(Comparativo) Fiat Cronos Drive 1.8 vs. VW Voyage 1.6 AT: veja a melhor opção entre os sedãs automáticos de entrada

A comodidade dos câmbios automáticos está cada vez mais popular no Brasil, seja nos carros, motos, caminhões ou até nos ônibus urbanos, mesmo que os mais puristas não gostem. E isso só tende a crescer, afinal os modelos sem pedal de embreagem estão cada vez mais acessíveis por aqui (leia-se menos caros), principalmente quando falamos de carros de passeio com vocação mais familiar, que costumam unir bastante conforto, espaço interno decente e porta-malas espaçoso. Nesse caso, fica difícil não se lembrar dos polêmicos SUVs, que conseguem unir bem tudo isso e mais um pouco, mas eles não são os únicos que oferecem esses predicados…

Pra quem não tem dinheiro pra comprar um utilitário moderninho, os sedans compactos automáticos também conseguem cumprir tranquilamente os requisitos de um veículo familiar, e ainda são oferecidos por cifras relativamente menores. Nesse comparativo, temos dois ótimos exemplos disso: de um lado o moderno e espaçoso Fiat Cronos na versão Drive 1.8, e do outro o bom e velho Volkswagen Voyage 1.6, ambos nas suas respectivas configurações de entrada com transmissões automáticas convencionais.

Com uma diferença de preço de mais ou menos R$1.500 entre eles, ambos oferecem bons argumentos de compra pra conquistar o consumidor, além de brigarem no segmento dos sedans automáticos mais baratos do país. Mas qual é a melhor compra? Vamos ver…

Visual para todos os gostos

Design dos carros é sempre uma coisa bem pessoal, e o que é lindo para uns pode ser horrível para outros. Mas falando de uma forma mais neutra, essa dupla agrada, cada um do seu jeito: O Voyage, em que pese os mais 12 anos do lançamento dessa geração e diversas reestilizações (em 2012, 2016 e 2018), traz um conjunto harmônico, com linhas mais sóbrias e tradicionais, além de alguns elementos que tentam esconder a idade do seu projeto. O Cronos, pelo contrário, é um carrinho bem mais moderno, e sua estética já segue a dos demais concorrentes, com visual arredondado, muitos vincos e elementos espichados. Qual é o mais bonito? Isso vai do gosto e preferência do freguês.

Conforto, espaço interno e porta-malas: vitórias do Cronos

Nesses três quesitos quem ganha é o Fiat, sem controvérsias nem dúvidas. O Voyage, como todo bom VW, tem um sistema de suspensões mais “durinho”, priorizando mais o bom comportamento dinâmico da carroceria do que a suavidade ao rodar. Enquanto isso, o Fiat é calibrado mais para o lado do conforto, com molas e amortecedores mais “molengas”. Na prática, o Cronos acaba absorvendo melhor as irregularidades do piso, e, juntamente com seus bancos mais macios e ergonômicos, acaba oferecendo um rodar um pouco mais confortável do que o VW.

Falando de espaço interno, o Cronos é maior em praticamente tudo: comprimento (4,36 m, contra 4,21 m do Voyage), largura (1,72 m, contra 1,65 m), altura (1,50 m, contra 1,46), e, principalmente, entre-eixos (2,52 m, ou seja, 6 cm a mais que o Voyage). Na prática, apesar das medidas do Cronos não serem assim tão maiores que as do Volkswagen, ele conta com algumas soluções inteligentes para garantir uma habitabilidade melhor no seu interior (painel mais recuado na região das pernas e assento do banco traseiro mais curto, por exemplo), e isso acaba fazendo uma diferença e tanto na hora de carregar o carro com mais pessoas.

Cm 525 litros, o Cronos fica no Top 10 de sedans com maior porta-malas do Brasil

Mas não pense que o VW desaponta: apesar do seu projeto mais antigo não oferecer as mesmas “sacadas” de aproveitamento de espaço, ele também acomoda com relativa tranquilidade até 4 adultos e uma criança no meio do banco de trás. O fato que comprova isso é ele ter fama de queridinho entre os taxistas e motoristas de aplicativo.

Outra coisa que o Fiat leva uma vantagem e tanto é na capacidade do porta-malas: são nada mais, nada menos do que excelentes 525 litros pra carregar toda a bagagem dos seus cinco ocupantes (e talvez ainda sobre espaço), ou seja, 45 litros a mais que seu concorrente alemão, que leva até 480 litros.

