Fiat Cronos 1.3 GSR: Foco no conforto e na economia de combustível

Já adianto de início que aprovei o Cronos com direito a alguns méritos. Para uma família de até quatro integrantes, mesmo que grandes, o Cronos dá muito bem conta do recado. Seu porta-malas de 525 litros é elogiável, e ele se destaca nesse quesito do seu irmão Argo, que, com características mecânicas e de espaço interno iguais, possui um porta-malas bem mais contido, com 300 litros. No restante, os dois são bem semelhantes. Mas o Cronos mostrou-se mais adequado para uso familiar, principalmente quando o assunto for viagem. O porta-malas maior é o seu grande destaque em relação ao hatch Argo.

Seu compacto motor 1.3 de quatro cilindros, comando de válvulas único no cabeçote e duas válvulas por cilindro, apesar de construtivamente simples, é um motor dócil no desempenho, com boas respostas ao comando do acelerador e que mostrou como sua grande e principal qualidade o baixo consumo de combustível, seja ele com Etanol ou Gasolina. Esse moderno motor desenvolve, com Etanol, até 109cv e 14,2 mkgf de torque máximo disponível a 3.250rpm. A vantagem da Gasolina é que, apesar do preço, a autonomia do carro chega a melhorar cerca de 30%. Durante o período que avaliei, o Cronos rodou somente com Etanol, pelo desempenho mais vivo e pela vantagem financeira da utilização aqui no estado de São Paulo onde moro. Segundo o Inmetro, com Etanol, o Cronos 1.3 GSR faz 8,9 km/l na cidade e 10 km/l na estrada. Já com Gasolina, as médias sobem para 12,7 km/l na cidade e 14,4 km/l na estrada. Minhas médias de consumo, com Etanol, foram de 9,5/10,0 km/l na cidade e 15,5/16,0 km/l na estrada, sempre rodando em velocidades de 90 a 100 km/h.

O modelo avaliado, que recebe a sigla GSR (Gear Smart Ride ou Condução por Câmbio Inteligente, em português) por possuir um câmbio automatizado de 5 marchas, é indicado para quem não quer mais trocar de marcha manualmente e precisa de espaço interno, mas sem gastar muito com, por exemplo, um crossover ou sedan maior. Essa transmissão funciona como se fosse um câmbio automático, promovendo as trocas de marchas automaticamente em um câmbio convencional de engrenagens. Mas nem tudo são flores: Ele não se comporta tão bem em caso de um estilo de direção “esportivo”, demorando bastante nas reduções e se atrapalhando um pouco nas trocas. Para uma ultrapassagem ou acelerada maior, o ideal é colocar o câmbio no modo manual e fazer as trocas pelas borboletas atrás do volante. Comandado por botões, ele se torna bastante intuitivo e fácil de ser operado. Mas, no geral, conduzindo suavemente, o GSR é bastante satisfatório e cumpre bem sua missão.

Uma característica positiva que chamou minha atenção no Cronos foi o bom aproveitamento do espaço interno. Eu, com 1,84 m de altura e meu filho, com 1,86 m de altura podíamos sentar um atrás do outro sem que a regulagem do banco dianteiro atrapalhasse quem estivesse sentado no banco traseiro. Houve ocasiões que estive sentado no banco traseiro, com as pernas cruzadas e meu filho no banco dianteiro acomodado, com os joelhos longe do painel. Uma situação particularmente rara de ser encontrada em um carro dessas dimensões. Mas esse fato mostrou que a concepção do interior do carro foi muito bem pensada, prevendo o conforto interior, mesmo para as pessoas mais altas.

Outro ponto de destaque do Cronos diz respeito a boa rigidez estrutural da sua carroceria, e essa estrutura bem construída acaba se refletindo em uma dinâmica mais eficiente (As respostas do volante e a performance das suspensões são mais precisas) e, principalmente, o carro mostra resultado superior nos crash-tests. Na prática, um pouco antes do lançamento do Argo, uma unidade em teste do hatch chocou-se frontalmente com um Toyota Corolla, depois de escorregar em uma mancha de óleo da estrada. Apesar da violência do choque e dos dois carros ficarem bastante danificados, apenas o motorista do sedan japonês teve uma fratura na perna e o piloto de testes da Fiat sofreu apenas pequenas escoriações. Esse fato, por si só, mostra que o carro tem um bom potencial quando o assunto é segurança dinâmica. Um fato positivo para o Cronos que tem, praticamente, a mesma estrutura do Argo.

Sem opcionais, o Cronos 1.3 GSR parte de R$66.700, mas o carro das fotos está equipado com todos os pacotes de opcionais mais a pintura metálica, que juntos totalizam mais de salgados R$7.500. Elevando o preço desse Cronos à quase R$75 mil. De série, essa versão batizada de Drive GSR vem com ar-condicionado; direção elétrica; trio elétrico; central multimídia de 7” com Android Auto e Apple Car Play; tela colorida de 3,5” no painel de instrumentos com computador de bordo, calendário e configurações do veículo; borboletas para trocas de marcha atrás do volante; controles de estabilidade e tração; assistente de partida em rampas; piloto automático; sistema Start&Stop; volante multifuncional; entre outros.

Como opcional, está o jogo de rodas de liga-leve aro 15 (De série, as rodas são de aço com calotas); sensor de estacionamento e câmera de ré; faróis de neblina; alarme antifurto e banco traseiro bipartido. O Cronos GSR é bastante elogiável em diversos aspectos, mas por esse preço já vale dar uma olhada, por exemplo, em um Virtus TSI (A partir de R$77.300) que, além de possuir motor 1.0 turbo de 128cv e 20,5 mkgf de torque acoplado a um câmbio automático convencional de 6 marchas, tem porta-malas e espaço interno ainda maiores que o Fiat.

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Douglas Mendonça
Jornalista na área automobilística há 45 anos, trabalhou na revista Quatro Rodas por 10 anos e na Revista Motor Show por 24 anos, de onde foi diretor de redação de 2007 até 2016. Formado em comunicação na Faculdade Cásper Líbero, estudou três anos de engenharia mecânica na Faculdade de Engenharia Industrial (FEI) e no Instituto de Ensino de Engenharia Paulista (IEEP). Como piloto, venceu a Mil Milhas Brasileiras em 1983 e os Mil Quilômetros de Brasília em 2004, além de ter participado em competições de várias categorias do automobilismo brasileiro. Tem 64 anos, é casado e tem três filhos homens, de 17, 28 e 31 anos.
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