Fiat Palio faz 30: em 1995, antes de ser lançado, o hatch me enganou!

Fiat Palio EL 1996 - Foto: divulgação

Antes da chegada do Fiat Palio, o Uno vendia como pão quente na padaria no início dos anos 90. Mas o carro lançado em 1984 já começava a cansar o público consumidor. Era hora de mudar e, logo no início daquela década, a Fiat deu aos estúdios Idea a incumbência de projetar o carro que substituiria o Uno no mercado brasileiro e mundial.

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O Palio, de 1996, marcou nosso mercado assim que chegou (Foto: Fiat/divulgação)

O estúdio italiano tomou como base para o projeto o Fiat Punto, então um grande sucesso europeu. Só que Fiat Palio saiu ainda melhor que o modelo que o inspirou, com linhas mais modernas, harmônicas e orgânicas, arredondadas de maneira sensual e atraente.

Fiat Palio tinha desenho moderno

O hatch mais moderno que a Fiat havia produzido no Brasil até então (Foto: Fiat/divulgação)

A traseira chamava atenção até de designers de outras marcas. Era absolutamente arredondada e as lanternas seguiam essa proposta de forma integrada ao contorno. Em uma época em que os compactos do nosso mercado tinham linhas duras e cheias de vincos, o novo Fiat destoava com formas mais suaves.

Motorização…e o nome

O hatch da Fiat até hoje é lembrado pelas várias cores disponíveis (Foto: Fiat/divulgação)

Na mecânica, sem grandes novidades. A marca utilizava os motores Fiasa 1.0 e 1.5, além do argentino 1.6, primeiro com 8 válvulas e depois com 16 válvulas, superando os 100 cv. O novo carro, batizado de Fiat Palio, uma espécie de flâmula que identificava o brasão de um exército nas batalhas de antigamente, foi guardado a sete chaves até seu lançamento, em abril de 1996.

Na época, eu trabalhava na revista Motor Show e tínhamos um acordo editorial com a revista italiana Quattroruote, pelo qual trocávamos conteúdos. Desde 1994, a publicação já nos informava que tinha fotos do projeto 178, na realidade o futuro Palio. Acompanhávamos o desenvolvimento desde que os protótipos começaram a rodar em testes pela Itália. Publicávamos imagens do então segredo desenvolvido no país e que seria fabricado no Brasil. Sabíamos de antemão que o projeto substituiria o Uno, o que aumentava o interesse em acompanhar sua evolução.

Fiat Prova?

O curioso é que os italianos da Fiat, além da placa “Prova”, que em italiano quer dizer teste, desenvolveram logotipos do novo carro com o nome “Prova”, seguindo o padrão visual de outros modelos da marca. Isso nos levou a acreditar que aquele seria o nome definitivo. Era, na verdade, uma estratégia para confundir jornalistas que fotografavam os protótipos em testes de rodagem e resistência antes da estreia no Brasil. Chegamos a adotar o nome em nossos textos, mas, no final das contas, descobrimos que haviamos sido enganados. Pelo menos, só no nome: nas fotos e outras informações, a precisão falava alto.

Fiat Palio EL 1996 – Foto: divulgação

Sucesso desde a estreia

O fato é que, em 15 de abril de 1996, a Fiat encerrou as especulações e apresentou ao público o modelo que substituiria o Uno. O Fiat Palio não decepcionou. Agradou o consumidor brasileiro e rapidamente se transformou em um campeão de vendas, mesmo diante do sucesso de concorrentes como o Gol “bolinha” e o Corsa. Entre 1996 e 2018, quando saiu de linha, a fábrica da Fiat em Betim produziu cerca de 3,2 milhões de unidades do hatch, sem considerar as versões perua (Weekend), picape (o fenômeno Strada) e sedan (Siena).

Além do Brasil, o Fiat Palio foi um carro global, produzido também na Argentina, Turquia, China, África do Sul, Índia e Rússia, entre outros países. No total, mais de 5 milhões de unidades foram fabricadas no mundo. Nasceu para dar certo e, neste ano, completa 30 anos de história.

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Jornalista na área automobilística há 50 anos, trabalhou na revista Quatro Rodas por 10 anos e na Revista Motor Show por 24 anos, de onde foi diretor de redação de 2007 até 2016. Formado em comunicação na Faculdade Cásper Líbero, estudou três anos de engenharia mecânica na Faculdade de Engenharia Industrial (FEI) e no Instituto de Ensino de Engenharia Paulista (IEEP). Como piloto, venceu a Mil Milhas Brasileiras em 1983 e os Mil Quilômetros de Brasília em 2004, além de ter participado em competições de várias categorias do automobilismo brasileiro. Tem 69 anos, é casado e tem três filhos homens, de 22, 33 e 36 anos.