Dirigibilidade e segurança: os dois empatam

VW tem uma dirigibilidade mais apurada, mas perde em segurança

Essas seriam duas coisas que o projeto mais moderno do Cronos poderia fazer a diferença. E até faz, mas não completamente: Voyage tem um comportamento dinâmico mais apurado, com respostas mais rápidas e precisas ao comando do volante, além de ser mais “no chão” na hora de contornar curvas ou fazer desvios bruscos de velocidade. Outro mérito do Voyage é a coluna de direção com ajuste em altura e também em profundidade (o Cronos oferece somente ajuste de altura), o que facilita na hora de encontrar uma boa posição de dirigir. Nesse ponto, o Cronos contra-ataca com o sistema de direção com assistência elétrica, mais leve e moderno que o auxílio hidráulico do Volks.

Em segurança, o sedan italiano leva mais vantagem por oferecer os importantíssimos controles eletrônicos de estabilidade e tração (ESP e ASR), além do monitoramento de pressão dos pneus (TPMS), itens de série nessa versão Drive 1.8 que sequer são oferecidos como opcionais no seu concorrente Voyage. O Fiat ainda conta com uma construção mais refinada e moderna, já tendo um monobloco que utiliza aços de alta resistência contra impactos na sua construção. No crash-test do modelo, realizado pelo Latin NCap em 2019, foram alcançadas 3 das 5 estrelas possíveis para a segurança de adultos, além de 4 em 5 estrelas para a proteção de crianças (e as notas só não foram maiores porque as versões de entrada não oferecem ESP e ASR de série na configuração 1.3 do teste, uma das exigências para gabaritar nos testes do órgão).

A situação do Voyage nos testes de impacto é um pouco diferente: avaliado pela última vez em 2010 com o Gol (o resultado é praticamente idêntico no sedan e hatch, afinal os derivam do mesmo projeto), as notas foram de 3 estrelas para os adultos e 2 para as crianças. Mas esses parâmetros de 10 anos atrás praticamente não valem mais nada hoje em dia, afinal as regras do Latin NCap ficaram muito mais exigentes desde então, e a família Gol/Voyage também passou por algumas melhorias ao longo desses anos, incluindo reforços estruturais na carroceria e a adoção de equipamentos de segurança (como sistema ISOFIX para cadeirinhas e cinto de três pontos para o passageiro traseiro central).

Mecânica: Voyage tem menos potência, mas oferece um conjunto mais bem acertado

Pode parecer controverso, mas o Voyage é equipado com uma motorização bem mais moderna que a do Cronos, e isso, já adiantando, lhe garante a vitória quando falamos de trem de força. Sob o capô desse VW, brilha o 1.6 16V da família MSI, derivado do 1.0 MPI de três cilindros. Com bloco fundido em alumínio e duplo comando de válvulas, ele desenvolve 110/120 cv e bons 15,8/16,8 mkgf de torque (gasolina/etanol, respectivamente), e é acoplado à uma transmissão automática de 6 marchas fornecida pela Aisin (a mesma que equipa modelos de diversas outras marcas aqui no Brasil, inclusive a Fiat com o Cronos 1.8).

O conjunto, apesar de ser um tanto anestesiado pela proposta mais urbana do modelo, responde muito bem ao comando do acelerador, tornando fácil a realização de ultrapassagens ou retomadas de velocidade. Mas se você precisar de uma potência extra, o modo Sport do câmbio garante um comportamento mais arisco, com as trocas de marcha podendo ser feitas tanto na alavanca quanto nos paddle-shifts atrás do volante. Ele também é mais econômico, conseguindo médias de consumo na casa dos 13,5 km/l de etanol no percurso rodoviário, sempre rodando em velocidades ao redor dos 110 km/h. O que também contribui com essa união agradável entre desempenho e economia é o seu baixo peso: 1.059 kg nessa configuração.

O Fiat Cronos Drive 1.8 traz o conhecido 1.8 16V E.TorQ, o mesmo que equipa diversos carros da FCA há algum tempo, e que teve sua origem em meados dos anos 90, ainda na variante 1.6 (leia a história dele aqui). Apesar da fama de ter pouco torque nas baixas rotações e gastar mais combustível do que deveria (querendo ou não, duas verdades), esse motor também já se adequou a algumas “modernidades” como o cabeçote inteiro em alumínio (o bloco ainda é de ferro fundido) ou o uso de corrente ao invés de correia dentada, por exemplo. Hoje ele desenvolve bons 135/139 cv e 18,8/19,3 mkgf de torque (gasolina/etanol, respectivamente), e, como dito antes, trabalha em conjunto com o mesmo câmbio automático Aisin de 6 velocidades que equipa o VW Voyage.

