Jeep CJ-3B completa 70 anos e foi pioneiro mundial

Lendário e robusto, o Jeep CJ-3B fez aniversário de 70 anos de lançamento agora em janeiro de 2023. Sua estreia, em 28 de janeiro de 1953, foi nos EUA, entrando no lugar do CJ-3A. Apelidado de “High Hood” (Capô Alto), ou até “Cara de Cavalo” por aqui, ele tinha como característica um design menos harmonioso que o esperado, com frente elevada na carroceria antiga. O nome CJ, utilizado nos veículos da marca na época, era a sigla para “Civilian Jeep”, ou Jeep Civil.

Frente mais alta não era solução estética, mas sim técnica (Foto: Willys-Overland/divulgação)

O motivo não era visual, mas sim técnico: para substituir o antigo propulsor 2.2 L134 “Go Devil” pelo “Huricane”, que na verdade tinha o mesmo bloco com seus 2.2 litros e apenas novo cabeçote, foi preciso aumentar o habitáculo do motor para cima, acomodando assim o trem de força não inédito, mas renovado. Potência e torque aumentaram significativamente, cerca de 15 cv (eram 76 no Hurricane), mas com peso de linhas dianteiras não tão agradáveis.

Motor 2.2 ganhava novo cabeçote, maior, o que pedia uma frente mais alta (Foto: WIllys-Overland/divulgação)

Justamente pelo design, ele vendeu pouco nos EUA mas comemorou por ser o primeiro veículo global. Assim acabou vindo parar não só no Brasil, como também Espanha, França, Turquia, Índia, Japão etc. Em cada um desses países, foi montado ou fabricado por empresas locais. Em terras tupiniquins, nascia a partir da Willys-Overland, em São Bernardo do Campo (SP), o chamado Jeep Willys. Foi ele, inclusive, que iniciou as operações daquela fábrica em 1954, na montagem de seus componentes vindos dos EUA no esquema CKD.

CJ-3B iniciou as operações da planta Willys-Overland do Brasil, ainda montado em CKD (Foto: Willys-Overland/divulgação)

Menos de um ano depois já comemoravam 6 mil unidades montadas, nessa altura do campeonato com certa dose de nacionalização. Em um mercado automotivo ainda em marcha lenta no Brasil, era um marco bem especial. Enquanto isso, nos EUA, o famoso CJ-5, um dos Jeep mais vendidos e lendários da história, que era sucessor do CJ-3B, já estava em produção desde o final de 1954.

Em alguns meses, já haviam montado mais de 6 mil carros (Foto: Willys-Overland/divulgação)

Os dois conviveram por lá, já que o 3B se manteve como carro de entrada até 1968, mas não por aqui: a Willys-Overland, com estrutura menor, optou por encerrar a produção do CJ-3B no final de 1955, começando a fazer o CJ-5, mais atual e 40% nacionalizado.

O CJ-3B conviveu com seu sucessor CJ-5 nos EUA, mas não no Brasil. Aqui, um CJ-5 já da fase Ford-Willys, do final dos anos 70 (Foto: Ford-Willys/divulgação)

Mas o High Hood não deixou o Brasil completamente. Sua variante militar, a M606 feita pela Kaiser-Jeep, continuou desembarcando por aqui para servir às Forças Armadas até praticamente seu fim de linha nos EUA, no final dos anos 60. Um dos destaques do “Cara de Cavalo” era seu lado multiuso: servia desde carro de passeio, veículo de trabalho, uso militar e, em casos especiais, como tratores adaptados em áreas rurais e fazendas. E toda essa maleabilidade lhe rendeu vários irmãos-gêmeos mundo afora. Veja alguns:

Mahindra (Índia)

Foto: Mahindra/divulgação

Tuzla (Turquia)

Foto: Tuzla/divulgação

Mitsubishi (Japão)

Foto: Mitsubishi/divulgação

Ebro (Espanha)

Foto: Ebro/divulgação

Hotchkiss (França)

Foto: Hotchkiss/divulgação
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Com 22 anos, está envolvido com o meio automotivo desde que se conhece por gente através do pai, Douglas Mendonça. Trabalha oficialmente com carros desde os 17 anos, tendo começado em 2019, mas bem antes disso já ajudava o pai com matérias e outros trabalhos envolvendo carros, veículos, motores, mecânica e por aí vai. No Carros&Garagem produz as avaliações, notícias, coberturas de lançamentos, novidades, segredos e outros, além de produzir fotos, manter a estética, cuidar da diagramação e ilustração de todo o conteúdo do site.