Te conheço, mas com outro nome (parte 2)

Dando sequência na série “Te conheço, mas com outro nome”, onde conto sobre alguns carros que possuem vários nomes em diferentes países, vamos agora para a segunda parte, a final. Depois de GM, Fiat, Renault, Nissan, Honda e outros, chegou a vez dos VW e Ford, que merecem um texto exclusivo para seus diversos modelos “renomeados”.

VW Gol

Gol era Pointer no México e Rússia (Foto: VW/divulgação)

O Volkswagen nacional mais vendido do Brasil e mais exportado para o mundo se chamou Pointer em muitos mercados, como o mexicano ou russo. Atualmente ele ainda é enviado para diversos países mundo afora, mas na maioria deles mantém o nome original: VW Gol.

VW Voyage e Parati

Já o sedan Voyage era o Gacel em alguns países Latino-Americanos (Foto: VW/divulgação)

Exportados desde 1983, o Voyage foi VW Gacel (posteriormente Senda) ou Amazon em alguns países da América do Sul, Gol Sedan no México, além de VW Fox na América do Norte (EUA e Canadá) e regiões do Oriente Médio entre 1987 e 1993. O Parati foi VW Fox Wagon nas terras do Tio Sam, Pointer Station Wagon em alguns mercados da América Central e Gol Country na Argentina.

O Parati, ou, na Gol Country na Argentina (Foto: VW/divulgação)

VW Fox

Também conhecido como Lupo em alguns países, o nosso Fox chegou a ser exportado para a Europa (Foto: VW/divulgação)

Exportado para a Europa e América Latina de 2004 a 2011, fora do Brasil era chamado de Lupo ou até mesmo Fox, dependendo do país. Também esteve no México com esse nome, mas por um grande motivo: não ser propaganda política do então presidente do país, Vicente Fox. Todos os Fox exportados eram fabricados na planta-matriz de São Bernardo do Campo (SP), enquanto os veículos destinados ao mercado interno saíam de São José dos Pinhais (PR).

VW SpaceFox

Sempre renomeando carros brasileiros, os países vizinhos tinham o SpaceFox como Suran (Foto: VW/divulgação)

Para mercados do Chile, Uruguai e Argentina, foi vendido como VW Suran. Já no México, foi chamado de Volkswagen SportVan, enquanto na distante Argélia recebia o nome de VW Fox Plus. Foi vendido em todos estes mercados de 2006 a 2019.

VW up!

O pequeno up! tinha roupagem da Seat ou Skoda, como o Citigo da foto (Foto: Skoda/divulgação)

Lançado em 2011 no mundo e 2013 no Brasil, o então eleito melhor compacto nacional sobrevive no exterior em sua variação elétrica, o VW E-up!. Foi vendido também por outras marcas do grupo VW, como Skoda (Citigo) e Seat (Mii).

VW Polo

Chegou no Brasil em 1997 na terceira geração e só com carroceria sedan, importado da Argentina como Polo Classic, e começou a ser fabricado em nosso país apenas em 2002, já em nova geração. Vendido desde 1974 mundo afora, em outros países foi VW Polo G40, VW Derby e VW Polo Vivo, além de receber irmãos-gêmeos de outras marcas do grupo, como por exemplo Seat (Ibiza para o hatch e Cordoba para o sedan).

Em países emergentes, o Polo era também conhecido como Polo Vivo (Foto: VW/divulgação)

Hoje, em sua sexta geração no mundo (segunda no Brasil), é considerado um dos carros mais modernos e mais seguros do mundo, e deve substituir a versão de entrada do VW Gol nos próximos anos.

VW Golf

Carro mais vendido da VW no mundo, foi lançado na Europa em 1974. Chegou no Brasil apenas na terceira geração e importado, em 1994. Seu nome original tem de origem um vento: Gulf Stream (corrente do Golfo), uma corrente marítima rápida e quente do Oceano Atlântico que tem origem no Golfo do México e chega à Europa. Nos EUA, os primeiros modelos foram vendidos como VW Rabbit, e, no México, como VW Caribe.

Já o tradicional Golf era batizado como Caribe no mercado mexicano (Foto: VW/divulgação)

Sua primeira geração também durou bastante tempo na África do Sul, onde foi fabricada de 1984 até 2009 e era chamado de CitiGolf (assim mesmo, tudo junto). A geração chamada MK4,5, vendida por aqui entre 2006 e 2013, foi exportada para o Canadá com o nome de City Golf. Enquanto isso, na China, ela também estava presente, mas com a mesma frente do Bora 2007. Não por acaso, seu nome no país asiático era…VW Bora.

