VW Gol e a real contagem de suas gerações

O Volkswagen Gol é um sucesso incontestável. Lançado em 15 de maio de 1980, vendeu mais de 8.500.000 unidades no Brasil e em alguns países do mundo. Atualmente na terceira geração, comercialmente identificada como a sétima (se contar o número de remodelações), possui o futuro incerto dada a renovação que a Volkswagen vem fazendo em seu portfólio. É sabido que a geração atual deixará de ser comercializada ainda este ano, após 14 anos em produção.

Gol: um sucesso de três gerações mas várias reestilizações (Foto: VW/divulgação)

Curiosamente, as gerações do Gol sempre tiveram intervalo de 14 anos entre elas. A primeira, lançada em 1980 sob a plataforma BX, teve 3 remodelações, sendo 1984 com o lançamento do Gol com motor refrigerado a água para a linha 1985, 1987 e 1990, com a apresentação da linha 1991.

A segunda geração foi lançada em 1994, quando foi apresentada a linha 1995, com a nova plataforma AB-9, uma evolução ante a plataforma BX de antes. Mesmo com o motor ainda disposto na posição longitudinal, tinha mais espaço interno, maior rigidez torcional além de maior conforto, principalmente para os passageiros do banco traseiro.

A nova geração mesmo viria em 1994 com nova plataforma (Foto: VW/divulgação)

Com esta plataforma, o Gol teve mais 2 remodelações, que foram chamadas de nova geração pelo marketing da marca: em 1999, quando foi apresentado o Gol G3 para a linha 2000, e em 2005, quando foi apresentado o Gol G4 para a linha 2006.

Neste ano, 3 modelos foram fabricados, uma vez que de 1999 a 2005, a Volkswagen usava a estratégia de ter como carro de entrada o modelo de geração anterior, sendo representado à ocasião pelo Gol Special, que tinha a carroceria da “geração 2”, enquanto os modelos mais caros tinham a carroceria da “geração 3”, sendo substituídos pela “geração 4”.

Em 2006, três gerações do Gol saíram da fábrica em São Bernardo do Campo (Foto: VW/divulgação)

A terceira e atual geração chegou em 2008, com a apresentação da linha 2009, como o novo Gol. Totalmente reformulado, o carro usava elementos da plataforma PQ-24 do VW Polo lançado em 2002, mas permanecia com o robusto e eficiente conjunto de suspensão traseira desenvolvido em 1980.

Usando a plataforma PQ-24 e elementos da PQ-25, o Novo Gol vinha na linha 2009 (Foto: VW/divulgação)

Passava a ter motor transversal, e mesmo sendo menor por fora, tinha o mesmo e bom espaço interno da geração anterior. A Volkswagen não queria mais usar o termo “geração” para identificar o modelo, mas o mercado logo o batizou de Gol G5.

Em 2012 era apresentado o Gol G6 (nome também dado pelo mercado), apresentado na linha 2013, sem mudanças significativas, mas com novas versões e melhoria do processo construtivo. Em 2016 chegava ao mercado a linha 2017, intitulado pelo mercado como Gol G7.

A chamada linha “G7” vinha como modelo 2017 (Foto: VW/divulgação)

Com o interior e traseira reformulados, tinha novo conteúdo, mas mantinha boa parte da dianteira do G6 (de novo mesmo, só o para-choques), se aproximando dos concorrentes que ofereciam mais conteúdo, principalmente no que tange a conectividade. Ganhava, pela primeira vez, central multimídia, por exemplo.

Novamente o Golzinho estava parelho com a concorrência: multimídia, suporte para celular, painel de instrumentos de Golf, volante de Passat e mais (Foto: VW/divulgação)

Nesta “geração”, o Gol tinha 2 dianteiras, sendo uma para as versões Trendline, Comfortline e Highline com a dianteira de linhas reformuladas em 2016, e outra para a versão aventureira Track, que trazia uma frente mais robusta, com capô mais alto, faróis maiores e design mais limpo. Na prática, o Gol Track tinha a mesma “cara” do então VW Saveiro, que começava a ter identidade própria.

A versão Track era a novidade aventureira que substituía a Rallye. Sua frente, enxertada da picape Saveiro, adiantava as linhas da próxima reestilização (Foto: VW/divulgação)

A verdade é que a versão Track acabou adiantando o design atual do Gol, já que sua frente (e do Saveiro) seria adotada no restante da linha a partir de 2018, quando foi apresentada a linha 2019. Simultaneamente também seria lançado o Gol mais completo já produzido, e talvez o mais aguardado: o Automático.

