Marea Weekend Turbo: perfeita mesmo após 18 anos

Parece que foi ontem quando essa Marea Weekend Turbo da reportagem estava saindo da linha de montagem da Fiat em Betim, MG. Mas esse carro da reportagem estava em um estado tão perfeito de conservação que nem de longe se poderia afirmar que esse fato havia ocorrido em 2001, nada menos do que 18 anos depois.

Essa raridade sobre rodas foi garimpada há dois anos pelo responsável técnico da Auto90, uma oficina especializada em encontrar carros marcantes de nossa indústria, principalmente aqueles produzidos entre os anos 80 e o início da década de 2000. Quando encontram carros íntegros, nossos amigos da Auto90 recuperam a sua originalidade, deixando-os exatamente iguais ao dia que saíram novos da concessionária.

Para quem não se lembra, a Marea Weekend Turbo foi lançada no século passado, mas precisamente em 1999. Foi desenvolvida e produzida unicamente pela Fiat Automóveis S.A., braço brasileiro da Fiat S.p.A sediada em Turim, na Itália.

Aqui, os especialistas em Marketing, depois de estudos do nosso mercado, perceberam um espaço, que os especialistas chamam de nicho, onde o sedã Marea e sua versão giardiniera — como se denominam peruas ou stations no país de bota —  dotados de motor turboalimentado caberiam como uma luva para consumidores exigentes em desempenho e no acabamento sofisticado de um carro desse porte.

Havia a disponibilidade desse motor 2-litros, com uma singular configuração 5-cilindros que, acrescido de turbocompressor, chegava fácil a 182 cv a 6.000 rpm com um torque máximo de brilhantes 27 mkgf, que ocorria a 2.750 rpm. Uma verdadeira usina de força. Era tocar o pé no acelerador e o motorista sentia nas costas o vigor da força desses 5 cilindros. Era fantástico para a época.

Fotos: Rejane Lima

Assim, a engenharia nacional criou uma versão do Marea e de sua station Weekend exclusiva para o Brasil que deu o que falar na época. O carro acelerava de 0 a 100 km/h em pouco mais de 8 segundos e atingia a velocidade máxima de 227 km/h. Números difíceis de serem batidos até os dias de hoje em carros de seu segmento.

E para quem pensa que o seu consumo de combustível médio era astronômico, um grande engano: num circuito misto cidade/estrada, a média girava ao redor dos 9,5 km/l de gasolina. Se considerarmos o desempenho, uma marca bem positiva.

Esta Marea Weekend Turbo da reportagem foi vendida por uma concessionária Fiat de uma cidade do interior gaúcho e ficou com seu cuidadoso proprietário durante 16 anos. Todas as revisões recomendadas pela Fiat foram feitas na concessionária utilizando peças originais e os lubrificantes recomendados pelo fabricante. O carro foi adquirido do seu proprietário pela Auto90 em 2017 e estava com sua quilometragem beirando os 140.000 km.

Era uma versão completa, com direito até mesmo a confortáveis bancos forrados em couro bege, teto solar elétrico, ar-condicionado com controle automático de temperatura, quatro airbags, lavador de faróis, rodas de liga de alumínio aro 15 com pneus 195/60R15V, instrumentos de fundo branco e outros mimos para proprietários exigentes. Tudo funcionando e em perfeito estado, apesar dos 16 anos na época da aquisição.

Ao longo de sua história, o sedan Marea e a station Weekend criaram fama de carros problemáticos, principalmente no que diz respeito a durabilidade de seus motores de 5 cilindros. Mas, com esse carro da reportagem, ficou claro que a culpa não era dos carros e sim de seus proprietários que não faziam seguir à risca a manutenção recomendada pela Fiat.

Principalmente no item que diz respeito ao motor, pudemos constatar que a grande maioria dos proprietários optavam, por questões de custo, por utilizar óleo lubrificante de origem mineral em vez do lubrificante sintético recomendado pela Fiat.

O resultado prático era que em um período muito curto a vida útil do motor chegava ao fim e este começava a apresentar ruídos internos que exigia uma retífica prematura. E esse problema não se limitava apenas na versão Turbo, mas a todos os motores de 5 cilindros, aspirados e superalimentados. Claro que, pela maior exigência aos componentes mecânicos da turbina, o problema da lubrificação ineficiente provocada pelo óleo inadequado aparecia ainda mais rápido.

Fotos: Rejane Lima

Os saudáveis 140.000 km do carro da reportagem provaram que, se lubrificado adequadamente, o motor 5-cilindros turbo adotado pela Fiat permitia uma vida útil bem longa. Apesar da quilometragem alta, o motor desenvolvia bem o seu torque e sua potência, sem ruídos e com a manutenção e lubrificante corretos, indicando que naquele ritmo poderia chegar a 200.000 km.

Em 2017, juntamente com o engenheiro responsável da Auto90 e depois de agendar junto ao pessoal da Fiat, saímos de São Paulo rumo a Betim para que funcionários da fábrica pudessem ver de perto essa raridade que havia saído de lá 16 anos antes.

Foram quase 700 quilômetros em que a Marea viajou muito bem e em ritmo bem acelerado. Chegando à fábrica da Fiat, hoje FCA Latin America, o carro foi admirado por técnicos e engenheiros que trabalharam na época no desenvolvimento do carro para o mercado brasileiro.

Tivemos a oportunidade de andar com a Marea na pequena pista de testes que a Fiat tem no final de sua linha de montagem, onde todos os carros novos são avaliados por experientes pilotos de testes que dão o aval final e liberam o carro para serem distribuídos as concessionárias.

O engenheiro Robson Cotta, responsável pela engenharia experimental dos produtos Fiat/Jeep, dirigiu essa Marea pela pista de testes, onde ela já havia passado 16 anos antes, ao deixar a linha de montagem e ser testada pela primeira vez. O experiente engenheiro, um dos veteranos da fabricante, elogiou o perfeito estado de conservação da Marea Weekend e comentou: “Foi um dos melhores carros que a Fiat produziu até hoje”.

Fotos: Rejane Lima

O engenheiro Cotta nos contou que trabalhou arduamente no desenvolvimento da linha Marea Turbo e que os resultados finais foram ótimos. Se você, leitor ou leitora, quer mais detalhes e fotos dessa aventura que foi levar o carro 16 anos depois para a fábrica da Fiat novamente, pesquise pela página da Auto90 no Facebook.

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Douglas Mendonça
Jornalista na área automobilística há 45 anos, trabalhou na revista Quatro Rodas por 10 anos e na Revista Motor Show por 24 anos, de onde foi diretor de redação de 2007 até 2016. Formado em comunicação na Faculdade Cásper Líbero, estudou três anos de engenharia mecânica na Faculdade de Engenharia Industrial (FEI) e no Instituto de Ensino de Engenharia Paulista (IEEP). Como piloto, venceu a Mil Milhas Brasileiras em 1983 e os Mil Quilômetros de Brasília em 2004, além de ter participado em competições de várias categorias do automobilismo brasileiro. Tem 64 anos, é casado e tem três filhos homens, de 17, 28 e 31 anos.
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