Ford Ecosport Titanium 1.5: O pioneiro ainda vale a pena?

Era começo de 2003 quando a Ford lançava o Ecosport, um “jipinho” feito sobre a plataforma do Fiesta (que também havia ganhado nova geração meses antes), e que inaugurava um segmento muitíssimo conhecido pelos brasileiros atualmente: o de SUV’s compactos. Pioneiro nesse segmento, ele reinou sozinho no mercado até 2009, quando a chinesa Chery trouxe o Tiggo e, dois anos depois, a Renault chegou com o Duster. Foi só em 2012, 9 anos depois do lançamento da primeira geração, que a Ford apresentou o Novo Ecosport, que passou a ser feito sobre a base mais moderna do New Fiesta, além de se tornar um carro global. Na metade de 2017, essa segunda geração foi reestilizada, recebendo diversas melhorias e nova motorização.

Mas será que mesmo essa geração já tendo 7 anos de mercado e a concorrência triplicado, o Eco ainda é uma boa compra? O carro da avaliação (e das fotos) é da versão topo de linha Titanium, que tem como principal destaque os pneus Run Flat (que dispensam o pneu reserva pois conseguem rodar furados ou rasgados por até 80 km no caso do Ecosport), que fizeram ele perder o antiquado estepe pendurado na tampa do porta-malas, marca registrada que sempre esteve presente no modelo.

Foto: Lucca Mendonça

Na mecânica, essa versão Titanium vem com o moderno motor 1.5 de 3 cilindros que desenvolve 137 cv e 16,2 mkgf de torque (etanol), que é sempre acoplado a um câmbio automático convencional de 6 marchas (o problemático Poweshift de dupla embreagem foi abandonado na reestilização de 2017). A falta de fôlego é sentida principalmente nas acelerações e ultrapassagens (culpa também dos elevados 1.310 kg dessa versão), situação só melhora um pouco quando o câmbio é colocado no modo S (sport) e as trocas de marcha passam a ser feitas manualmente nas borboletas atrás do volante.

O moderno motor 1.5 de 3 cilindros (foto: Lucca Mendonça)

No consumo, pelo menos, essa mecânica não desaponta: no circuito rodoviário, andando a cerca de 100 km/h e abastecido com gasolina, as médias ficaram na casa dos 16,5/17,0 km/l. Na condução, destaque para a boa posição de dirigir e para o sistema de direção elétrica bem calibrada. Outro ponto positivo é o silêncio ao rodar: com isolamento acústico bem caprichado, quase não se ouve o funcionamento do motor e os barulhos exteriores. Os únicos incômodos foram a dureza excessiva do pedal do freio (no começo é bastante estranho, mas depois de um tempo acaba acostumando), além da falta de suavidade nos pisos irregulares e buracos, causada principalmente pelos pneus Run Flat, que são mais rígidos e transferem todo o impacto para as suspensões.

Mas onde o Ecosport peca mesmo é no espaço interno: por conta da plataforma limitada e ultrapassada, ele se consagra por ter o menor entre-eixos da categoria, de apenas 2,52 m (mesmo do Chevrolet Onix, por exemplo), o que resulta em pouco espaço para as pernas dos passageiros. Seu porta-malas, apesar de ser elogiável no tamanho de sua abertura, tem 356 litros, um tanto subdimensionado para o tamanho e proposta do carro.

O porta-malas, de 356 litros, é um dos menores da categoria (foto: Lucca Mendonça)

Um dos destaques dessa versão é a lista enorme de equipamentos de série: ar-condicionado digital, direção elétrica, conjunto elétrico (vidros, travas e retrovisores), sensores de chuva e crepuscular, luzes diurnas de LED (DRL), faróis de xenon, teto solar, bancos de couro, sensor de estacionamento traseiro, chave presencial, volante multifuncional, rodas de liga-leve aro 17, retrovisor interno eletrocrômico, sistema de som Sony com 9 alto-falantes, tela TFT multifuncional de 4,2” no painel de instrumentos, monitoramento de pressão dos pneus (TPMS), piloto automático, 7 airbags, controles eletrônicos de estabilidade e tração, assistente de partida em rampas, Isofix, alertas de ponto-cego e tráfego cruzado (sistemas que não são vistos nem em alguns carros de marca premium), central multimídia de 8” com conexões Android Auto/Apple CarPlay e câmera de ré, entre outros.

Apesar do seu interior ser bastante requintado, com mistura de materiais e cores, além da superfície do painel emborrachada e do couro claro dos bancos, alguns detalhes desapontam: peças de acabamento mal-encaixadas, deixando a impressão de que o carro foi montado às pressas, e rebarbas enormes, que não são vistas nem em carros de entrada, são falhas gravíssimas em um carro dessa categoria. Isso acaba se refletindo no barulho interno depois de alguns tempo de uso (essa unidade avaliada, mesmo tendo pouco mais de 11 mil km, já começava a apresentar esse tipo de problema).

Agora já sabemos que o Eco nessa versão Titanium é cheio de equipamentos, consome pouco, tem lá os seus defeitos e pontos positivos, mas a pergunta que fica é: quanto essa versão custa? Cerca de 5 meses depois de lançar a linha 2020, a Ford fez uma redução generosa nos preços do SUV (culpa das baixas vendas), e essa versão Titanium 1.5 foi uma das que mais barateou, passando de R$100.890 para R$92.990 atualmente. Nenhum carro 0 km é barato no Brasil, e isso não é novidade para ninguém, mas pensando na concorrência, praticamente nenhum outro modelo consegue ter a mesma relação custo X benefício desse Ecosport Titanium: o Renault Captur (confira a avaliação), por exemplo, custa R$94.040 na sua versão Intense CVT (com banco de couro opcional), e não possui uma boa parte dos equipamentos do Ford.

Na conclusão, o SUV pioneiro da Ford ainda é uma boa opção, principalmente depois da redução de preços, que o deixou com uma ótima relação custo X benefício quando comparado com os concorrentes. Mas se for comprar um, melhor correr, porque a chance da Ford aumentar seus preços novamente quando as vendas melhorarem são grandes.

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