Brasil é o maior importador de carros chineses do mundo em 2026, diz pesquisa

Foto de capa: Focke Strangmann/AFP
O Brasil assumiu uma posição inédita no mercado automotivo global e se tornou o maior importador de carros chineses do mundo. Entre janeiro e maio deste ano, o país comprou o equivalente a US$ 5,2 bilhões em automóveis chineses, um avanço de 146,9% na comparação com o mesmo período do ano passado. São dados compilados pela plataforma Machine, plataforma dedicada à mobilidade e entregas.
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Brasil virou forte aposta de marcas chinesas
Os dados mostram como o mercado brasileiro se transformou em uma das principais apostas da indústria automotiva chinesa fora de seu mercado doméstico. O movimento ocorre em meio à expansão das vendas de veículos elétricos e híbridos, segmento em que as fabricantes asiáticas construíram uma forte vantagem competitiva nos últimos anos. Em especial, carros chineses eletrificados, com alta competitividade.
Gasto com carros chineses

Ainda de acordo com dados levantados pela Machine, dos US$ 5,2 bilhões gastos com carros chineses pelo Brasil nos cinco primeiros meses do ano, cerca de US$ 4,5 bilhões correspondem a modelos eletrificados. Com isso, a participação desses veículos nas importações brasileiras de automóveis chineses saltou de 33% em 2021 para 87% em 2025, com fortíssima alavanca dos elétricos e híbridos plug-in, principalmente.

O avanço dos carros chineses, especialmente eletrificados, também pode ser observado entre motoristas de aplicativos. Ainda segundo a Machine, a participação de veículos eletrificados nas frotas utilizadas por esses profissionais cresceu de pouco mais de 2% para mais de 6% entre 2024 e 2026. Entre os novos automóveis incorporados às plataformas, a fatia já supera 20%.

Mais marcas, mais importações
A evolução acompanha a rápida expansão da eletrificação no mercado nacional. Marcas de carros chineses como BYD, GWM e Geely ampliaram sua presença no país nos últimos anos, impulsionadas por uma combinação de preços competitivos, tecnologias embarcadas e uma oferta crescente de modelos elétricos e híbridos. Essas três, inclusive, já possuem fábricas nacionais em operação (caso das duas primeiras), ou então planos concretos de produção brasileira dentro dos próximos meses (Geely). A Chevrolet também monta nacionalmente seus elétricos de origem chinesa, e a MG Motor, também daquele país, quer montar parte do seu catálogo no Ceará em breve.
Os carros chineses elétricos também fazem fortíssima presença dentre os modelos mais vendidos do mercado brasileiro. Entre os destaques, considerando vendas do mês de julho de 2026, estão o BYD Dolphin Mini, BYD Dolphin e Geely EX2, que figuram entre os líderes de emplacamentos da categoria. Juntos, só esses três emplacaram quase 20 mil exemplares no mês. GAC Aion UT e GWM Ora 5, ambos carros chineses, completam 4ª e 5ª posição, somando outros 1.800 carros na conta.

E mais marcas vêm por aí: DFM, Lepas, Arcfox, iCaur, IM Motor, Luxeed, Freelander e Lynk & Co são algumas das empresas com passaporte carimbado para o Brasil, chegando com seus carros chineses em breve. Boa parte delas integram grupos automotivos importantes, e virão como braços de Grupo Chery, BAIC ou DongFeng, por exemplo. As operações nacionais, ainda assim, serão individuais e autônomas na maioria delas. Ou seja: tais números de importações de carros chineses para o Brasil tendem a subir ainda mais, e bastante.

Para que se tenha uma ideia, o primeiro modelo não-chinês a figurar na lista de carros elétricos mais vendidos do Brasil em julho último é o Volvo EX40, SUV premium de fabricação belga, que ocupa a distante 18ª posição do ranking. Os 17 anteriores são de marca chinesa (caso dos BYD, Geely, GWM e afins), tem produção chinesa (Volvo EX30, por exemplo), ou ao menos projeto chinês com montagem nacional (Chevrolet Spark EUV ou Captiva EV). São dados da ABVE, Associação Brasileira do Veículo Elétrico.










