A nova gasolina dispensa o uso da aditivada? Descubra aqui

O lançamento de nossa nova gasolina certamente trará aumentos no desempenho do carro, tanto no quesito consumo quanto na performance, além de facilitar a partida a frio e melhorar as retomadas de velocidade. Em que pese um ligeiro aumento de valor no novo combustível, o resultado final deverá ser satisfatório para o carro e também para o bolso do motorista, afinal de contas, com essas mudanças, fala-se até de uma melhora de 6% no consumo e, claro, consumindo menos, é sinal que o motor estará aproveitando positivamente aquela gasolina queimada dentro das câmaras de combustão. Esse fato resulta também em menores índices de poluição atmosférica, fator também muito positivo.

Mas essas mudanças trazem também algumas dúvidas no cuidado da manutenção. Uma delas é a de que esse novo combustível dispensa a gasolina aditivada: Pois bem, são dois assuntos completamente diferentes, não comparáveis entre si. A nova gasolina comum, quando comparada à anterior, tem características físico/químicas distintas, pois a nova tem densidade padronizada, ou seja, em cada litro de combustível tem-se exatamente a mesma quantidade de energia. Popularmente falando, é como compararmos um leite aguado do Tipo C com outro integral do Tipo A: ambos são leite, mas o do Tipo A tem muito mais energia e gordura na sua composição do que o Tipo C, vendido mais barato e muito menos energético.

Na nova gasolina, a densidade é maior (715 gramas/litro), enquanto na anterior esse parâmetro sequer era considerado: você poderia comprar um combustível “aguado” em um posto, ou um mais “grosso” e energético em outro. Claro que, para o desempenho do motor, a gasolina mais encorpada tem muito mais energia, melhorando o desempenho em todos os sentidos. Além disso, o combustível novo tem uma curva de destilação mais apropriada, fato que altera diretamente a volatilidade do combustível, melhorando a partida a frio e até o desempenho dos carros com injeção direta quando quente.

Finalmente, a nova gasolina foi padronizada em sua octanagem, melhorando o desempenho dos motores de projeto mais moderno, principalmente aqueles equipados com turbocompressor. Nesses casos, o sistema eletrônico de injeção e ignição comandam a pressão da turbina, tornando-a sempre a mais alta possível, acarretando uma curva de torque do carro melhor. Mas e a tal gasolina aditivada, onde entra nessa história? Ela nada mais é do que uma gasolina comum acrescida de aditivos antioxidante, anticorrosivo, detergentes e dispersantes. Essa aditivação química evita desgastes prematuros dos componentes do sistema de alimentação dos propulsores, principalmente bomba e válvulas injetoras, além de evitar a carbonização excessiva das válvulas tanto de admissão quanto de escapamento.

É claro que esses efeitos positivos só são sentidos em utilizações contínuas e duradouras. Por isso, não adianta usar a aditivada “de vez em quando” e pensar que, com isso, se manterão limpos o tanque, bomba, tubulações e válvulas. É preciso uso contínuo, e por tudo que foi dito, fica claro que só a nova gasolina não vai resolver o problema e manter o sistema de alimentação limpo: para isso, será preciso usar a nova gasolina aditivada, que cumprirá bem esse papel.

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Douglas Mendonça
Jornalista na área automobilística há 45 anos, trabalhou na revista Quatro Rodas por 10 anos e na Revista Motor Show por 24 anos, de onde foi diretor de redação de 2007 até 2016. Formado em comunicação na Faculdade Cásper Líbero, estudou três anos de engenharia mecânica na Faculdade de Engenharia Industrial (FEI) e no Instituto de Ensino de Engenharia Paulista (IEEP). Como piloto, venceu a Mil Milhas Brasileiras em 1983 e os Mil Quilômetros de Brasília em 2004, além de ter participado em competições de várias categorias do automobilismo brasileiro. Tem 64 anos, é casado e tem três filhos homens, de 17, 28 e 31 anos.
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