Com a excelente transmissão automática de 6 velocidades Aisin aliada ao motor 1.6 16v de 120 cv de potência quando movido a Etanol (110 cv com gasolina) e 16,8 kgfm de torque a 4000 rpm (15,8 mkgf com gasolina), este carro era capaz de chegar aos 185 km/h de velocidade máxima e fazia de 0 a 100 km/h em 10,1 segundos.

Agora sempre com a frente da Saveiro, o Gol contava com opção da transmissão automática (Foto: VW/divulgação)

Trazia vidros elétricos nas quatro portas, computador de bordo, sistema de alarme, travamento das portas e porta-malas com comando remoto, multimídia App-Connect, 4 alto-falantes e 2 tweeters, coluna de direção com ajuste de altura e profundidade, espelhos retrovisores externos com setas integradas e ajustes elétricos, função tilt-down, faróis de neblina, para-sol com espelho iluminado para motorista e passageiro, rodas de liga leve 15″, sensor de estacionamento traseiro, volante multifuncional com comandos do sistema de som, e a estrela: o câmbio automático de 6 velocidades com trocas manuais.

Agora automático, o Gol estava mais completo do que nunca (Foto: Lucca Mendonça)

Com o Novo Polo no portfólio e o mercado em constante evolução com concorrentes trazendo cada vez mais conteúdo, o Gol Automático já chegou obsoleto. Além disso, pelo alto preço, não ele não conseguiu cativar novos compradores, mesmo com os esforços da Volkswagen em esconder a idade do projeto. A pandemia também reduziu ainda mais suas vendas, e o modelo sem pedal da embreagem foi descontinuado no final de 2021, junto com o VW Fox.

O Gol começou 2022 já sem o câmbio automático, e sem nome de versões (Foto: VW/divulgação)

O Gol começou 2022 com dois modelos, sem nome de versões como antes: o 1.0 3 cilindros e o 1.6 8v, ainda equipado com o antigo EA-111. Mas não durou muito tempo assim, já que em março de 2022, graças as novas regras do PROCONVE L7, as versões 1.6 8v saíram de cena, assim como diversos outros modelos obsoletos produzidos no Brasil. Hoje sobrevive apenas o 1.0 3 cilindros, que vem básico mas pode ser equipado com vários opcionais.

Hoje existe só o motor 1.0 12V, e, sem versão, resta ao Gol ter uma enorme lista de opcionais (Foto: Lucca Mendonça)

O Gol tem um nome forte no mercado, os mais de 8 milhões e meio de consumidores não o compraram à toa, mas uma coisa é fato: ele tornou-se antigo e ultrapassado perante os concorrentes, e se quiser continuar no mercado, precisa se renovar.

A Volkswagen ventila o fim definitivo do modelo este ano, inclusive com uma versão de despedida intitulada “Last Edition” e todos os opcionais disponíveis, porém com o motor 1.0 3 cilindros e câmbio manual de 5 velocidades. Mas há quem diga que não será um “adeus”, e sim um “até logo”, pois a VW possui um projeto em desenvolvimento de um novo compacto, com dimensões próximas as de um crossover urbano e usando como base o Fabia, modelo de sua subsidiária Skoda.

O nome Gol talvez sobreviva no futuro crossover derivado do Skoda Fabia (Foto: Skoda/divulgação)

Se o Gol sobreviver, mesmo que seja apenas no nome, terá enfim sua quarta geração e uma vida ainda mais longa. Seguirá para o mesmo caminho, por exemplo, do Golf e do Polo, ambos em linha no exterior desde 1973. Caso o modelo saia de linha, deixará seu legado e uma meta a ser batida: a do veículo mais vendido da história do mercado automotivo brasileiro.

Ainda assim, seu sucessor terá uma missão difícil: bater sua marca como o automóvel mais vendido do mercado brasileiro (Foto: VW/divulgação)
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Neto de jornalista, é formado em gestão de pessoas, tem pós em comunicação empresarial e Marketing digital. É criador dos canais Autos Originais e Auto & Autos, digital influencer e atua há 18 anos com consultoria automotiva, auxiliando pessoas a comprar carros em ótimo estado e de maneira racional. Especializou-se na história dos carros nacionais, principalmente nos modelos populares dos anos 80, 90 e 2000. Apaixonado por carros e viagens, rodou mais de 800mil km nas estradas dos países da America Latina. É também colecionador de miniaturas, emblemas automotivos, revistas automotivas e principalmente de histórias.