“Os atrasadinhos”: carros que demoraram pra receber melhorias ou equipamentos importantes

O mercado automotivo está em constante mudança. Não é pra menos, afinal as tecnologias e evoluções não param de chegar, e cada vez vão dominando mais e mais modelos. Alguns carros de certas marcas são sempre pioneiros, seja por criarem tendências, inaugurarem novidades ou por serem simplesmente os primeiros a colocá-las em prática.

Outros, no entanto, são os “atrasadinhos”, e sempre demoram bem mais que a concorrência quando o assunto é evoluir, ganhar equipamentos ou tecnologias. Em alguns casos, isso nem acontece. As críticas do público, claro, são pesadas, e a concorrência, se bobear, passa por cima.

Veja alguns exemplos de carros que enrolaram o mercado e ficaram bons anos devendo coisas básicas, ou sequer chegaram a oferecê-las:

Hyundai Tucson: motor Flex

Foto: Hyundai/divulgação

O Tucson de primeira geração era sensação aqui no Brasil, tanto é que foi trazido da Coréia do Sul pra cá entre 2006 e 2009. Em 2010, já com sua produção encerrada no país asiático, ele se tornou nacional, fabricado pela CAOA em Anápolis (GO). Seu conjunto mecânico era quase sempre formado por um motor 2.0 16V e câmbio automático de quatro velocidades, mas com um enorme problema: ele era movido só a gasolina, em uma época que até alguns importados já tinham tecnologia flex.

Mas a Hyundai, na contramão, postergou o lançamento do Tucson flex até meados de 2012, quando finalmente aperfeiçoou o modelo, que passou então a ser movido por gasolina, etanol ou a mistura de ambos em qualquer proporção, o que lhe rendeu alguns cavalinhos a mais e torque extra.

Troller T4/TX4: airbags e ABS

Foto: Troller/divulgação

Comprada pela Ford em 2007, a fabricante nacional de jipes Troller quase sempre compartilhava componentes com outras marcas e priorizava a robustez ao invés de luxos ou segurança. Todos creram que, a partir daquele ano, os modelos aventureiros iriam se modernizar bastante sob o guarda-chuva da marca do Oval Azul, mas na prática pouca coisa aconteceu.

Já era 2014, ano em que freios ABS e airbags frontais duplos já eram exigidos em qualquer carro vendido no mercado nacional, e justamente nessa época o Troller T4 ganhava uma profunda remodelação, que incluía muito mais equipamentos de conforto e conveniência, além de mecânica inteiramente nova. Mas um detalhe: ele simplesmente não oferecia os tais importantes itens de segurança nem como opcionais, culpa de uma brecha da lei que excluía as exigências para veículos off-road, seu caso.

No final das contas, o Troller ganhou até câmbio automático durante sua “fase Ford”, mas a marca nacional morreu recentemente, em fevereiro de 2022, sem nunca ter oferecido um mísero airbag nem freios antitravamento em nenhum de seus modelos.

Nissan Kicks: piloto automático

Foto: Nissan/divulgação

O SUV Kicks, da Nissan, é um carrinho interessante. Sempre uniu boa dirigibilidade, economia de combustível, espaço interno e até segurança, já que foi um dos primeiros carros “acessíveis” vendidos com alguns assistentes de condução no Brasil a partir de 2016. Mas uma coisa incomodava desde então: apesar de bem completo, ele pecava em não contar com piloto automático em nenhuma versão, mesmo beirando os R$100 mil já naquela época.

O controle de cruzeiro, nome mais chique desse sistema que mantém a velocidade do veículo sem a necessidade de o motorista acelerar, é equipamento comum no mercado mundial desde os anos 90, e, já em 2017, equipava populares como o Fiat Argo, por exemplo. Mas no Kicks, nada. Isso durou até o começo de 2019, quando finalmente a Nissan decidiu implantar o equipamento no seu SUV compacto. Hoje, pra evitar críticas e problemas, ele já traz esse item desde a versão mais barata Sense.

Toyota Corolla e Chevrolet Tracker: ESP, TC e Hill Holder

Foto: Toyota/divulgação

Dois modelos premium e bem quistos nos seus devidos segmentos: sedan médio e SUV compacto, respectivamente. Pena que eles enrolaram o quanto puderam e só foram implantar alguns dos itens de segurança mais importantes do mundo depois de duras críticas.

