Palio faz 30: relembre a história do Fiat queridinho dos brasileiros

Poucos carros conseguiram criar uma relação tão próxima com o brasileiro quanto o Fiat Palio. Lançado em abril de 1996, o hatch chega aos 30 anos como um dos nomes mais importantes da indústria automotiva nacional, reconhecido pelo baixo custo de manutenção, preços acessíveis, robustez mecânica e níveis agradáveis de espaço interno e conforto.
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Palio tem origem ítalo-brasileira
O desenvolvimento do modelo contou com a colaboração do Instituto IDEA, de Turim, e do centro de estilo da Fiat. A proposta era clara: substituir o Uno com um produto mais moderno, algo que acabou não acontecendo, e os dois conviveram em paz. De qualquer forma, o resultado foi um carro com linhas arredondadas, capô em ascensão e parabrisas amplo e inclinado. Mesmo com o estepe posicionado sob o assoalho, o porta-malas oferecia capacidade superior à do antecessor, chegando a 280 litros.

Os primeiros
Na estreia, o hatch chegou com carrocerias de três e cinco portas e duas opções de motorização. A versão EL trazia o motor Fiasa 1.5 com injeção multiponto, entregando 76 cv de potência. Já a versão 16v marcou a chegada do motor 1.6 com quatro válvulas por cilindro, importado da Itália, com 106 cv. O desempenho chamava atenção para a categoria: velocidade máxima de 188 km/h e aceleração de 0 a 100 km/h em 9,2 segundos no 1.6 16v.

Ainda em 1996, a linha ganhou as versões ED e EDX com motor 1.0 de 61 cv de potência, também com injeção multiponto, que na época representava a maior potência entre os compactos dessa cilindrada. Em 1998, surgiu a versão intermediária ELX, equipada com o motor Sevel 1.6 de 82 cv, trazido da Argentina. No ano seguinte, essa configuração passou a contar também com o motor Fiasa 1.0, nacional, ampliando a gama.

Reestilização de 2000
A primeira reestilização veio em 2000, com assinatura de Giorgetto Giugiaro. O hatch adotou linhas mais retas, faróis com parábola dupla de superfície complexa, melhorias no sistema de ar-condicionado, novo painel, bancos redesenhados e comando hidráulico de embreagem. Também foi nesse momento que passou a contar com o motor Fire 1.0, nas versões de 8 e 16 válvulas.
Em 2002, a linha ganhou o Palio Fire, voltado a quem buscava menor custo de aquisição e manutenção. Equipado com motores Fire 1.0 de 8 ou 16 válvulas, o modelo entregava bom consumo e desempenho adequado para uso urbano, o que ajudou a fortalecer sua posição entre os compactos de entrada.

2003: novo design
No ano seguinte, uma nova atualização visual, novamente assinada por Giugiaro, trouxe faróis maiores com dupla parábola, nova grade e traseira com linhas mais retas. O modelo também passou a oferecer mais equipamentos, como sensores de chuva e crepuscular, computador de bordo com menus de personalização do carro, airbags laterais, ajuste elétrico do banco do motorista, rádio com CD e MP3 e retrovisor interno fotocrômico, por exemplo.

A linha manteve versões como EX, ELX e HLX, além do Fire com design anterior. Entre os motores, estavam o Fire 1.0, o Fire 1.3 e o 1.8, fornecido pela GM (mesmo de Meriva, Montana, Corsa etc.). Foi nessa fase que a Fiat introduziu seu primeiro motor flex no modelo, o 1.3, que passou a entregar até 71 cv com etanol. Pouco depois, o motor 1.8 GM também adotou a tecnologia, chegando a 110 cv com combustível vegetal.

Em 2005, o Palio ganhou uma opção com proposta mais esportiva: o 1.8 R. Também com motor GM, o modelo trouxe motor com até 115 cv com etanol, suspensão 12 mm mais baixa, molas 15% mais rígidas, amortecedores recalibrados e barra estabilizadora dianteira reforçada. Os pneus passaram a ser 185/60 R14, substituindo os 175/65 R14 das versões convencionais. Foi também o primeiro compacto nacional a oferecer conectividade bluetooth.

2007: design controverso
A terceira reestilização chegou em 2007, com mudanças significativas no visual, que dividiram opiniões: muitos torciam o nariz para esse Palio. A dianteira e a traseira ficaram mais arredondadas, enquanto as laterais ganharam novo vinco na altura das maçanetas. Na versão de três portas, as janelas traseiras passaram a ter contorno mais reto. Os faróis deixaram a configuração de dupla parábola, e o 1.8 R passou a ser oferecido também com cinco portas.

No interior, houve atualizações pontuais. A versão ELX recebeu novo quadro de instrumentos e apoio de braço central, enquanto o banco traseiro passou a contar com três encostos de cabeça de série. A parte mecânica manteve os motores 1.0, 1.4 e 1.8, com mudanças concentradas em pneus mais largos e rodas maiores. No caso do Palio 1.8 R, os pneus passaram a ser 185/60 R15.

2009: mais mudanças
Em 2009, as alterações foram mais discretas, com destaque para os faróis biparábola com refletores elípticos, que melhoraram a iluminação. A versão ELX passou a oferecer motor 1.8 com o polêmico câmbio automatizado monoembreagem Dualogic. Já em 2010, o modelo recebeu o motor E.torQ (1.6 ou 1.8) na versão Essence, elevando o desempenho, com aceleração de 0 a 100 km/h em 9,3 segundos com etanol nas melhores versões. Esse conjunto também foi aplicado em versões como Weekend Adventure Locker e Weekend Trekking.
2011: nova geração
A segunda geração do Fiat Palio foi lançada em 2011, com mudanças mais profundas. Usando plataforma inédita, o modelo ganhou novo design, mais espaço interno e maior oferta de equipamentos. A linha passou a contar com motores Fire 1.0 EVO, Fire 1.4 EVO e 1.6 16V E.torQ, todos flex, distribuídos nas versões Attractive 1.0, Attractive 1.4, Essence 1.6 16V, Essence 1.6 16V Dualogic, Sporting 1.6 16V e Sporting 1.6 16V Dualogic. O Palio 1.8 saía de cena.
30 anos de sucesso
Ao longo de 30 anos, o Palio se consolidou como um dos carros mais representativos do país. Sempre cativou pela robustez, baixo custo de manutenção, preços acessíveis, e níveis elogiáveis de conforto e espaço interno. De quebra, foi parar nas pistas, onde participou de diversos campeonatos sul-americanos, inclusive com 28 títulos em disputas de rally. Sua produção durou até o início de 2018, mas o hatch segue como um dos principais ícones da Fiat no Brasil e parte importante do universo automotivo nacional.


















