Os carros nacionais mais vendidos do Brasil de 1956 até 2021

A indústria nacional passou por uma revolução nos anos 50. Com uma crescente de veículos nas ruas, quase todos importados ou montados em solo nacional, e componentes vindos de fora, desde 1946, a indústria de autopeças já alimentava o setor automotivo brasileiro.

Os incentivos à indústria nacional começaram oficialmente em 1952, com o Aviso 288, da CEXIM. Este foi o primeiro ato governamental relativo ao setor, liberando a importação de autopeças, porém limitando o licenciamento a artigos não fabricados no Brasil.

Entre o final dos anos 40 e início dos anos 50, a frota automotiva nacional cresceu bastante. Os incentivos vieram a partir de 1952 (Foto: reprodução/diariodotransporte.com.br)

Outro fato importante foi a aprovação, ainda em 1952, pelo então presidente da república Getúlio Vargas, das conclusões da subcomissão para o estímulo da produção nacional de autopeças. Para convencer a população que não acreditava no país, foram organizadas amostras e exposições da indústria de componentes automotivos.

O crescimento mesmo veio a partir de 1956, quando tomou posse o Presidente Juscelino Kubitschek. Com o lema de crescer 50 anos em 5, vários setores foram incentivados, inclusive o automotivo. Como ato de seu governo, um grupo de trabalho foi criado com a missão de apresentar, em 30 dias, um plano para execução do parque automobilístico no país.

Foi aí que o GEIA (Grupo de Estudos da Indústria Automobilística) realmente viabilizou os esforços, os planos e as iniciativas referentes ao parque automobilístico nacional. Embora os primeiros automóveis realmente produzidos em solo nacional datem de 1956, estreia feita pelo Romi Isetta e DKW Vemaguet, a produção se iniciou de forma efetiva em 1957.

Como curiosidade, antes disso, por volta de 1954 ou 1955, Preston Tucker, dono da tradicional fabricante de carros norte-americana Tucker, foi um dos grandes interessados em estrear a produção automotiva nacional com seus modelos. O negócio acabou não se concretizando, já que Preston morreu em dezembro de 1956.

Getúlio e um modelo Tucker (Foto: reprodução/internet)

Em 1956, considerando os dois modelos fabricados, a vitória é da DKW Vemaguete, mas não há um registro de quantas unidades foram produzidas, afinal, muita coisa aconteceu de lá para cá. Até mesmo as revistas automotivas ainda estavam para surgir. Só a partir do ano seguinte conseguimos fazer um retrospecto dos modelos líderes de venda, e entender os cenários de cada tempo. Vamos viajar conosco nesta história:

1957 e 1958: Jeep Willys

Foto: Jeep/divulgação

Com o Brasil em construção, e com estradas tão ruins, era de se esperar que um modelo com robustez mais do que provada figurasse nesse ranking. Ajudou a construir Brasília/DF, grande marco do governo JK, além de desbravar as estradas precárias deste Brasil que saltava de um país tipicamente rural para um país urbano.

1959 a 1982: VW Sedan (Fusca)

Foto: VW/divulgação

Concorrente direto do Willys Dauphine, o modelo cativou seus proprietários pela robustez, mas com uma suspensão bastante macia, mecânica simples e baixo consumo de combustível. Sua montagem em solo Tupiniquim se iniciou em 1953, e, cinco anos depois, já eram montadas 4.819 unidades, justificando o início da produção no Brasil. Em 1959 foi lançado o VW Sedan 1200, e já neste ano, 16.825 unidades foram comercializadas. Dali em diante, as vendas dispararam…

1983: GM Chevette

Foto: Chevrolet/divulgação

Mesmo com melhorias, o VW Sedan já estava cansado, afinal seu projeto datava dos anos 30 e a versão nacional teve poucas alterações significativas. A GM tinha o Chevette há 10 anos em produção no Brasil, mas o modelo atingia a maturidade e ganhava, no final de 1982, um facelift que o deixava com a aparência moderna, muito próxima à do irmão maior Monza. Essas mudanças e outras virtudes foram responsáveis pela sua liderança em 1983.