Os importantíssimos controles eletrônicos de estabilidade (ESP) e tração (TC), além do útil assistente de partida em rampas (Hill Holder), ficaram de fora da gama de versões do Corolla até 2017, época em que ele, como um dos mais caros da categoria, já fazia bastante sucesso. E seus rivais, claro, já ofereciam isso desde muito antes.

Foto: Chevrolet/divulgação

No caso do Tracker, apesar do lançamento da sua segunda geração em 2013, ele só foi dar receber um upgrade na segurança na linha 2018, quando passou a contar com ESP, TC e Hill Holder de série na versão mais cara LTZ. As demais, claro, ficaram de fora desse importante upgrade por mais algum tempo.

Até o final de 2018, o SUV compacto da Chevrolet poderia ser adquirido sem tais equipamentos, um ponto fora da curva dentro da sua categoria. As melhorias vieram em definitivo na linha 2019, e aí o Tracker passou a ser um carro mais seguro em todas as versões.

Peugeot 2008 1.6 16V: ESP, TC e Hill Holder

Foto: Lucca Mendonça

Outro que pisou na bola desde o início por não oferecer mais sistemas de segurança. O 2008, lançado em 2015, trazia ESP, TC e Hill Holder só nas versões 1.6 THP, mais caras e menos vendidas. A grande maioria do público, que optava pelas demais versões aspiradas, movidas pelo motor 1.6 16V EC5, não podiam contar com esses essenciais itens de segurança em momento algum.

Passaram-se sete anos desde a estreia do modelo, ele foi reestilizado nesse meio do caminho, ganhou nova transmissão automática e muito mais. Mas e na segurança? Acreditem se quiser, mas ele não seguiu a cartilha do Corolla e Tracker, e ainda fica devendo tais tecnologias nas versões aspiradas em pleno 2022! Os únicos 2008 com os controles de estabilidade e tração e assistente de partida em rampas são, ainda, os 1.6 turbo, mais caros e restritos a uma parcela menor do público.

Renault Duster 1.6: sistema de partida a frio sem gasolina

Foto: Lucca Mendonça

Quem lembra do tanquinho de gasolina para as partida a frio, que deveria ser sempre abastecido pra evitar sufocos no inverno? Parece coisa do passado, mas nem tanto, principalmente para a Renault. Sua atual linha de motores SCe, lançada em 2016 e que se mostrou bastante eficiente em unir potência, torque, robustez e economia, ainda traz o jurássico tanquinho até hoje.

Isso vale para Kwid, Sandero, Logan, Duster e a picape Oroch, mas quem merece destaque é o SUV, afinal ele é o mais caro equipado com motores SCe e conta com o velho reservatório de tampinha vermelha dentro do seu cofre. O Captur era outro que caberia nessa lista, mas “escapou” pela adoção geral do moderníssimo propulsor 1.3 turbo, desenvolvido em parceria com a Mercedes-Benz.

VW Amarok: airbags de cortina

Foto: Lucca Mendonça

Uma picape presente no mercado brasileiro desde 2010 e que sempre foi sinônimo de conforto e suavidade ao rodar. Essa é a Amarok, que ainda está na sua primeira geração há mais de 12 anos e já mostra que a idade pesa pra todo mundo. Prova disso é que a caminhonete da VW já perde feio em itens de conveniência, modernidade e segurança para a concorrência. E olha que seu preço é um dos mais salgados da categoria.

Uma das inúmeras faltas do modelo, que hoje parte de R$310 mil e beira os R$330 mil na versão mais cara, é que ela traz apenas quatro airbags, dois frontais e dois laterais, como o Renault Kwid, carro mais barato do mercado nacional. Suas rivais já oferecem bolsas do tipo cortina e até para os joelhos praticamente de série. Mas a Amarok ainda vive em 2010, época que segurança automotiva não era uma pauta tão discutida assim. Mancada grande…

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Com 22 anos, está envolvido com o meio automotivo desde que se conhece por gente através do pai, Douglas Mendonça. Trabalha oficialmente com carros desde os 17 anos, tendo começado em 2019, mas bem antes disso já ajudava o pai com matérias e outros trabalhos envolvendo carros, veículos, motores, mecânica e por aí vai. No Carros&Garagem produz as avaliações, notícias, coberturas de lançamentos, novidades, segredos e outros, além de produzir fotos, manter a estética, cuidar da diagramação e ilustração de todo o conteúdo do site.