(Avaliação) Honda Civic: Tudo que é bom, realmente dura pouco?

O nome do Honda Civic tem tomado bastante espaço na imprensa automotiva há algumas semanas. O motivo? Supostamente ele sairá de linha ano que vem, em 2022, e não deve deixar sucessores. A notícia, que chocou os fãs do modelo, até tem um bom argumento: os sedans médios estão sendo totalmente canibalizados pelos SUVs, e o futuro do segmento de três volumes no mercado nacional não é nem um pouco animador.

Por isso, a Honda iria preferir investir na nova geração do utilitário HR-V, que chega por aqui também em 2022, ao invés de nacionalizar a totalmente nova geração 11 do Civic, que foi lançada recentemente no exterior. Sentido até tem, mas será que uma estratégia tão revolucionária assim daria certo? Isso só o tempo vai dizer.

Pra quem não sabe, o Civic tem praticamente 50 anos de história (foi lançado em 1972 no Japão), e está hoje na sua décima geração, pelo menos aqui no mercado brasileiro. Além disso, é o modelo de maior sucesso da Honda Automóveis no mundo, com mais de 18 milhões de unidades vendidas durante essas quase cinco décadas.

Foto: Lucca Mendonça

No Brasil, sua chegada foi em meados de 1992, quando ainda era importado pela Moto Honda da Amazônia (na época que a fabricante japonesa só produzia motocicletas no país), e sua produção nacional começou em 1997, estreando as linhas de montagem da planta de Sumaré, no interior paulista. Querendo ou não, é um carro com uma trajetória e tanto, considerado por muita gente como um dos modelos mais icônicos da história do automobilismo mundial.

Mas o que será desse bom sedan da Honda no Brasil? Vai realmente se despedir depois de tanto sucesso? Isso não posso garantir, mas os motivos são verdadeiros e a chance de isso acontecer, infelizmente, não é pequena. Independentemente de encontros, despedidas, substituições ou novas gerações, esse Civic 10 ainda é uma excelente opção dentre os sedans médios do mercado nacional, e para provar isso vamos dar uma olhada na versão topo de linha Touring, de R$157.400.

Ela é a única equipada com o excelente e moderno motor 1.5 Turbo movido a gasolina com 173 cv e 22,4 mkgf de torque, o mesmo disponível no HR-V e CR-V (leia a avaliação completa de ambos aqui). O câmbio automático também é o mesmo dos utilitários: do tipo CVT simulando 7 marchas, com direito a paddle-shifts para quem quer driblar algumas “lerdezas” da transmissão continuamente variável.

Seu motor 1.5 turbo é moderno e tecnológico (foto: Lucca Mendonça)

Como esse motor é repleto de recursos modernos (injeção direta de combustível, duplo comando de válvulas variável e turbocompressor, por exemplo), ele une o melhor de dois mundos: entrega um ótimo desempenho em todas as situações, além de ser muito econômico. Falando em números, esse Civic cumpre a prova do 0 a 100 km/h em pouco menos de 8 segundos e supera os 200 km/h de velocidade final, e, em nossos testes, ele registrou médias de 13,8 km/l de gasolina na cidade e 17,7 km/l na estrada, também com gasolina. Sem dúvida, índices de consumo tão baixos em um sedan médio de mais de 1.300 kg só são possíveis graças às tecnologias mecânicas atuais.

Além disso, o médio da Honda é um dos poucos do segmento com suspensões independentes nas quatro rodas e tipo multilink na traseira. Esse conjunto, além de mais refinado, oferece maior conforto ao rodar e, principalmente, garante uma dirigibilidade ímpar, com destaque para a estabilidade no contorno de curvas rápidas e desvios bruscos de trajetória. O carro fica mais na mão, sem muitas surpresas mesmo nas situações críticas. O rodar dele é suave e silencioso, digno de um carro de luxo, e esse conjunto construtivo só se faz melhorar no resultado final.

O visual dessa geração 10 ainda é um ponto forte: ele chama atenção, e, mesmo depois de quase cinco anos, ainda é moderno e até ousado. A reestilização que ele sofreu na linha 2020 deixou de lado coisas como as rodas diamantadas (trocadas por esse conjunto cinza bem insosso do carro das fotos), maçanetas cromadas e vários outros detalhes prateados, o que fez ele perder uma parte do seu charme, mas mesmo assim ainda agrada.

Essa décima geração ainda tem o design como seu ponto forte (foto: Lucca Mendonça)

A traseira estilo fastback prejudica a abertura do bom porta-malas de 517 litros, que é pequena e dificulta a entrada de objetos maiores. Em matéria de espaço interno ele também merece elogios, acomodando com conforto até 5 adultos sem muito aperto, e os bons 2,70 m de entre-eixos garantem um bom vão entre os bancos dianteiros e traseiro. Quem vai atrás ainda tem saídas de ar-condicionado e apoio de braço central, tudo para garantir o máximo de conforto para os ocupantes.

Nessa Touring, a mais completa, se destacam equipamentos como o conjunto óptico full-LED (faróis, luzes de neblina e lanternas), sistema Honda LaneWatch, sensores de chuva e crepuscular, retrovisor interno fotocrômico, teto-solar, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, banco do motorista com ajustes elétricos, ar-condicionado automático digital dual-zone, chave presencial para destravamento das portas e partida do motor, painel de instrumentos digital de 7”, 6 airbags (dois frontais, dois laterais e dois de cortina), rodas de liga-leve aro 17, entre outros.

Foto: Lucca Mendonça

Mesmo tendo algumas “mancadinhas” aqui e ali, o Civic ainda é um produto pra lá de consagrado, muito bem acertado em praticamente todos os sentidos. É um carro tradicional, com quase meio século de mercado mundo afora, e uma fórmula mais que comprovada para o sucesso. A quantidade de Civic que se vê nas ruas, não só dessa décima geração, mas de todas as anteriores, fala por si só.

Se os planos da Honda no Brasil realmente envolverem a morte do Civic, será uma grande perda para o mercado automotivo nacional, mesmo que em seu lugar fique o novo HR-V, que promete fazer um sucesso tão grande quanto o da geração atual. Querendo ou não, é mais um modelo que sai de linha para dar lugar a um utilitário. Coisas do mundo moderno.

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Tem 20 anos, atualmente cursa Publicidade e Propaganda na Universidade Paulista, é filho do jornalista Douglas Mendonça, e desde que se conhece por gente, convive com carros e está envolvido no mundo automobilístico. Aprendeu a ler nas revistas automotivas, cresceu frequentando oficinas, corridas, encontros e eventos com o pai, e daí veio sua maior paixão: os carros. Um gearhead legítimo, Lucca se tornou o braço direito do pai após sua perda de visão em 2012, ajudando na produção de matérias, reportagens, avaliações e textos sobre carros. No Carros & Garagem, é responsável pela cobertura de eventos de lançamento de novos veículos, e produz avaliações, fotos e comparativos de modelos. Os carros estão até nos seus hobbies: Possui um acervo com mais de 300 manuais do proprietário de veículos diversos, incluindo antigos e modernos, além de colecionar revistas, folders, catálogos, e vários outros materiais automotivos.