A primeira geração do hatch médio da VW durou até 2009 na África do Sul, onde era o CitiGolf (Foto: VW/divulgação)

VW Fusca

O primeiro Fusca é um dos carros mais globais da história do automóvel mundial (Foto: VW/divulgação)

Sua estreia nacional foi em 1950 ainda importado, e a partir de 1953 era montado por aqui no regime CKD (“Completely Knocked Down”). A produção brasileira veio em 1959, com 54% de suas peças nacionalizadas. Foi o VW mais vendido daquele tempo, e adotou seu nome popular Fusca como oficial apenas em 1984.

Teve a produção encerrada por aqui em 1986, mas voltou a ser fabricado de 1993 a 1996 (os famosos “Fusca Itamar”). Mais uma vez foi relançado, desta vez importado e totalmente renovado (feito sobre a base do então Golf), como New Beetle em 1998. Por uma terceira e última vez, usou de novo em nosso país o nome Fusca de 2013 a 2019, sua última geração mundial.

Releitura do modelo originário da década de 30, o Fusca retornou ao Brasil em 2012 (Foto: VW/divulgação)

Fora daqui, teve muitos nomes: Bug ou Beetle (usado nos Estados Unidos), Vocho ou Sedán (México), KDF-wagen e depois Käfer (Alemanha, seu país original), Carocha (Portugal), Volla (África do Sul), Coccinelle (Bélgica, França e Haiti), Peta – “tartaruga” (Bolívia), Косτенурка (Kostenurka, “tartaruga”) na Bulgária, Baratinha (Cabo Verde), Weevil (Canadá), Buba (Croácia), Boblen (Bolha) na Dinamarca, Escarabajo ou Pichirilo (Espanha e parte da América Latina), Chrobák (Eslováquia), Hrošč (Eslovênia), Kakalardo (País Basco), Escarabat (Catalunha), Põrnikas (Estônia), Kotseng Kuba (literalmente “Carro Corcunda”), Pagong (tartaruga), Ba-o (tartaruga em Cebuano), Boks (Filipinas), Kuplavolkkari (Bolha) na Finlândia, Σκαθάρι (“Skathári”, besouro) ou Σκαραβαίος (“Skaravéos”, escaravelho) na Grécia, Cucaracha ou Cucarachita (“Barata” e “Baratinha”) na Guatemala, Cucarachita (“Baratinha”) em Honduras, Bogár na Hungria, Kodok (“sapo”) na Indonésia,عقروقة (“Ag-ru-ga”) no Iraque, Bjalla na Islândia, חיפושית (“Hipushit”, Besouro) em Israel, Maggiolino na Itália (também conhecido pelo apelido carinhoso de Maggiolone) e Vabalas na Lituânia.

VW Kombi

Type 2, ou T2, foi um dos nomes da “Velha Senhora” pelo mundo (Foto: VW/divulgação)

Importado no Brasil desde 1950, foi montado em modelo CKD (“Completely Knocked Down”) a partir de 1953 e, a partir de 1957, passou a ser oficialmente produzido no Brasil, com 50% de suas peças nacionalizadas. Saiu de linha em 2013 após 56 anos de produção ininterrupta, ainda na sua primeira geração. O nome “Kombi” (em alemão Kombinationsfahrzeug), quer dizer “veículo combinado” ou “veículo multiuso”. No mundo, também foi chamado de VW Transporter, Type 2 (ou simplesmente T2) e Combi.

VW Santana

Santana também pode ser chamado de Corsar no México (Foto: VW/divulgação)

Chegou no Brasil em 1984, e era a segunda geração do VW Passat alemão. Como o Passat vendia bem no Brasil, foi escolhido o nome utilizado em outros países. Coexistiu com a primeira geração até 1988, ganhou independência em 1991 quando sofreu alterações no projeto original, ganhando inclusive um irmão com logo Ford nos tempos da Autolatina (Versailles). Voltou a coexistir com o Passat de quarta geração a partir de 1994 (importado).

O Santana foi produzido na Alemanha, Espanha, África do Sul, Japão (sob a marca Nissan), Brasil, Nigéria, México, Argentina e China. Teve outros batismos como Corsar no México, Carat na Argentina e Quantum nos EUA (era sim o mesmo nome da station Brasileira). Na China, teve variação no entre eixos e ganhou os nomes de Santana, Santana 2000 e Santana 3000, se mantendo em produção até hoje no país asiático pela Shangai Volkswagen, nas versões sedan, hatch e Cross. Se despediu do mercado brasileiro em 2006, e deve ter sua produção chinesa também encerrada em breve.

