Renault Logan Zen 1.0: O senhor da racionalidade

Quando chegou por aqui, em julho de 2007, o Logan não se destacava pelo design (que, inclusive, era bastante controverso), nem pelo desempenho, mas sim pelo espaço interno digno de sedan médio: entre-eixos de 2,63 metros e porta-malas com 510 litros, números próximos até mesmo de sedans grandes da época como VW Passat (que possuía entre eixos de 2,70 m) e Ford Fusion (que acomodava 530 litros de bagagem no porta-malas). Lembrando que, assim como hoje em dia, na época o Logan era considerado um sedan compacto.

Com a chegada dessa segunda geração em novembro de 2013, o destacável espaço interno permaneceu sem mudanças, inclusive com os mesmos números de porta-malas e entre-eixos, afinal a plataforma ainda é a de 2007. Mas, se nada mudou em espaço, no design o papo foi outro: com visual totalmente novo, ele se tornou moderno, mas sem ousar nem revolucionar.

Foto: Lucca Mendonça

E nessa reestilização de meia vida, lançada no mês passado, a Renault tratou de deixá-lo mais competitivo com a concorrência, que está cada vez melhor. Mas, apesar da sua evolução com o tempo, o Logan ainda é uma compra muito mais racional do que emocional, principalmente nessas versões mais baratas, como a Zen 1.0 dessa avaliação: nada de visual arrojado, modernidades eletrônicas e acabamento de primeira qualidade, o Logan preza mesmo pelo custo X benefício.

Foto: Lucca Mendonça

Seu motor 1.0 desenvolve 79/82 cv de potência e 10,2/10,5 mkgf de torque (gasolina/etanol), e é ligado a um câmbio manual de 5 marchas. Apesar de não brilhar no desempenho mesmo pesando apenas 1.034 kg, ele compensa no baixo consumo: rodando na estrada a cerca de 100 km/h, as médias ficaram entre 19,0 e 20,0 km/l de gasolina.

No interior, a melhoria mais sentida é o novo volante: muito mais anatômico e bonito que o anterior, ele até chega a disfarçar um pouco o peso da obsoleta assistência eletro-hidráulica com a melhor pegada. No geral, o sistema de direção tem precisão e rapidez nas respostas do comando do volante. As suspensões, em contrapartida, pecam por serem duras demais e terem pouca flexibilidade, em que pese o fato do Logan ser um sedan familiar (e assim, teoricamente confortável).

Foto: Lucca Mendonça

Na matéria de espaço interno ele vai muito bem, como sempre foi: apesar do painel grande, não permitindo que o banco dianteiro seja colocado muito pra frente, ninguém passa por aperto. Além disso, as cabeças dos passageiros ficam longe do teto, e isso vale até para aqueles com mais de 1,90 m de altura. Seu excelente porta-malas, de 510 litros, tem espaço de sobra. O único ponto negativo é que, enquanto os bancos dianteiros ficaram maiores e mais confortáveis, os traseiros continuam com pouca espuma e o formato quase plano do encosto, o que acaba se tornando desconfortável e cansando depois de um tempo.

Foto: Lucca Mendonça

Essa versão Zen 1.0 custa R$53.490 e traz de série ar-condicionado, direção eletro-hidráulica, vidros dianteiros elétricos, travas elétricas, quatro airbags, Isofix, sensores de estacionamento traseiros, comandos de som na coluna de direção, central multimídia de 7” com conexões Android Auto/Apple CarPlay, computador de bordo, rodas de aço com calotas aro 15, luzes diurnas de LED, entre outros. Destaque para seu sistema de som, que recebeu melhorias nessa reestilização: apesar de contar apenas com os quatro alto-falantes das portas, sem tweeters dianteiros como na maioria dos carros atuais, o sistema tem boa qualidade pelo preço e segmento do carro.

Pra quem procura um carro econômico e espaçoso e não se importa muito com design e modernidade, o Logan é uma boa opção. Mas lembre de antes dar uma olhadinha na concorrência: o Nissan Versa, por exemplo, tem os mesmos destaques do Renault (inclusive a mesma mecânica, pela parceria entre as duas montadoras) e custa R$52.090 na versão 1.0 Conforto, que já tem direção com assistência elétrica e ganha vidros elétricos traseiros, mas perde itens como central multimídia, airbags laterais, Isofix e sensores de estacionamento em relação ao Logan. Entre francês e japonês, a escolha pelo mais racional vai do gosto freguês.

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