BYD Han: de pioneiro a esquecido, sedanzão de luxo com 517 cv tem futuro incerto

Quem lembra do BYD Han? Se você responder que não, fique tranquilo: muita gente acabou se esquecendo do segundo carro de passeio lançado pela marca chinesa no Brasil, lá em abril de 2022. Na época chamativo pelas linhas arrojadas e esportivas, proposta bastante luxuosa e tecnologia de ponta, tudo por um preço honesto para aquele mercado, hoje ele é o carro menos vendido da BYD no Brasil em 2026. Foi de pioneiro à esquecido em pouco mais de quatro anos, mas, o que houve?
Leia mais:
(Avaliação) BYD Tan EV 2024: dinastia reforçada
Como é o BYD Han?
Antes, vale falar um pouco sobre o tal do BYD Han. Com quase 5 metros de comprimento e 2,92 m de distância entre-eixos, foi a fonte de inspiração de design para modelos menores da marca, como o Seal 100% elétrico e até o King, onde ambos trazem traços que surgiram antes no irmão maior. Design, vale falar, bastante arrojado, dinâmico e esportivo, especialmente para os idos de 2022, onde os elétricos mais vendidos eram os Audi e Volvo, principalmente. Era uma época inicial da eletrificação no Brasil: poucas (e caras) opções, baixa concorrência, eletropostos ainda raros pelas ruas, e modelos com limitações sérias de autonomia e recarga. Outro mundo.

Por essas e outras, na época, o BYD Han deu uma balançada no mercado. Entregava mais do que qualquer rival, inclusive na autonomia (mais de 500 km, pelo ciclo NEDC), e ainda custava um preço que, na época, era bastante competitivo para um elétrico do seu naipe: R$ 540 mil, valor que, aliás, sofreu mínimo aumento de lá para cá (hoje sai por R$ 560 mil), por conta da popularização dos elétricos e mudanças desse mercado. De qualquer forma, sempre foi um carro de nicho, com vendas mais restritas, público-alvo específico, bem diferente de modelos de volume da marca, como vieram depois os BYD Song ou os Dolphin, por exemplo.

Viu a família crescer
Aliás, o BYD Han viu esses, e todos os outros carros da marca, nascerem no mercado brasileiro de lá pra cá. Alguns deles, como os BYD Song, por exemplo, até passaram por mudanças profundas de design e tecnologias, enquanto os elétricos, em especial os Dolphin, brilharam como nunca. Até mesmo o SUVzão Tan EV, elétrico, passou por melhorias para a linha 2024, mostrando vendas mais expressivas, também. Porém, o sedanzão seguiu discreto, meio de escanteio, sem maiores novidades: o mercado de carros elétricos caminhou bastante, mas o BYD Han acabou parado no tempo.

Mudou pouco
Maior prova disso é que, em quatro anos de Brasil, enquanto outros chineses receberam novidades muito mais poderosas, ele pouco mudou. Ganhou novo desenho para as rodas aro 19 (parecido com o antigo), detalhes modificados nos parachoques (para ficar mais parecido com o Tan reestilizad0), e mudanças pontuais no interior, como emblema do volante, layout da multimídia, ou novos bancos dianteiros, com encostos de cabeça embutidos e formato mais esportivo. Essas mudanças vieram para cá no final de 2022, como linha 2023.

Sim, o BYD Han foi atualizado uma única vez, meses depois do lançamento inicial no mercado nacional, mas essas novidades já estão prestes a completar quatro anos, também. Na ocasião, veio um motor elétrico um pouco mais potente (517 cv) e forte (71,4 mkgf), bateria de tração com maior capacidade (85,4 kWh), autonomia mais generosa (610 km pelo ciclo NEDC), e evoluções pontuais de gerenciamento de energia, suspensões e afins. Assim ele segue até hoje, porém com autonomia reduzida para 349 pelas medições do Inmetro, um tanto pessimistas. Nada mais.

Vendas tímidas do BYD Han
Vendas? Segundo dados da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), são 136 BYD Han emplacados por aqui, menos do que a vanzinha T3, que já saiu de linha, ou do que a minivan elétrica D1, também aposentada, que veio apenas para motoristas de aplicativo. Seu equivalente SUV, o Tan EV, conta com quase 850 unidades vendidas. Esses dados consideram desde o início das vendas dos modelos, mas, focando em 2026, a situação do Han é de claro esquecimento: apenas dois carros comercializados desde janeiro, versus 87 do Tan, que segue para o mesmo caminho do ostracismo.

Consultadas, seis concessionárias da marca sequer tem previsões de entrega do BYD Han, alegando que o modelo não tem lotes importados para o Brasil desde 2024, quando veio sua linha 2025. Negam fim de linha, ainda assim, numa conversa alinhada com a da própria BYD, que confirma que o Han segue normalmente à venda no mercado nacional, destinado aos consumidores de maior poder aquisitivo. Ou seja, é como diz o ditado: tem, mas acabou.

Concorrência, e a Denza
O que explica esse fato de o BYD Han ter sido colocado de escanteio pelo mercado, e até pela BYD, são alguns fatores mercadológicos e de estratégia. Primeiro que a concorrência aumentou bastante, e até modelos de marcas alemãs podem ser encontrados por cifras não muito maiores, entregando um pacote, hoje, tão poderoso quanto o do chinês.

Além disso, a BYD voltou-se aos elétricos de baixo custo, e aos híbridos, modelos que emplacam mais, são mais rentáveis e de maior interesse do consumidor brasileiro. Além disso, a marca trouxe ao Brasil a subdivisão Denza, essa sim focada em modelos de luxo. Então, não é de interesse da empresa chinesa vender um velho Han ao invés de um Denza, novinho em folha e mais tecnológico, mesmo que custe algumas centenas de milhares de Reais a mais.
Aos interessados…
De qualquer forma, aos interessados, o BYD Han ainda é um carro moderno, mesmo tendo ficado tanto tempo sem novidades. Tem tração integral permanente (AWD), permite recarga em fontes de até 120 kW de potência, acelera de 0 a 100 km/h em apenas 3,9 segundos, e vem com tecnologias como ajuste elétrico do volante, ajuste elétrico da inclinação do banco traseiro, bancos com ventilação e aquecimento (dianteiros e traseiros), head-up display, multimídia rotativa de 15,6 pol., sistema de som Dynaudio, ar digital automático de três zonas, entre outros. Pode ser pintado de preto, branco ou cinza, sempre com interior em couro mesclando preto e marrom. Quem se habilita?












