Hyundai i20 pode matar o HB20 antes da hora, ao menos nas vendas

Uma coisa é fato: o Hyundai i20, novo crossover da marca (ou hatch grandinho para alguns), veio agressivo nos preços, começando na faixa dos R$ 100 mil em versões 1.0 aspiradas com transmissão manual. Até aí, tudo bem: um produto novo, com plataforma moderna, design atual (embora polêmico) e ótima oferta de equipamentos, em especial os de segurança. Era mais ou menos o que a Hyundai precisava, já que a marca coreana não tinha um produto inédito fabricado no Brasil desde 2016, quando o SUV Creta estreou por aqui.
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Só que, por esses R$ 100 mil, o consumidor também tem a opção de levar para casa o bom e velho HB20, com a mesmíssima motorização do Hyundai i20, só que menor, menos equipado, com porta-malas inferior, design mais ultrapassado e outras desvantagens construtivas, como a plataforma mais obsoleta, o que se reflete em diferenças de dirigibilidade, nível de segurança e afins. E parece que a chamada canibalização já começou entre eles dois…

Vendas: alta de um, queda de outro
Ao menos, é o que andam apontando os números de vendas da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), que apontam um crescimento exponencial para o novo Hyundai i20, enquanto o veterano HB20 amarga quedas expressivas nos emplacamentos desde a chegada do seu irmão mais novo.

Em maio, o HB20 havia sido o terceiro carro mais vendido do país, com mais de 8,3 mil carros, em sua grande maioria de versões mais baratas, aquelas equipadas com motor 1.0 aspirado e câmbio manual. Na época, o Hyundai i20 ainda não existia, então sua vida era tranquila. Já no fechamento de junho, onde metade do mês ele já conviveu com o irmão mais novo, a coisa mudou de figura: sexta posição, menos de 7 mil carros vendidos. A situação mais crítica surgiu agora no balanço de julho, onde ele despencou para a longeva 27ª posição, acumulando pouco mais de 3 mil emplacamentos, apenas. Redução drástica entre maio e julho, de aproximadamente 64%…

Enquanto isso, o Hyundai i20 só colhe os frutos do fator novidade: têm se tornado figurinha cada vez mais comum nas ruas, e o que comprova isso são justamente os emplacamentos crescendo. Em junho, seu mês de estreia, já rondou os 650 carros vendidos, saltando para 2,66 mil em julho. Aqui, haja aumento: mais de 300%. Agosto, inclusive, tende a ser um mês ainda melhor para o Hyundai i20, e talvez o pior em muitos anos para o HB20.

HB20 Sedan também cai
Outro que parece ser bastante afetado nas vendas com a chegada do Hyundai i20 é o HB20 Sedan. Ele sempre vendeu menos que a versão hatch, e também perde espaço mês a mês após o lançamento da novidade. Em maio, acumulou a 13ª posição geral de vendas, com mais de 5,2 mil unidades, número que já baixou para 3,2 mil carros em junho (25º lugar). Em julho, teve seu pior mês de emplacamentos em anos: apenas 1,6 mil exemplares, e a distante 38ª colocação na lista de mais vendidos.

Consumidor decide
Como é de praxe nas fabricantes, a decisão de tirar, ou não, um modelo de linha vai de acordo com a demanda do mercado. E, se a longo prazo o mercado prefere o modelo novo ao invés do antigo, especialmente nesse caso onde os dois podem competir pelo mesmo consumidor, não há motivos para deixar o menos vendido em linha. Ao menos, teoricamente: a prática pode ser diferente. Mas, que o HB20 já está perdendo espaço para o Hyundai i20, isso é inegável. E quem ditará o destino dessa concorrência interna é o próprio público consumidor…












