Etanol volta a valer mais a pena do que gasolina no Brasil; veja preços

Após meses de competitividade apertada, o etanol voltou a se consolidar como a opção mais econômica para proprietários de veículos flex no Brasil. Impulsionado pelo avanço da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul, o biocombustível encerrou junho com uma relação de preço equivalente a 67,9% da gasolina, índice abaixo do patamar de 70% tradicionalmente utilizado como referência para determinar sua vantagem financeira.
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Os dados são do Monitor de Preços de Combustíveis da Veloe, elaborado com apoio técnico da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Segundo o levantamento, trata-se do menor indicador registrado desde março de 2024, reforçando a recuperação da competitividade do etanol nos postos brasileiros.
A melhora foi resultado direto da queda de 4,7% no preço médio do combustível em relação a maio, a maior redução entre todos os energéticos acompanhados pelo estudo. Com isso, o litro do etanol hidratado passou a custar, em média, R$ 4,265 no país. Nas capitais, o valor médio ficou em R$ 4,425.

Enquanto isso, a gasolina apresentou recuo bem mais discreto. O litro da gasolina comum fechou junho em R$ 6,727, queda de apenas 0,3% frente ao mês anterior. A gasolina aditivada acompanhou o movimento e terminou o período com preço médio de R$ 6,866.
Safra de cana amplia oferta e pressiona preços
De acordo com a Veloe e a Fipe, a principal explicação para a queda do etanol está no avanço da moagem de cana-de-açúcar na região Centro-Sul, responsável pela maior parte da produção nacional. O aumento da oferta contribuiu para reduzir os preços e fortalecer a posição do biocombustível diante da gasolina.

Nas capitais brasileiras, a relação entre os dois combustíveis também melhorou. O indicador caiu para 68,5%, mantendo o etanol abaixo do limite considerado vantajoso para a maioria dos veículos flex atualmente em circulação. O resultado interrompe um período em que a relação de preços vinha oscilando próxima ou acima dos 70%, reduzindo a atratividade do combustível renovável.
Diesel acumula altas

Apesar das quedas registradas em junho, os derivados de petróleo ainda carregam os impactos dos reajustes acumulados ao longo do primeiro semestre. O diesel comum recuou 2% no mês e fechou junho em R$ 6,988 por litro. Já o diesel S-10 caiu 1,4%, para R$ 7,111. Mesmo assim, ambos seguem como os combustíveis com maiores altas acumuladas em 2026.
Segundo o levantamento, o diesel S-10 registra valorização de 15,1% no ano, enquanto o diesel comum acumula aumento de 14,1%. A gasolina comum, por sua vez, sobe 7,1% no período, enquanto a aditivada avança 6,8%. O etanol é a exceção entre os principais combustíveis, apresentando queda acumulada de 4,7% em 2026.

Cenário internacional
Embora o mercado tenha mostrado sinais de acomodação nas últimas semanas, a evolução dos combustíveis continua dependente de fatores externos e internos. De acordo com Mauro Kondo, superintendente de Negócios B2B da Veloe, o etanol foi o principal destaque de junho graças ao aumento da oferta, enquanto gasolina e diesel permanecem mais sensíveis às oscilações do petróleo e à dinâmica de repasses do setor.

Além da safra sucroenergética, o levantamento destaca que a redução parcial das tensões envolvendo o transporte marítimo no Estreito de Hormuz ajudou a aliviar parte da pressão sobre as cotações internacionais do petróleo. Ainda assim, a demanda aquecida por transporte e logística no Brasil continua sustentando o consumo de combustíveis em níveis elevados.








