ADAS: excesso de confiança nos recursos de segurança pode aumentar acidentes

ADAS

Estudo global da Economist Enterprise, que faz parte da prestigiada revista e site ingleses The Economist, expõe um descompasso preocupante entre a percepção do motorista em relação a acidentes e a avaliação técnica de especialistas em segurança viária. Enquanto 90% dos motoristas em 10 dos principais mercados automobilísticos declaram sentir-se seguros, apenas 45% dos profissionais do setor compartilham desse otimismo. A discrepância ameaça desacelerar ao estimado a 1,2 milhão de mortes em acidentes a cada ano, no mundo. 

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ADAS – Frenagem autônoma de emergência – Foto: Honda/divulgação

O assunto foi destaque em publicação recente do site Automotive News Europe, em artigo do jornalista italiano Luca Ciferri. O alerta partiu do francês Jean Todt, que já comandou equipes Ferrari, de F1 e Peugeot, no Mundial de Resistência, presidiu a FIA (Federação Internacional do Automóvel e inclui Automobilismo) e hoje é enviado especial do secretário-geral das Nações Unidas para segurança viária. 

Mais de 6.100 pessoas na Alemanha, Brasil, China, Coreia do Sul, EUA, França, Índia, Itália, Japão e Reino Unido foram entrevistadas. A lacuna de confiança atinge o ápice no Brasil, China e Índia. Nestes países, 94% dos usuários afirmam sentir-se seguros, embora a taxa média de mortalidade viária alcance 16,2 óbitos por 100 mil habitantes (o dobro da média mundial, de 8,1 óbitos por 100.000). 

Frenagem autônoma de emergência - Foto: Hyundai/divulgação
ADAS – Frenagem autônoma de emergência – Foto: Hyundai/divulgação

Defeitos mecânicos perderam relevância no mapa de acidentes. Apenas 3% dos especialistas os apontam como causa principal. Foco deslocou-se para a eletrônica de bordo. Para 30% dos profissionais, o risco crítico reside no uso incorreto ou desconhecimento acerca dos sistemas avançados de assistência ao motorista (ADAS). Outros 24% dos especialistas citam distração por recursos de infotenimento: GPS, áudio com qualidade cada vez maior e conexão com o celular ao responder ou fazer chamadas. Representam grande potencial de acidentes por excesso de confiança e desatenção. 

Consultor prevê mais crescimento de chineses no mercado

Logo da BYD em um Song Pro - Foto: Lucca Mendonça
Logo da BYD em um Song Pro – Foto: Lucca Mendonça

Murilo Briganti, (Executivo-Chefe de Operações) da Bright Consult, publicou artigo em que afirmava: “E se eu dissesse que, até 2030, o mercado automotivo brasileiro deve crescer cerca de 500 mil veículos, enquanto as marcas chinesas podem adicionar mais de 700 mil unidades no mesmo período? À primeira vista, a conta parece não fechar. Mas ela revela justamente uma das principais transformações em curso no setor: o crescimento do mercado já não será suficiente para acomodar todos os competidores.” 

Jetour T2 4×4 – Foto: divulgação

Ele escreveu hipoteticamente, mas há potencial de realmente acontecer. Marcas chinesas podem decidir construir unidades produtivas a partir do zero (comprar terrenos, erguer fábricas, contratar equipamentos para as linhas de montagem e desenvolver fornecedores locais) ou acertar com fabricantes aqui instalados e assim preencher capacidade ociosa destes. Além disso, ainda há duas fábricas fechadas: uma agora em julho, da Toyota, em Indaiatuba (SP) e outra da Caoa-Chery, em Jacareí (SP), paralisada desde 2022. Esta segunda sujeita a desapropriação pela prefeitura.  

Fábrica da Caoa-Chery em Jacareí (Foto: divulgação)

Pelo menos 11 já anunciaram planos: Geely, GWM (segunda fábrica), Wuling, MG, Jetour, Leapmotor, Dongfeng, Chery, GAC, Changan e BYD. Com imposto de importação de 35% para veículos completos (já em vigor) e desmontados, agora em janeiro de 2027, devem obrigar a produção local 

Fábrica de carros chineses da BYD, em Camaçari (BA) – Foto: divulgação

Também há informações de que a Kia assumirá as importações e também produzir no Brasil, sem participação do Grupo Gandini (a ser indenizado) com especulações sobre o local da fábrica. Toda a negociação vem sendo conduzida pela Kia, não pela Hyundai. O grupo sul-coreano só tem uma fábrica no mundo, a Metaplan America, na Georgia (EUA), onde os modelos das duas marcas são fabricados desde que elétricos ou híbridos. Operações comerciais seguem sempre separadas e competidoras uma com a outra. 

Teste Boreal Techno: bom desempenho e equipamentos

Renault Boreal Techno – Foto: divulgação

Apesar de se tratar de uma versão intermediária, o SUV médio da Renault vem bem equipado. Claro que teto solar elétrico (opcional na Techno), câmera 360º, rodas de 19 pol. (18, nesta versão), bancos com memória e massagem, sistema de som Harman Kardon e tampa elétrica do porta-malas estão reservados para o topo de linha Iconic. 

