Carregadores para carros elétricos já são quase 30 mil no Brasil; rede cresceu 77%

O Brasil se aproxima da marca de 30 mil carregadores para carros elétricos disponíveis em locais públicos e semipúblicos. Em agosto de 2026, eram 29.866 pontos de recarga espalhados pelo país, crescimento de 76,9% em apenas 12 meses. Em agosto do ano passado, a infraestrutura nacional somava 16.880 unidades.
Leia mais:
Carros elétricos desvalorizam mais? Estudo mostra diferenças de até 6%

Os números fazem parte de levantamento da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) em parceria com a Tupi, plataforma de mobilidade elétrica. Na comparação com a medição anterior, referente a junho, foram acrescentados 4.437 carregadores para carros elétricos à rede brasileira, expansão de 17,4%.
O avanço acompanha o aumento da frota de veículos eletrificados que precisam ou podem ser conectados à tomada. Considerando os emplacamentos entre 2022 e agosto de 2026, o país acumula 639.133 carros elétricos e híbridos plug-in (PHEV), segundo o estudo. Desse total, 313.140, ou 49%, são modelos totalmente elétricos, enquanto 325.993, equivalentes a 51%, são híbridos plug-in. A relação atual é de aproximadamente 21,4 veículos plug-in para cada ponto público ou semipúblico de recarga.

Carregadores rápidos ganham espaço
Além de crescer em quantidade, a infraestrutura brasileira está mudando de perfil. Dos quase 30 mil carregadores para carros elétricos disponíveis, 61,8% são equipamentos AC, utilizados principalmente para recargas mais lentas, enquanto 38,2% trabalham em corrente contínua (DC), destinada às cargas rápidas.
Essa segunda categoria vem avançando em ritmo consideravelmente maior: em agosto de 2025, havia 3.855 carregadores para carros elétricos DC no Brasil. Um ano depois, o número informado pela ABVE e Tupi chegou a 11.397, expansão de 195,6%. A participação dos rápidos também aumentou. Em fevereiro de 2025, somente 16,4% da infraestrutura nacional era DC. A fatia passou para 22,8% em agosto daquele ano, chegou a 30,6% em fevereiro de 2026 e alcançou os atuais 38,2%.

Dos 4.433 novos carregadores para carros elétricos considerados pela entidade entre os dois levantamentos mais recentes, 2.792 eram DC, correspondendo a 63% das novas instalações. No trimestre anterior, os rápidos haviam respondido por aproximadamente metade da expansão.
Isso não significa que os equipamentos AC tenham parado de crescer. A infraestrutura de carga lenta avançou 41,8% em 12 meses, passando de 13.025 para 18.469 pontos. Esse tipo de carregador é utilizado principalmente em locais nos quais os veículos permanecem estacionados por períodos mais longos, como condomínios, escritórios, estacionamentos e bases de frotas.

Quase 2 mil cidades já têm carregadores para carros elétricos
A expansão também está levando a infraestrutura para mais municípios. A contagem provisória do levantamento identifica 1.911 cidades brasileiras com ao menos um ponto de recarga, 31,6% a mais que as 1.452 registradas em agosto de 2025. Considerando somente os carregadores rápidos, 1.156 municípios já contam com pelo menos um equipamento DC. Em junho, eram 1.021.

A maior quantidade de municípios atendidos está no Sudeste, com 667 cidades, seguido pelo Nordeste, com 511, Sul, com 488, Centro-Oeste, com 196, e Norte, com 94. A distribuição dos próprios carregadores, porém, apresenta diferenças importantes: o Sudeste concentra 42,4% de toda a infraestrutura brasileira, mas somente 27,9% dos equipamentos da região são rápidos. No Norte, os DC já representam 58,1% da rede. A participação é de 49,6% no Nordeste, 45,9% no Centro-Oeste e 41% no Sul.
São Paulo tem a maior rede do Brasil

Entre os estados, São Paulo permanece isolado na liderança, com 7.864 carregadores para carros elétricos públicos e semipúblicos. O Paraná aparece em segundo, com 2.513, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 2.422, Santa Catarina, com 2.333, e Minas Gerais, com 2.295. São Paulo também teve o maior crescimento em números absolutos no último trimestre, adicionando 910 pontos à infraestrutura. Entre os dez estados com as maiores redes, Pernambuco apresentou a maior expansão proporcional no período, de 41,7%.
O domínio paulista se repete entre as cidades. A capital de São Paulo soma 3.101 pontos de carregadores para carros elétricos identificados, quase três vezes os 1.225 de Brasília, segunda colocada. Rio de Janeiro aparece com 1.071, seguido por Curitiba (796) e Goiânia (531).

Apesar do avanço, a ABVE aponta que a expansão dos carregadores para carros elétricos de alta capacidade passa a enfrentar outro desafio: a conexão de equipamentos de alta potência à rede elétrica. Segundo a associação, custos menores dos carregadores e ganhos de escala ajudaram a acelerar as instalações, enquanto os prazos e condições para novas conexões à rede de distribuição ganharam importância para os operadores.
O assunto está em discussão na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que abriu em setembro a Consulta Pública 033/2026 para debater mudanças nas regras de conexão de tecnologias como veículos elétricos, armazenamento de energia, geração distribuída e cargas flexíveis.








