O que não te contaram sobre o Novo Fiat Pulse: Menos potente que Argo e Cronos, concorrência com o Argo Trekking e mais

O Pulse se tornou o mais novo menino dos olhos de ouro da Fiat no Brasil. Chamado de SUV pela marca italiana, esse crossover pretende gladiar pelo mercado com VW Nivus, Honda WR-V, Renault Stepway, JAC T40 Plus, CAOA-Chery Tiggo 3x e por aí vai. Com um preço básico de R$80 mil e uma enorme aposta em tecnologia embarcada e bons conteúdos de série, ele não só promete fazer barulho como já está fazendo: Foram mais de 2,5 mil unidades vendidas em 24h de pré-venda. Mas algumas dúvidas ainda pairam com relação ao novo modelo, então aí vão as explicações:

O mistério do 1.3 Firefly mais fraco

No Pulse, o motor 1.3 é mais fraco: menos 3 cv e 0,5 mkgf de torque (Foto: Fiat/divulgação)

Quem é mais atento notou que o motor 1.3 8 válvulas da família Firefly está mais fraco no Pulse do que no restante dos modelos que ele equipa (Argo, Cronos, Strada, e algumas extintas versões do Uno). Pra ser mais preciso ele perdeu cerca de 3 cv e 0,5 mkgf de torque, passando de 101/109 cv e 13,7/14,2 mkgf para 98/107 cv e 13,2/13,7 mkgf (gasolina/etanol). No resumo da ópera, o carro moderno rende menos que o antigo que usa o mesmo conjunto motor/câmbio.

Além de causar estranheza pra quem vê e, principalmente, pra quem compra um Pulse menos potente que um Argo, esse 1.3 agora despeja toda a sua força em rotações mais altas: Antes era ao redor das 3.500 e agora é ao redor das 4.000, o que pode mudar algumas coisinhas na dirigibilidade do novo carro. Não é nada preocupante com o desempenho ou a falta dele, ainda mais nos veículos modernos, mas definitivamente não é algo comum.

Além das diferenças de potência e torque, o 1.3 do Pulse despeja seu torque em rotações maiores que as de Argo, Cronos e Strada (Foto: Lucca Mendonça)

A explicação pra tudo isso é simples: Segundo fontes internas, foram necessárias algumas modificações na variação 1.3 da família de motores Firefly para se adequar as novas regras do Proconve (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores), que vão entrar em vigor a partir de janeiro de 2022 na fase L7.

As tais novas regras implicam em buscar a menor emissão de gases poluentes (monóxido de carbono e aldeídos, principalmente), menos tempo de duração das emissões, além de mudanças nas regras de diagnose dos motores, ou seja, quem não se adequar terá que se despedir das linhas de produção. E claro que pra evitar essa tragédia, a Fiat precisou sacrificar alguns cavalinhos do seu motor.

Além disso, como já adiantado por nossas fontes, o restante dos modelos da marca italiana que usam o 1.3 Firefly deverão seguir o mesmo caminho: Argo, Cronos e Strada vão se unir ao Pulse nos números de potência e torque durante os próximos meses. Claro que esse era o tipo de “novidade” que eles menos queriam, mas não tem jeito: lei é lei, tem que seguir e ponto final.

A Nova Strada 1.3 também deverá seguir o caminho das reduções de potência e torque (Foto: Fiat/divulgação)

Pulse e Argo Trekking: O futuro dessa concorrência interna

Com a chegada do Pulse, quem ficou de escanteio foi a versão aventureira Trekking do Argo, que hoje parte de aproximadamente R$79 mil na versão de entrada com motor 1.3 e câmbio manual de 5 marchas, mas pode chegar a salgados R$93 mil caso traga o motor 1.8 E.TorQ com câmbio automático de 6 velocidades. Isso sem contar os opcionais, que fazem toda a diferença transformando um carro básico em equipado.

Argo Trekking custa praticamente o mesmo que um Pulse, mas perde muito em vários aspectos (Foto: Lucca Mendonça)

Enquanto isso, o Pulse de entrada (Drive 1.3 MT5) é tabelado em R$79.990 e tem sua primeira versão turbo (Drive T200 AT7) custando R$99 mil, cifras bem próximas da linha Trekking. Mesmo brigando pra valer no quesito preço, o Pulse está bem a frente do Argo seja em qualidade construtiva, nível de acabamento, lista de itens de série, segurança, entre outros. A escolha pelo crossover mais moderninho na hora da compra é inevitável, ainda mais com os dois custando praticamente o mesmo.

O Pulse custa o mesmo mas oferece bem mais (Foto: Fiat/divulgação)

Ainda segundo fontes internas da marca, não existe nenhum plano de mudanças envolvendo o Argo Trekking, seja o 1.3 manual ou 1.8 automático. Ambos devem continuar com os mesmos preços (baixar seria impensável), mesmos conteúdos de série, mesmos opcionais e mesmos números de produção, ou seja, nada muda por enquanto.

Quem deve provavelmente “matar” essa linha Trekking do hatch popular é o próprio consumidor, que levará o Pulse ao invés dele (o que faz total sentido, diga-se de passagem). Aos poucos, a procura pelo Argo aventureiro deverá baixar e os números de produção diminuem aos poucos até que a versão saia de linha definitivamente. Esse tipo de movimento, conhecido como “canibalização”, é bem comum e já matou muitos carros de sucesso por aí. Para a Fiat é simples e lógico, como deve ser: Enquanto o produto vender bem, ele será produzido. Caso contrário, sai de linha.

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Tem 20 anos, atualmente cursa Publicidade e Propaganda na Universidade Paulista, é filho do jornalista Douglas Mendonça, e desde que se conhece por gente, convive com carros e está envolvido no mundo automobilístico. Aprendeu a ler nas revistas automotivas, cresceu frequentando oficinas, corridas, encontros e eventos com o pai, e daí veio sua maior paixão: os carros. Um gearhead legítimo, Lucca se tornou o braço direito do pai após sua perda de visão em 2012, ajudando na produção de matérias, reportagens, avaliações e textos sobre carros. No Carros & Garagem, é responsável pela cobertura de eventos de lançamento de novos veículos, e produz avaliações, fotos e comparativos de modelos. Os carros estão até nos seus hobbies: Possui um acervo com mais de 300 manuais do proprietário de veículos diversos, incluindo antigos e modernos, além de colecionar revistas, folders, catálogos, e vários outros materiais automotivos.