Na prática, o Cronos Drive 1.8 deixa um pouco a desejar em matéria de potência, culpa principalmente do baixo torque em rotações abaixo dos 3.000 rpm. Fica para a transmissão automática a incumbência de driblar esse problema, reduzindo as marchas sempre que possível, com intuito de manter o motor mais “cheio” e o mais próximo possível dos 3.750 giros, momento exato que esse 1.8 E.TorQ está com 100% do seu torque disponível. Mas não se assuste, afinal esse comportamento no Cronos é praticamente exclusivo dos circuitos urbanos, onde se tem muitas variações de velocidade e mudanças de situações. Em contrapartida, os números de consumo na estrada se tornam mais agradáveis: rodando a 110 km/h e com etanol no tanque, o computador de bordo registrava médias na casa dos 12,0/12,5 km/l.

Analisando os números de desempenho oficiais fornecidos pela Fiat e VW, os dois carros andam praticamente juntos na prova de 0 a 100 km/h: enquanto o Cronos cumpre em 9,9 segundos, o Voyage faz em 10,1 segundos, ambos abastecidos com etanol.  Considerando que o sedan italiano pesa exatamente 100 quilos a mais que o VW (ou seja, 1.159 kg), o motivo dos dois praticamente se igualarem em desempenho é facilmente explicado pelas relações peso X potência parecidas entre eles.

Preço e conteúdo: a decisão final

Nos equipamentos, os dois trazem em comum o ar-condicionado manual, direção com assistência, vidros dianteiros elétricos, travas elétricas, banco do motorista com ajuste de altura, desembaçador do vidro traseiro, chave canivete e rodas aro 15 com calotas.

Com preço básico de R$72.500, o Voyage 1.6 Automático tem uma lista de equipamentos bem enxuta, e além dos itens citados ali em cima, oferece o prático porta-celular no painel e…nada mais. Ele segue à risca o lema do “somente o necessário”, trazendo basicamente os mesmos equipamentos de um subcompacto intermediário, e olhe lá. Mas, para deixar esse sedan alemão mais “apresentável”, o ideal é equipá-lo com todos os opcionais disponíveis, que juntos somam aproximadamente R$6 mil ao valor inicial do modelo. No final, um Voyage equipadinho igual ao das fotos sai por exatos R$78.460, pintado com o preto sólido gratuito.

Já o Cronos Drive 1.8, custando R$74 mil sem os equipamentos extras, ganha de lavada por trazer de série maçanetas e retrovisores pintados na cor do carro, painel de instrumentos com tela multifuncional de 3,5”, computador de bordo, luzes com função “follow me home”, assistente de saída em rampas (Hill Holder), faróis com assinatura em LED, sensor de estacionamento traseiro, volante multifuncional, saída USB para os passageiros traseiros, e até mesmo a central multimídia UConnect de 7” com conexões Android Auto/Apple CarPlay, tudo isso já embutido nos R$73.990 da configuração básica.

A unidade avaliada, equipada com o pacote opcional Convenience (R$3.290) e pintura perolizada (R$1.790), sai por R$79.070, cerca de R$600 a mais que o Voyage mais equipado (que já traz as rodas de liga-leve, faróis de neblina e paddle-shifts no volante). Fora o kit Convenience, ainda existe um segundo pacote opcional para esse Fiat: o Stile 2, que custa R$4.290 e aí sim adiciona as rodas de liga-leve, piloto automático, volante em couro com paddle-shifts, faróis de neblina e bancos bipartidos. Com ele incluso, o Cronos Drive 1.8 acaba ficando com uma lista de itens de série bem próxima do Voyage, mas seu preço sobe para R$83.360.

Agora no final, depois desses valores e conteúdos, fica a dúvida: Cronos ou Voyage? A resposta é: Depende. O Fiat é mais moderno, traz bastante conteúdo de série e oferece espaço interno maior, mas ele vale mais a pena se for adquirido na configuração básica (de R$74 mil, sem nenhum adicional), porque seus pacotes opcionais são mais caros. O Voyage também não deixa de ser uma boa compra apesar da sua concepção antiga, e acaba sendo o melhor negócio quando falamos de uma configuração completa, com tudo que se tem direito. Mas, indo contra tudo isso, há quem goste mais de um Voyage 1.6 Automático básico do que um Cronos Drive 1.8 completo, e vice-versa. Tem gosto pra tudo, e carro para todos.

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