VW Polo GTS fora de linha marca o fim dos “hot hatches” no mercado brasileiro

As especulações sobre o fim de linha do VW Polo GTS foram confirmadas nos últimos dias: de fato, o esportivo não é mais produzido, e seus estoques praticamente já esgotaram. Tanto que a versão já até saiu do configurador do site da marca. “Pendurou as chuteiras”, como dizem por aí. Mas seu fim de produção vai muito além da perda de um belo hatch esportivo: agora, oficialmente, não temos mais nenhum “hot hatch” nacional em linha, e esse espaço…pasmem…foi tomado também pelos SUVs.
Explico: oficialmente, quem tomará o lugar do Polo GTS é o Nivus GTS, que chega em breve com a mesmíssima configuração mecânica, muitos equipamentos em comum, mas na carroceria SUV coupé. Outro bom exemplo é seu arquirrival Fiat Pulse Abarth, exatamente nos mesmos moldes, incluindo a carroceria de utilitário pequeno. E, se a demanda dos rivais for interessante, nada impede que a Renault entre também nessa dança com um possível Kardian Alpine, sucedendo após alguns anos o Sandero R.S. Em todos os casos, os SUVs esportivos sobressaem os hatches apimentados. E a preferência é do consumidor.
Lançado no Brasil no comecinho de 2020, o VW Polo GTS se despede agora, pouco mais de cinco anos e dois meses de mercado depois. Na época da estreia, tinha junto dele o sedan Virtus GTS, igualmente esportivo, que hoje tomou um rumo mais formal e foi rebatizado para “Virtus Exclusive”. O hatch Polo mantinha o nome original, e também o pique de hot-hatch, que tanto remetia a antepassados como Passat TS (depois GTS Pointer), além dos memoráveis Gol GTS e GTI. Saindo da linha VW, impossível esquecer de Chevrolet Kadett GS/GSI, Fiat Uno 1.5R/1.6R e Fiat Uno Turbo, todos “hot hatches” memoráveis.
Segundo a VW, a versão GTS correspondia a cerca de 4% das vendas de toda a linha Polo, porcentagem esperada para um modelo de maior nicho e preço elevado. A marca alemã preferiu não entrar em detalhes sobre quantas unidades do modelo produziu oficialmente, mas dados do DENATRAN acusam cerca de 6.930 exemplares emplacadas até janeiro de 2025.
Todas traziam o mesmo powertrain: motor 1.4 16v turboflex, mais conhecido como 250 TSI, acoplado ao câmbio automático Aisin de seis marchas AQ250-F. Original e sem preparações, que inúmeros proprietários acabavam fazendo após a compra, o hatch rendia bons 150 cv de potência com 25,5 mkgf de torque, força de sobra para mover seu “corpinho” de aproximadamente 1.200 kg.
Pela ficha técnica, 8,3 segundos para acelerar de 0 a 100 km/h, e, pelo bom coeficiente de arrasto e interessante potência, integrava o “Clube dos 200” com velocidade máxima de 206 km/h. Na época da estreia, brigava diretamente com o Renault Sandero R.S. e seu veterano motor 2.0 16v naturalmente aspirado, que operava junto de uma caixa manual de seis velocidades. O Renault deixou as linhas de produção no final de 2021, sendo nosso penúltimo hot hatch nacional. Antes dele e do Polo, ainda tivemos o Peugeot 208 GT de primeira geração, movido pelo motor 1.6 turboflex (THP) e com câmbio de seis marchas manuais. Esse durou pouco.

Mas, voltando ao (agora aposentado) Polo GTS: era rápido e ágil nas manobras em alta velocidade, graças a uma recalibração completa de suspensões (endurecidas, porém não rebaixadas), direção (mais precisa e responsiva) e freios (a disco nas quatro rodas). Posteriormente, na linha 2021, ainda veio um novo jogo de rodas opcional, com acabamento diamantado e aro 18 (17” de série), com o mesmo desenho que ele seguiu até seu fim de linha. Apesar do sistema de escapamento refeito, ele recorria à uma caixa de ressonância próxima do parabrisas, que simulava um ronco mais nervoso do que o real. No uso diário, caía bem.
Além disso, depois da reestilização sofrida em janeiro de 2021, quando o GTS adotou as linhas atualizadas dos demais Polo, veio um equipamento exclusivo e interessante, importado da Europa: faróis de LED, interligados por uma barra iluminada que acompanhava a grade frontal, com tecnologia de facho matricial. É aquela que, com a ajuda do sistema de comutação automática de luz alta, identifica veículos à frente (no sentido contrário ou não) e “apaga” pontos de LED que estejam em sua direção, para não ofuscar outros condutores. Tecnologia de Volvo’s e Audi’s mais caros, que acabou indo parar no hatch esportivo.
Agora, tudo isso vira passado. Ao menos por enquanto, afinal o Nivus GTS vem aí, possivelmente ainda nesse primeiro semestre, e poderá trazer isso e mais um pouco. No aguardo. Mas, de qualquer forma, o Polo GTS foi o último exemplar de uma espécie em extinção: hatches esportivos nacionais. Vai um SUV compacto esportivo aí? Se não quiser, será preciso partir para o mercado de usados para buscar um hot hatch que já saiu de linha…























