Jetta Comfortline 1.4 TSI: Quando um Virtus não é o suficiente

Fabricada no México, essa nova geração do Jetta desembarcou no Brasil em setembro passado, e, digamos, não fez nenhum estrondo (muito pelo contrário, vários fãs do modelo se decepcionaram com a atual geração quando comparada as anteriores). De início, ele chegou apenas com motor 1.4 TSI de 150 cv e câmbio automático tradicional de 6 marchas, deixando de lado o famoso conjunto motor 2.0 TSI (que rendia bons 211 cv e 28,5 mkgf de torque) e câmbio DSG (dupla embreagem). Isso só foi resolvido em junho, com a chegada da versão esportiva GLI, que trouxe de volta essa mecânica em configuração ainda mais picante (230 cv e 35,7 mkgf de torque).

Outro ponto que não rendeu muitos elogio do público foi seu design: apesar de bonito e estiloso, tendo linhas bastante espichadas e aparência de carro maior, ele é muitíssimo parecido com seu irmão menor (e mais barato) Virtus, a ponto de pessoas mais leigas não saberem diferenciar os dois (ao olhar rapidamente lateral e traseira, mesmo conhecendo os dois, realmente não é difícil fazer essa confusão). Formato da carroceria; desenho das portas e janelas; recorte das lanternas; quantidade de equipamentos em comum e interior similar (com linhas horizontais e design limpo): todos pontos bastante parecidos nos dois e que quase fazem dele um Virtus que tomou fermento.

Mas, deixando de lado as comparações entre os dois sedans VW, algumas coisas são destacáveis no Jetta: bom porta-malas (510 litros, mesma capacidade da geração passada), espaço interno de sobra (2,68 m de entre-eixos, boa notícia para pernas e joelhos dos passageiros), excelente dirigibilidade (direção elétrica muito precisa, respostas rápidas do acelerador, carroceria bastante estável e freios eficientes) e baixo consumo de combustível (na estrada, rodando a cerca de 100 km/h, as médias rodearam os 11 km/l de etanol). Mesmo essa versão Comfortline tendo rodas aro 17, os pneus de perfil 55 são borrachudos e o sistema de amortecedores tem regulagem correta e cumprem bem a sua função. O resultado prático disso é maior conforto ao rodar, mesmo nos pisos mais irregulares e esburacados.

Custando R$110 mil sem opcionais, essa versão Comfortline, apesar do conjunto motor/câmbio mais modesto (1.4 TSI e câmbio automático de 6 marchas) e de não ter o mesmo desempenho animador da esportiva GLI, agrada mesmo assim: 8,9 segundos de 0 a 100 km/h e 210 km/h de velocidade máxima (segundo a Volkswagen). Seus principais equipamentos de série são: ar-condicionado digital dual zone; 6 airbags; controles eletrônicos de estabilidade e tração; assistente de partida em rampas; piloto automático; faróis em LED com luz diurna; espelho retrovisor interno eletrocrômico; função cornering light (o farol de neblina se acende na direção que o volante for virado); freio de estacionamento eletrônico; seletor com 4 modos de condução (Normal, Sport, Eco e Individual); sensores de chuva e crepuscular; sensores de estacionamento dianteiros e traseiros; sistema Start&Stop; chave presencial e partida por botão; multimídia 8” com GPS, câmera de ré e conexões Android Auto/Apple CarPlay; e até alguns mimos como iluminação na área dos pés dos passageiros dianteiros e faixas em LED com regulagem de cor nas portas dianteiras e painel. O carro das fotos está equipado com o único opcional disponível: o teto solar, que acrescenta salgados R$5 mil no preço final do carro.

Difícil é explicar a falta de alguns itens bem básicos, que estão presentes até em modelos mais baratos como o Virtus (a semelhança é tanta que fica difícil não voltar com essa comparação): saídas de ar para a segunda fileira, entrada USB para os passageiros traseiros e paddle shifts para trocas de marcha no volante foram totalmente esquecidos pela VW. Além disso, algumas ressalvas desapontam, como o excesso de plástico duro nas portas traseiras e os grandes encostos de cabeça traseiros que dificultam a visibilidade em manobras (eles não são em formato de vírgula como na grande maioria dos carros, e não há nenhum motivo aparente pra isso).

Apesar disso, o Jetta agrada no geral: tem mecânica bem acertada, espaço interno de sobra e lista de equipamentos de série bem recheada. Mas, se for comprar um, dê uma olhadinha antes em um Virtus Highline (olha ele aqui de novo), que tem motor 1.0 TSI com 128 cv e 20,4 mkgf de torque aliado ao mesmo câmbio automático de 6 marchas. Só tem uma diferença: o Virtus Highline, com todos os opcionais, custa cerca de R$91 mil (quase R$25 mil mais barato) e você ainda leva alguns itens que o Jetta não oferece nessa versão, como por exemplo o painel totalmente digital Active Info Display e o sistema de som Beats. Resumindo, o Jetta é para aqueles que querem mais do que um Virtus.

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