Carros elétricos mostram um panorama com mais altos do que baixos em Sorocaba

Carros elétricos não são novidade. Na realidade, nessa nova fase, trata-se de uma “ressurreição” de uma propulsão explorada, primeiramente, no início dos anos 1900. Agora, claro, com mais tecnologia, computação, compostos químicos e por aí vai, que permitem uma operação muito mais segura, eficiente e funcional dos tais modelos a bateria. Não é novidade, porém agora parece que tudo vai bem, obrigado.
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A eletrificação demorou um tanto a mais para aportar no Brasil, pegando força por aqui principalmente no período pós-pandêmico, de 2022 ou 2023 em diante. Grandes incentivadores disso foram os chineses, como a BYD, que hoje domina o mercado de EVs com o Dolphin Mini. Mercado esse que, aliás, mostra crescimento anual constante, de acordo com órgãos como Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) ou ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), que medem os emplacamentos de veículos no Brasil.

Segundo a Fenabrave, no acumulado de 2025 (entre janeiro e outubro), foram cerca de 60,7 mil carros elétricos emplacados, contra 50,7 mil do mesmo período de 2024, o que representa um salto de quase 20%. Número muito acima dos 7,6% de expansão do mercado automotivo brasileiro nessas mesmas datas.
Sorocaba: ritmo acelerado
Enquanto isso, se Brasil afora os carros elétricos vão tomando espaço, a situação de Sorocaba, uma das cidades mais importantes do interior paulista, não é diferente. Por lá, o setor começou a tomar seu devido espaço desde 2022, conforme indicam dados da ABVE. Desde então, a crescente chega a aproximadamente 677 pontos percentuais, considerando 43 exemplares registrados em 2022 versus os 338 emplacados no município durante todo o ano de 2024. Até outubro de 2025, já falamos de 334 carros, indicando que a métrica será ainda maior ao final desse ano.

Por mais que impressione, essa marca é mais baixa do que a média geral de crescimento dos EVs por todo o Estado de São Paulo, que cravou nada menos que 1.325% de expansão de 2022 para outubro de 2025. Hoje, pela ABVE, a frota paulista de carros elétricos beira os 40 mil exemplares, claro que desconsiderando outras tecnologias de motorização híbrida (MHEV, HEV, PHEV, EREV e afins).

Na realidade, a escalada dos carros elétricos é contínua e progressiva na região. Novamente, grande responsável por esse processo foi a chinesa BYD, que se instalou em Sorocaba em 2023, e desde então marcou domínio: a ABVE aponta que quase 7 a cada 10 EVs vendidos no município são da tal marca, dona de exatos 66,7% do mercado de carros elétricos na cidade. Fica, ainda, bem distante da segunda colocada, a sueca Volvo, que ronda os 9,5% de share. Ambas, vale falar, são representadas em Sorocaba pela rede Maggi de concessionárias.

Hoje, mais de 20 marcas de carros de passeio tem modelos com propulsão elétrica na sua linha, e o número vêm se expandindo, especialmente ao considerar as chinesas. Só na última edição do Salão do Automóvel de São Paulo, por exemplo, três novas fabricantes com modelos elétricos começaram suas operações: Denza (braço da BYD), Changan (braço da Chery) e MG Motor, sem contar a Leapmotor (Stellantis). E, das presentes no país, boa parte delas possui lojas em Sorocaba: BYD, GWM, Geely, Zeekr, GAC, JAC, além de Volvo, Peugeot, Renault e Chevrolet, fortes nos EVs.

Lojistas apostam (e comemoram)
Henry Lau, gestor de vendas da Maggi BYD, diz que nota procura, e negócios fechados, cada vez mais frequente na loja onde trabalha: “40% das nossas vendas, hoje, são de Dolphin Mini, o elétrico mais vendido do Brasil”. E justamente o público dono de carros a combustão são os mais interessados nos 100% elétricos, como comprova o gestor. “o elétrico tem custo de recarga de praticamente 1/3 do valor de abastecimento de um modelo convencional, então é essa economia que o consumidor mais busca”, afirma.
Confira a entrevista completa:
Enquanto isso, na revenda Maggi Volvo, o queridinho é o EX30, que também figura entre os 10 elétricos mais emplacados em Sorocaba. Marcelo Xavier, executivo de vendas, não soube quantificar, mas garantiu que nenhum outro EV da marca sueca vendeu tanto quanto o SUV pequeno.
Seu público, porém, já é maior conhecedor de modelos elétricos, como explica Carolina Veiga, também executiva de vendas: segundo ela, os clientes dos Volvo à bateria normalmente já tiveram um outro EV de menor valor, como um BYD, e depois tomaram confiança na tecnologia, migrando para um modelo premium, de maior valor. Outra parcela é de clientes da marca que passaram de modelos a combustão, ou híbridos, para os 100% elétricos. Todos buscam tecnologia, silêncio e economia, diz.

