Ram Dakota, Fiat Titano, e outros exemplos de carros-gêmeos na indústria mundial

Sim, Ram Dakota e Fiat Titano são carros-gêmeos, e eu te explico como. Não é de hoje que a indústria automotiva mundial produz carros distintos sobre uma mesmíssima base, mecânica ou até mesmo estética. O objetivo é claro: economizar na engenharia, fazendo com que modelos semelhantes compartilhem da mesma base e processos produtivos, mas com diferenças estéticas, de acabamento e equipamentos de série, para atender naipes distintos de consumidores. Bom exemplo disso? As atuais Ram Dakota e Fiat Titano, ou então os Ford Versailles/VW Santana e VW Apollo/Ford Verona, na época da Autolatina, lá nos anos 90.
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Desenvolver um carro é caro
Vamos lá: dentro da indústria automotiva, uma parte sensível do projeto de um novo carro está no desenvolvimento de engenharia de toda a mecânica. Toda mesmo: desde uma coluna de direção até as longarinas, passando por motor, câmbio, direção, freios, suspensões e afins. Assim, para que a engenharia crie esses elementos, o investimento é alto, quer seja de dinheiro ou de tempo de cálculos, projetos, estudos. Dá trabalho, e, para evitar ele dobrado, cria-se o chamado rebadge: o termo em inglês define carros iguais, mas com trocas de emblemas ou detalhes estéticos, seja por dentro ou por fora. Vide as picapes médias da Stellantis: são iguais, mas com faróis, grade e parachoque dianteiro distintos, cabines próprias e rodas exclusivas.
Esse movimento é feito para dar personalidade à um carro, para que ele seja um tanto diferente do seu irmão-gêmeo, e possa ocupar outro segmento de mercado. Mais uma vez, vale o exemplo de Ram Dakota e Fiat Titano: a primeira é mais chique, cara e completa, para atingir um público consumidor que busca o requinte da Marca do Bode. Por isso, traz interior exclusivo com acabamento bem mais refinado, e itens de série que a Fiat Titano não dispõe nem em versões mais caras. Essa, por sua vez, é mais despojada, barata e enxuta no pacote de equipamentos, para atingir outro público: fãs de carros da marca italiana, ou mesmo quem busca uma caminhonete média com menos pompa.
Carros-gêmeos podem ser rivais
Há ainda casos em que os modelos competem entre si, como acontecia com os VW Santana e Ford Versailles nos anos 90: ambos sedans médios gêmeos de projeto, que brigavam entre si pelo mesmo público-alvo, faixa de preços e oferta de conteúdo. Por muitas vezes, competem espaço até nas linhas de produção, afinal são feitos num mesmo processo de fabricação, em sequência. As picapes médias da Stellantis são assim: feitas em série na planta de Córdoba, Argentina, com alternância entre Fiat e Ram, de acordo com as demandas.
Prática é mundial
E, não, não é uma prática exclusiva do Brasil: essa história de fazer carros-gêmeos também é comum em países vizinhos da América do Sul (quem não lembra dos Suzuki Vitara e Chevrolet Tracker, ou então o Suzuki Fun, irmão do Chevrolet Celta?), chegando também ao mercado da América Central (por lá, a Fiat Strada é vendida como Ram 700), e até na América do Norte. Aqui, o caso era comum: grupos automotivos grandes, como Ford e GM, criavam um mesmo projeto para várias de suas marcas, e acabava sendo comum ter sedanzões ou SUVs gêmeos oferecidos com emblemas (ou detalhes de design) diferentes.

Mais exemplos: o Ford Mondeo virou Mercury Mystique, o Ford Crown Victoria deu origem a algumas gerações do Lincoln TownCar, os Ford Expedition e Lincoln Navigator só ganham designs próprios. Na GM, nosso Chevrolet Captiva gerou o Saturn Vue, o Chevrolet Suburban é irmão do Cadillac Escalade, entre outros casos práticos, praticamente iguais ao de Ram Dakota e Fiat Titano. São os carros-gêmeos.

Existe uma forma menos preguiçosa, não no sentido ruim da palavra, de facilitar e unir o desenvolvimento de dois carros diferentes. Cria-se uma mesma plataforma mecânica, às vezes até com mesmos motor e transmissão, mas cada modelo recebe calibrações mais específicas de suspensões, direção e freios, além de uma carroceria totalmente nova, com pouca coisa (ou nada) compartilhada com seu irmão. A Toyota faz isso com o Camry, que acaba virando o sedan de entrada da Lexus, enquanto a Acura teve sua própria versão do Honda Accord por anos. E, para quem não lembra, Alfa Romeo 164, Saab 9000 e Lancia Thema usavam essa fórmula: mesma base mecânica, mas com design interno e externo totalmente distintos.
Marcas de um mesmo grupo, ou não
Vale falar que essa parceria pode existir entre fabricantes de um mesmo grupo, como os exemplos norte-americanos citados acima, ou então o da Ram Dakota e Fiat Titano (Stellantis), mas também pode ser fruto de associações totalmente inusitadas. Chevrolet e Honda, por exemplo, se juntaram para desenvolver, em parceria, o Blazer EV e o Prologue, respectivamente: são o mesmo carro no projeto básico e na plataforma, mas com carrocerias distintas e interiores próprios.
Economizar
O objetivo é sempre o mesmo: economizar dinheiro e horas de engenharia, adiantar o projeto de um novo carro, enxugar processos e, principalmente, aproveitar o que a marca vizinha tem pronto na prateleira. E, pela quantidade de casos na indústria automotiva mundial, e anos a fio que isso acontece, aparentemente a tal prática vale a pena…






















