Renault Niagara vs. Fiat Toro: reinado ameaçado?

A Renault Niagara já foi revelada, e é literalmente uma versão picape do bom SUV médio Boreal. Com ele, compartilha estilo geral da carroceria (especialmente na dianteira), componentes mecânicos (direção, suspensões, freios), motor e transmissão, além da plataforma modular e do interior quase completo, com exceção de detalhes de acabamento e da parte traseira. Fabricada na Argentina e prevista para ser lançada por aqui em novembro, ela vai incomodar Fiat Toro, Chevrolet Montana, Ford Maverick e Ram Rampage. Deve aposentar a Oroch, também.
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E, frente a essas rivais citadas ali em cima, a Renault Niagara ataca com alguns pontos interessantes, provenientes do seu projeto derivado diretamente de um SUV médio (o Boreal). Como a própria marca francesa destaca, ela é uma picape multiuso, que pode servir desde para o lazer ou dia-a-dia, até para trabalho, carregar carga e enfrentar um off-road moderado. As vantagens de boa ergonomia e acabamento mais caprichado devem vir emprestadas do Boreal. Mas, e num rápido comparativo com a Fiat Toro, sua principal rival, onde a Niagara se sobrepõe? Vejamos…
Motorização
A Renault Niagara virá com o conhecido 1.3 turboflex de quatro cilindros, o TCe, com injeção direta e duplo comando variável, que entregará 156/160 cv de potência com 27,5 mkgf de torque. Vale falar que a Fiat Toro também usa um 1.3 turboflex com todas essas tecnologias, só que rendendo até 176 cv com os mesmíssimos 27,5 mkgf. Porém, há importantes diferenças de tecnologia entre as duas…

Na realidade, boa parte das Fiat Toro T270 são híbridas-leves de 48 Volts, naquele sistema em que o motor de arranque é unido ao alternador e compressor do ar-condicionado, gerando um pequeno motor elétrico (15 cv e 4 mkgf de torque) que ajuda o 1.3 turboflex a mover o carro, aproveitando da carga de uma pequena bateria de tração. Com esse sistema, a picape da Fiat fica um pouquinho menos beberrona e poluidora. A Renault Niagara só deve receber uma versão híbrida (mais sofisticada) em 2027.
Por outro lado, ela supera a Fiat Toro no quesito transmissão. Além de oferecer câmbio manual de seis marchas em opções de entrada (indisponível na Toro), suas versões automáticas usam a mesma caixa automatizada de dupla embreagem e seis marchas, banhada à óleo, do Kardian e Boreal. Mais rápida que a Aisin AT6 da Fiat, ela trabalha de forma que haja uma embreagem apenas para marchas pares, e outra para ímpares: passagens ou reduções são feitas com extrema rapidez e agilidade, afinal a marcha seguinte, ou anterior, fica sempre pré-engatada.
Mecânica
Há muito em comum entre Renault Niagara e Fiat Toro quando o assunto é concepção mecânica. Ambas se assemelham à SUVs médios na construção de direção, suspensões e freios, e até compartilham plataformas modulares com veículos de passeio (a SWP 4×4 da Toro é a mesma do Jeep Compass, e a RGMP da Niagara é usada no Boreal). Por essas e outras, as duas trazem suspensões independentes nas quatro rodas, com concepção multilink na traseira e McPherson na frente, além de quatro freios a disco ventilado. Direção elétrica progressiva, também. A tendência, portanto, é que a Renault Niagara seja, assim como a Toro, mais confortável e fácil de dirigir.
Capacidade de carga e reboque
De um lado, a Fiat Toro supera a novata Renault Niagara com facilidade. Do outro, o jogo vira. Na realidade, as Toro T270 podem carregar até 750 kg de carga na caçamba, enquanto a capacidade máxima da Niagara é de 654 kg, uma diferença importante de quase 100 kg a menos. Porém, o modelo da Renault consegue até 710 kg de capacidade de reboque, número muito além dos 400 kg da rival da Fiat. Ambas contam com sistema de freios a disco ventilado nas quatro rodas, o que tende a ajudar na hora de conduzir puxando reboque (há menos fading).
Caçamba
O tamanho da caçamba também importa. Tal qual outras rivais, a Renault Niagara aposta num compartimento mais quadrado, com paredes altas, que, aqui, mede 1 metro de comprimento e 61 cm de altura. A Toro chega nos 1,33 m de comprimento da caçamba, mas ronda os 57 cm de altura. Em litros, falamos de 937 na picape da Fiat, praticamente se igualando aos 938 litros da Renault Niagara. Vale mencionar que a tampa da caçamba da Toro abre em duas partes, para os lados, enquanto a Renault tem abertura convencional, para baixo. São oito pontos de amarração de carga e tomada 12 Volts na Niagara, contra seis pontos da Fiat (sem tomada dedicada).
Equipamentos
Já são vários itens confirmados no pacote das Renault Niagara mais completas, da versão Outsider 4×4: conjunto óptico full-LED, pacote ADAS cheio de funções (ACC, monitores de ponto-cego, leitor de placas de velocidade, assistente de permanência na faixa e afins), bancos dianteiros com ajustes elétricos, multimídia de 10,2 pol. com funções Google (Maps, Play Store, Assistente de Voz e Gemini), instrumentação digital de 10 pol., bancos em couro sintético, ar digital automático dual zone com saídas traseiras, banco traseiro com encosto de inclinação regulável, câmeras 360º, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros freio de mão eletromecânico, iluminação ambiente em LED personalizável, compartimento de 36 litros atrás do banco traseiro, paddle-shifts para trocas de marchas manuais e afins.
Já as Fiat Toro T270 mais completas vem com um pacote semelhante, porém com diferenças pontuais: ela não dispõe de câmera 360º (apenas de ré), das funcionalidades Google na multimídia, de um painel de instrumentos tão grande (são 7 pol.), das luzes ambientes em LED personalizável, das saídas de ar-condicionado traseiras, ou do compartimento atrás do banco traseiro. Também não há a opção de configurar a inclinação do encosto traseiro nela, e seu pacote ADAS vem menos recheado: não tem ACC nem assistente de permanência na faixa, por exemplo.
Preço será decisivo…
A Renault Niagara promete um bom pacote para incomodar as concorrentes mais tradicionais. Porém, seus preços, que seguem em segredo, serão decisivos para isso. Para efeito de comparação, hoje a Fiat Toro varia entre R$ 167,5 mil para a opção mais simples (Endurance), chegando aos quase R$ 240 mil na opção turbodiesel mais cara (Ranch). Na realidade, as principais rivais da Niagara, com motor turboflex T270, não vão além dos R$ 206,5 mil.

