Dura até hoje na China, mas deve se aposentar em breve (Foto: VW/divulgação)

Ford Maverick

Durante a crise do petróleo, o Ford Maverick ganhou o clone Mercury Comet (Foto: Mercury/divulgação)

O rival do GM Opala, fabricado pela Ford no Brasil entre 1973 e 1979, também teve seu equivalente feito pela extinta Mercury, que era propriedade da marca do Oval Azul. O Mercury Comet foi fabricado do início dos anos 70 até 1977 nos EUA, e por lá convivia com o irmão-gêmeo Ford Maverick. Ambos cumpriam o papel de sedan de entrada nas suas respectivas marcas, suprindo a necessidade de carros mais econômicos nos tempos da Crise do Petróleo.

Ford Versailles

Também na Argentina, o Ford Versailles virava Galaxy (Foto: Ford/divulgação)

Irmão-gêmeo do Santana, o Versailles nasceu usando a plataforma VW em 1991, e foi vendido na argentina como Ford Galaxy. Saiu de linha por aqui em 1996.

Ford Galaxy

Enquanto isso, na Europa, existia outro Ford Galaxy: Uma minivan familiar que tinha um irmão-gêmeo feito pela VW (Foto: Ford/divulgação)

Além do Versailles vendido na Argentina, Galaxy também é o nome de uma minivan de porte médio-grande da Ford produzido em Portugal na fábrica da AutoEuropa, em Palmela. A Galaxy, inclusive, tinha um clone com a marca da Volkswagen, chamada de Sharan.

Ford Ka

Ka por aqui, Figo na Índia (Foto: Ford/divulgação)

Lançado em 1996 no mundo e em 1997 no Brasil, sempre usou seu nome original. No exterior, chegou a usar a plataforma do Fiat 500 e, na geração seguinte (terceira, de projeto brasileiro) adotou também o nome Ka+ (pronunciado Ka Plus) em sua versão hatch. Por aqui, esse nome batizou a carroceria sedã do modelo até 2018. Também pode ser o Ford Figo na Índia e tem uma versão três-volumes encurtada que atende por Figo Aspire. Saiu de linha no Brasil em 2021 quando a marca fechou suas fábricas.

Nas terras do Taj Mahal, a Ford desenvolveu um Ka Sedan encurtado, chamado de Figo Aspire (Foto: Ford/divulgação)

A lista de carros que trocaram de identidade é grande, muito maior que esta que escrevi, e há casos curiosos de modelos que voltam a adotar os nomes ditos originais com o passar dos anos. Bons exemplos: VW Jetta, que no Brasil virou VW Bora e depois adotou seu nome original, ou Hyundai Tucson, que foi renomeado para IX35 na segunda geração e novamente Tucson na terceira.

Não posso deixar de citar também os carros que trocaram de marca, como o Dodge Polara. Com base no Hillman Avenger GT comercializado na Inglaterra e Estados Unidos, foi lançado no Brasil em 1973 como Dodge 1800, e passou a se chamar Polara a partir de 1976. Saiu de linha em 1981, dois anos depois da compra da Chrysler do Brasil pela VW. Na Argentina, deixou de ser Dodge Polara em 1981 e foi fabricado de 1982 a 1990 como VW 1500.

O Dodge Polara, vendido também no Brasil, mudou de nome para VW 1500 a partir de 1981 (Foto: VW/divulgação)

Quando você for assistir a um filme, ou mesmo viajar para o exterior, tenho a certeza que prestará mais atenção nos carros que ver rodando por aí. Faz anos que faço isso, e achava muito curioso ver os GM Monza Hatch 4 portas (Opel Ascona) na série Mr.Bean quando criança.

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Neto de jornalista, é formado em gestão de pessoas, tem pós em comunicação empresarial e Marketing digital. É criador dos canais Autos Originais e Auto & Autos, digital influencer e atua há 18 anos com consultoria automotiva, auxiliando pessoas a comprar carros em ótimo estado e de maneira racional. Especializou-se na história dos carros nacionais, principalmente nos modelos populares dos anos 80, 90 e 2000. Apaixonado por carros e viagens, rodou mais de 800mil km nas estradas dos países da America Latina. É também colecionador de miniaturas, emblemas automotivos, revistas automotivas e principalmente de histórias.