1984 a 1986: GM Monza

Foto: Chevrolet/divulgação

Em uma época muito turbulenta economicamente e politicamente, os Brasileiros escolheram um carro de porte médio, tratado inclusive como modelo de luxo. O GM Monza virou símbolo de status, e era desejado nas garagens brasileiras. Com um projeto bastante moderno, motor silencioso, muito conforto e linhas limpas, agradou em cheio. Sucesso incontestável, o modelo foi fabricado por 14 anos no Brasil e vendeu 857.810 unidades de 1982 a 1996.

1987 a 2013: VW Gol

Foto: VW/divulgação

Figura carimbada do mercado, inclusive dos textos aqui da coluna, o modelo patinou em vendas quando lançado em 15/05/1980, teve uma melhoria a partir da chegada do motor 1.6 em 1981, ainda Boxer, mas viu as vendas decolarem a partir de 1984, quando passou a utilizar o 1.6 refrigerado a água, intitulado MD-270.

Em 1985 foi lançada uma nova versão deste motor, o AP-600. Com melhorias técnicas, gerava mais potência e era ainda mais econômico, garantindo ainda mais sucesso ao VW. Em 1987, ele finalmente chegou à liderança, que parecia eterna, afinal foi o primeiro modelo a receber injeção eletrônica, teve modelos e versões icônicas e, mesmo com concorrentes tão modernos em seu caminho, nada o abalava.

2014: Fiat Palio

Foto: Fiat/divulgação

Com uma margem pequena diante o VW Gol, o Fiat lançado em 1996 enfim chegou ao posto de mais vendido. Com um projeto maduro, agradava em custo-benefício, conforto a bordo, iluminação dos faróis e robustez mecânica. O “porém” ficava para o conteúdo: ele era concorrente direto do Gol, e ambos estavam antigos à essa altura do campeonato.

2015 a 2020: GM Onix

A GM lançou o Onix em 2012, e entendeu o que o mercado queria: conectividade. Abusando do marketing e atraindo o público mais jovem, o modelo quem mais explorou os recursos que hoje são considerados essenciais, como central multimídia. Foi também pioneiro em vir completo de fábrica desde a versão de entrada, oferecendo no mínimo direção assistida, ar-condicionado, travas elétricas e vidros elétricos. Sei que isso não impressiona mais, mas em 2014 ainda era possível comprar carros somente com Airbags e freios ABS.

2021: Hyundai HB20

Foto: Lucca Mendonça

Com a pandemia no caminho e uma crise no fornecimento chips semicondutores, o revezamento no topo dos mais vendidos foi uma constante por todo o ano de 2021. As marcas que se planejaram, conseguiram entregar novos veículos e até mesmo alguns lançamentos. Entre Fiat Strada, Argo e Mobi, e o Chevrolet Onix, o veículo mais constante era o Hyundai HB20, quase sempre na 2ª posição. Isso fez do hatch da marca coreana o mais vendido do ano de 2021, com 86.455 unidades.

O cenário é similar neste ano de 2022, e a crise está longe de passar. Mas uma coisa é fato: o mercado tem mudado a uma velocidade muito grande, e daqui para frente, será cada vez mais difícil ver modelos repetindo a posição ano a ano, a não ser que as marcas invistam cada vez mais em recursos atrativos, e estejam preparadas para garantir as entregas.

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Neto de jornalista, é formado em gestão de pessoas, tem pós em comunicação empresarial e Marketing digital. É criador dos canais Autos Originais e Auto & Autos, digital influencer e atua há 18 anos com consultoria automotiva, auxiliando pessoas a comprar carros em ótimo estado e de maneira racional. Especializou-se na história dos carros nacionais, principalmente nos modelos populares dos anos 80, 90 e 2000. Apaixonado por carros e viagens, rodou mais de 800mil km nas estradas dos países da America Latina. É também colecionador de miniaturas, emblemas automotivos, revistas automotivas e principalmente de histórias.