Renault Boreal Techno – Foto: divulgação

No entanto, a cabine apresenta materiais de acabamento muito bons, duas telas de 10 pol. com reprodução do mapa de navegação no centro do quadro de instrumentos (Waze e Google Maps), carregador de celular por indução, console refrigerado e sensores de estacionamento bastante úteis. O pacote de assistência ADAS inclui ainda frenagem autônoma de emergência, alerta de tráfego traseiro transversal, aviso de saída dos ocupantes e monitor de ponto cego entre outros. 

Renault Boreal Techno – Foto: divulgação

Dimensões (mm): comprimento, 4.556; entre-eixos, 2.702; largura, 1.841 (2.082 com espelhos); altura, 1.646. Volumes (L): porta-malas, 522; tanque, 50. Massa: 1.438 kg. Motor 4-cilindros turbo 1,3 L flex: potência 163/156 cv (E)/(G); torque 27,5 kgf·m (E)/(G). Consumo (Inmetro km/L, cidade/estrada): 7,8/9,4 (E); 11,2/13,6 (G). Alcance (Inmetro km, cidade/estrada): 390/470 (E); 560/680 (G). Tração dianteira. Câmbio automatizado, seis marchas. Aceleração 0 a 100 km/h (s): 10 (E)/10,5 (G). 

Renault Boreal Techno – Foto: divulgação

Ao volante do Boreal, duas características destacam-se: suspensões muito bem calibradas e respostas imediatas do acelerador em todas as situações do dia a dia, tanto em trânsito urbano quanto rodoviário, além de trocas de marchas rápidas. Os três passageiros do banco traseiro têm bom espaço para pernas e ombros. Chama atenção por porte e estilo, além do porta-malas que supera 500 litros.

Renault Boreal Techno – Foto: divulgação

Também conta com freio eletromecânico de imobilização e liberação automáticas nas paradas (auto hold), indispensável nos congestionamentos que hoje alcançam até estradas. Itens interessantes são os clipes opcionais atrás do encosto de cabeça do banco dianteiro com suportes para celular, tablet, copos, cabide, quepe e até lanterna. 

Preço: 199.990. 

Impressões: Jetour T2 4×4 foca no fora-de-estrada severo

Jetour T2 4×4 – Foto: divulgação

Versão XWD 4×4 da Jetour amplia a gama T2 com a topo de linha do SUV híbrido plugável chinês. Atende a uma fatia de mercado bem definida. Embora 90% das vendas de SUVs de aspeto aventureiro se concentrem em configurações 4×2 para uso urbano e rodoviário, cerca de 10% dos compradores exigem capacidade real para superar terrenos difíceis. 

Jetour T2 4×4 – Foto: divulgação

Maior evolução está no conjunto mecânico. Ao motor 1,5 L turbo a gasolina e dois motores elétricos dianteiros, o XWD adiciona um terceiro motor elétrico no eixo traseiro. O sistema integrado desenvolve 597 cv e nada menos que 91,7 kgf·m de torque. Aceleração de 0 a 100 km/h em 5,5 s, apesar de sua impressionante massa de 2.362 kg. A bateria de 43,24 kWh garante até 106 km de alcance no modo 100% elétrico e alcance combinado de até 1.300 km. Suporta carregamento rápido em corrente contínua (DC). 

Jetour T2 4x4 - Foto: divulgação
Jetour T2 4×4 – Foto: divulgação

Para o fora de estrada, o SUV adota tração integral inteligente, bloqueio eletrônico do diferencial traseiro e oito modos de condução, além de amplo pacote ADAS. Destacam-se o Tank Turn (redução do diâmetro de giro em manobras por frenagem automática da roda traseira interna à curva) e o Crawl Mode (gestão automática de aceleração e frenagem em baixa velocidade). O chassi recebeu proteções reforçadas para a bateria e órgãos mecânicos, além de maiores vão livre ao solo e capacidade de imersão. 

No percurso rodoviário de São Paulo a Bragança Paulista, destacou-se pela transição imperceptível entre motores e pelo refinamento de rodagem. Retomadas são vigorosas e estabilidade irrepreensível para o seu porte. No circuito fora de estrada — sob lama, erosões e inclinações laterais — a distribuição eletrônica de torque atuou de forma rápida, quando duas rodas diagonalmente opostas perdem o contato com o chão.

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Fernando Calmon é jornalista automobilístico desde 1967. Edita a coluna semanal sobre automóveis que leva o seu nome, iniciada em 1999 e reproduzida hoje em mais de 70 jornais, sites, blogs e revistas de norte a sul. Também foi correspondente do portal inglês just-auto.com e diretor de redação das revistas Autoesporte (por dois períodos) e Top Carros. Iniciou sua carreira com o automobilismo na TV Tupi (programa Grand Prix) e depois no Primeira Fila (em quatro redes).