O que dizem os proprietários de carros elétricos?
Luiz Teodoro Mendes, cirurgião plástico de 55 anos, se diz fã de tecnologia. Por isso, há quase quatro anos já migrou para um modelo híbrido, com motor a gasolina e elétrico, a fim de conhecer como o sistema funcionava. Passou cerca de dois anos e meio com o carro, e logo encarou a missão de comprar um totalmente elétrico. Como buscava segurança e requinte, e já era cliente da marca, partiu para um Volvo EX30.
Confira a entrevista completa:
Mendes está com o carro há pouco mais de 1 ano, e viaja certa distância diária, o que levou a quase 23 mil km percorridos com o SUV. Até o momento, elogia com frequência o custo muito inferior para manter o veículo, seja no abastecimento ou revisões. “fiz a revisão dos 20 mil km há poucas semanas, e trocaram só o filtro do ar-condicionado, praticamente”, comenta, alegre. Até agora, esse sentimento é o que tem definido sua experiência no ramo, e diz que deve comprar outro EV futuramente.
Alexandre Passos, motorista de aplicativo, possui um JAC E-JS1, chinês, há dois meses. Já trabalhava, antes, com um hatch flex, e partiu para o modelo elétrico em busca de gastar menos dinheiro, o que acontece de fato, segundo ele: “antes era R$ 150 ou R$ 200 de combustível por dia, e hoje não gasto mais de R$ 70 com recarga”, defende. Os dois valores, segundo ele, para rodar 200 km/dia, em média.

Hoje, o E-JS1, apesar de não ser dos mais modernos, pode ser encontrado a bons preços nas concessionárias da JAC. Prova disso foram os R$ 97 mil que Passos diz ter pagado no seu exemplar, fabricado em 2024 e proveniente de estoque de concessionária. “Dei meu outro carro de entrada, parcelei o resto, e acredito que fiz um baita negócio”, brinca.
Recarga não segue o ritmo
Sorocaba conta hoje com cerca de 47 eletropostos, segundo pesquisa de 2024 da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) em parceria com a Tupi Mobilidade. Esses pontos de recarga estão espalhados por supermercados, hotéis, shoppings, concessionárias, comércios e até clubes. Número bem abaixo da demanda: considerando os 804 carros de passeio registrados no município, falamos de 17 veículos para cada eletroposto. Isso se todos estiverem em operação.

Melhor forma de comparar é com a cidade de São Paulo, que acumula mais de 2 mil eletropostos para cerca de 14,1 mil carros elétricos, uma média de 7 exemplares para cada ponto de energia. Essa conta, lógico, desconsidera a boa parte dos proprietários de EVs com wallboxes ou carregadores particulares. São dados da ABVE, também.
Fontes de recarga é outro ponto em que tanto concessionários quanto consumidores apoiam uma expansão e investimentos por parte dos órgãos públicos da cidade. Entrevistados, os revendedores das fabricantes alegam que possuem eletropostos para clientes, porém reconhecem a falta de pontos em locais públicos de Sorocaba. Luiz, dono do Volvo EX30, fala o mesmo, citando até mesmo o Uruguai como exemplo a ser seguido: “lá existem pontos de recarga de carros elétricos nas ruas, é muito legal”.

Povo pede (mais) incentivos
Questionados sobre possíveis incentivos para fortalecer a presença de carros elétricos em Sorocaba, tanto consumidores quanto especialistas ou vendedores foram assertivos: isenção ou maior redução nos valores de IPVA seriam uma alavanca importante no processo. Hoje, a cidade cobra apenas 50% do imposto para donos de EVs e híbridos.

Henry Lau, da BYD Maggi, vai além e apoia a isenção total, como acontece no Distrito Federal ou no Rio Grande do Sul, por exemplo. “qualquer incentivo maior ajudaria a vender”, alega o gestor de vendas. Luiz Mendes, proprietário de um EV, segue uma linha de raciocínio similar: “essa deveria ser uma estratégia bem pensada”.

Resultado de mais altos do que baixos
Até agora, o mercado de carros elétricos em Sorocaba caminha de forma acelerada, numa crescente que até supera a média do país. Se a infraestrutura ainda deixa a desejar, o público consumidor vai se deleitando com a tecnologia e vantagens dos EVs, especialmente na ofensiva de modelos chineses que andam desembarcando em solo nacional. No frigir dos ovos, um setor com mais altos do que baixos…








