excelente qualidade, poderia ser assinado, considerando o preço dessa versão. Fora isso, o conforto e a dirigibilidade são dignos de um sedan alemão de luxo, em que pese os pneus do tipo run-flat, que podem rodar vazios por um tempo, e são famosos pela rigidez estrutural e aspereza. Mesmo assim, nada disso compromete o rodar macio do C 200. Um legítimo Benz.

Itens de série também são muitos: desde ar-condicionado automático digital de duas zonas, chave presencial para destravamento das portas e partida do motor, seletor de modos de condução, bancos dianteiros com ajustes elétricos e memória de posição, sensores de chuva e crepuscular, teto-solar panorâmico, conjunto óptico FULL-Led (faróis baixo e alto, lanternas traseiras, luzes de neblina etc.), espelho retrovisor interno fotocrômico, 7 airbags (dois dianteiros, dois laterais, dois de cortina e um de joelhos para o motorista), rodas de liga-leve aro 17, além do pacote completo de assistência de direção (alerta de colisão, frenagem autônoma, monitor de ponto-cego, alerta de saída de faixa ativo, detector de fadiga do condutor e Park Assist).

O painel de instrumentos digital é bonito e fácil de operar, já a multimídia deixa a desejar (foto: Lucca Mendonça)

Mas tudo tem um “porém”: essa Classe C, da geração W205, saiu de linha! Pelo menos teoricamente. Explico: na realidade, ela era produzida na planta de Iracemápolis, no interior de São Paulo, mas essa fábrica paulista teve suas operações encerradas definitivamente em dezembro de 2020. Assim, todos os modelos que eram feitos lá passaram a ser importados novamente. No caso desse Classe C W205, o buraco é mais embaixo: lançado em 2014, ele já ganhou um sucessor no mercado internacional, o Classe C geração W206, que foi renovado por completo e apresentado no exterior em fevereiro de 2021. Por enquanto, as previsões é que esse Classe C 2022 chegue ao Brasil somente no ano que vem, já como linha 2023.

Ou seja, com o encerramento da produção nacional da geração W205, teremos que esperar a W206 para termos um novo Classe C no mercado nacional. Enquanto isso, o modelo sobrevive no Brasil com o estoque feito antes da fábrica de Iracemápolis fechar, que deve durar mais um tempinho. Lembrando que isso vale para toda a linha C da Mercedes por aqui, incluindo essa C 200 EQ Boost avaliada.

Vale a compra?

Os R$279.900 que ele custa são salgados, isso é inegável. Mas, nos dias atuais, onde não só os carros, mas tudo está com os preços em alta, esse sedan premium pode ser uma boa opção. A tecnologia EQ Boost é um show a parte, sem nenhum concorrente direto no mercado nacional (o único que se aproxima é o BMW Série 3 híbrido, que sai por R$330 mil, bem mais caro que esse Classe C), e a qualidade de um Mercedes-Benz é indiscutível. Além disso tudo, como o modelo foi descontinuado, é possível dar aquela famosa “chorada” na hora da compra, conseguindo um desconto bacana e deixando o negócio bem mais interessante!

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