Gol Rolling Stones: As curiosas diferenças entre as versões do Brasil e da Argentina

A banda Rolling Stones foi formada em Londres em 1962 e é considerada um dos mais bem sucedidos grupos musicais de todos os tempos, com mais de 250 milhões de cópias vendidas em todo o mundo.

Com Mick Jagger e Keith Richards desde 1962, Charlie Watts desde 1963 (falecido em 2021) e Ron Wood desde 1975, a carismática formação fez e ainda faz história, além de manter a cultura Rock viva. Entre vários álbuns de sucesso, destaco o meu predileto Sticky Fingers de 1971 (ouça depois se puder), sem falar de vários singles que marcaram gerações.

O álbum Voodoo Lounge, de 1994, foi o mote de divulgação durante a turnê de meados dos anos 90 (Foto: divulgação)

Mas hoje caro leitor, vamos falar do álbum Voodoo Lounge de 1994 e como ele veio parar nas garagens dos Brasileiros e Argentinos: Em sua 18ª turnê pelo mundo, realizada de 1º de agosto de 1994 a 30 de agosto de 1995, os Rolling Stones estiveram no Brasil de 23 de janeiro a 7 de fevereiro de 1995, e na Argentina de 9 de fevereiro a 19 de fevereiro daquele mesmo ano.

A Volkswagen, aproveitando o sucesso que a banda fazia divulgando seu álbum à época, lançou no Brasil e na Argentina a edição especial do Gol intitulada Gol Rolling Stones, mas com uma enorme diferença entre esses dois carros, que eram de diferentes gerações.

O Gol Rolling Stones brasileiro era de segunda geração, a “bolinha” (Foto: VW/divulgação)

No Brasil, o modelo foi baseado na versão CLi do Gol “bolinha” (plataforma AB-9), e teve uma tiragem de 12 mil unidades. Usando o motor AP-1600 com 76 cv e 12,3 kgfm, era capaz de levar o “Gol Rockeiro” aos 161 km/h de velocidade final. Fazia de 0 a 100 km/h em 14,4 segundos e seu consumo de gasolina era de 10,4 km/l em circuito urbano e 14,2 km/l em circuito rodoviário, marcas excelentes para um motor de 1,6 litro da época.

Destaque para o elemento visual da capa do álbum, que foi transformado em adesivo e colado na coluna C do “Gol rockeiro” (Foto: VW/divulgação)

A versão dispunha de adesivos alusivos à versão na tampa do porta-malas e coluna C, acabamento com tecido diferenciado e rodas de aço dotadas de calotas integrais (as mesmas da versão CLi). Trazia também como itens de série pneus 175-70R13 radiais, aquecimento interno, antena no para-brisa, toca-fitas Volksline Mid, desembaçador e limpador do vidro traseiro, um boné com a grife da banda, além de uma fita K7 do álbum Voodoo Lounge.

Foi oferecido nas cores preto, branco, vermelho e o lindo Azul Ametista.⠀

Dentre os itens de série, a calota aro 13 emprestada da versão CLi (Foto: VW/divulgação)

Na Argentina também existiu o Gol Rolling Stones, mas bem diferente do nosso: Por lá, o modelo foi baseado na versão GL do Gol “quadrado” (plataforma BX), uma geração mais antiga que o nosso. Uma pena não termos os registros de quantas unidades foram fabricadas.

Usando o motor AP-1600 (lá chamado de “Motor Audi”), o “Gol Rockeiro dos Hermanos” tinha 82 cv e 12,7 kgfm, além de ser capaz de atingir os 163km/h de velocidade final. Fazia de 0 a 100 km/h em 12,8 segundos, e seu consumo de gasolina era de 9,6 km/l em circuito urbano e 15,3 km/l em circuito rodoviário, marcas compatíveis para um motor de 1,6 litro e carburado da época.

Mesma edição, mas em diferentes gerações: O Gol Rolling Stones argentino era o “quadrado” (Foto: VW/divulgação)

A versão também dispunha de adesivos alusivos à versão na tampa do porta-malas e coluna C, além de usar as mesmas rodas de liga-leve diamantadas da versão comum GL. Trazia também como itens de série pneus 175-70R13 radiais, ar-condicionado, painel com conta-giros, antena no para-brisa, toca-fitas Volksline Mid, vidros laterais traseiros basculantes, parachoques parcialmente pintados da cor do veículo, o boné especial e a fita K7 Voodoo Lounge, assim como o carro vendido por aqui.

Diferentemente da versão brasileira, o modelo argentino foi oferecido apenas na cor Azul Ametista, chamada por lá de “Azul Amatista”. As demais opções que foram oferecidas no carro nacional, como preto, branco ou vermelho, estavam disponíveis só em outras versões.

A única cor disponível por lá era a Azul Ametista, chamada pelos Hermanos de Azul Amatista (Foto: reprodução/motortrend.cienradios,com)

Hoje um Gol Rolling Stones virou carro de coleção no Brasil, e é bastante valorizado. Enquanto na Argentina é figurinha ainda mais rara, pois poucos sobraram para contar história.

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Neto de jornalista, é formado em gestão de pessoas, tem pós em comunicação empresarial e Marketing digital. É criador dos canais Autos Originais e Auto & Autos, digital influencer e atua há 18 anos com consultoria automotiva, auxiliando pessoas a comprar carros em ótimo estado e de maneira racional. Especializou-se na história dos carros nacionais, principalmente nos modelos populares dos anos 80, 90 e 2000. Apaixonado por carros e viagens, rodou mais de 800mil km nas estradas dos países da America Latina. É também colecionador de miniaturas, emblemas automotivos, revistas automotivas e principalmente de histórias.