Avaliação: VW Saveiro Cabine Simples 2026 ainda é pau pra toda obra

Em fevereiro de 2024, avaliei uma VW Saveiro pensando ser, aquela, a última vez que faria esse trabalho, afinal era um produto que poderia sair de linha em breve. Ledo engano. Plena metade de 2026, e você ainda pode ir numa concessionária e comprar uma Saveiro zerinho, da linha 2027. Mas talvez isso não vá muito longe, afinal a Tukan, sua substituta direta, chega no começo do ano que vem com mesmos motor e câmbio, e opção de cabine simples para aposentar, de vez, a picapinha veterana.
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Saveiro Trendline Cabine Simples
Passei sete dias a bordo de uma VW Saveiro Cabine Simples 2026, na versão Trendline (mais completa nessa configuração), e quase tudo me convenceu na picapinha. Com exceção do preço, lógico: equipada como a unidade avaliada, com opcionais e cor metálica, ela beira os R$ 135 mil sem choro nem vela, como diz o ditado. É o preço de uma Renault Oroch intermediária, ou mesmo de uma Chevrolet Montana 1.2 turboflex, e ainda pode sobrar algum troco, dependendo da negociação.

A VW Saveiro ainda é pau pra toda obra, e, o melhor, ela parece um carro de passeio, afinal deriva de um. É a última picape nacional, aliás, que nasceu com base em um hatch, já que a Strada atual não tem uma origem bem definida, enquanto Montana e Oroch são parentes de SUVs. Frente a todas essas, ela mostra um comportamento ainda bem espertinho de direção, suspensão e freios, aliados ao centro de gravidade mais baixo e posto de condução igual ao do finado Gol (bom, por sinal).

Justinha e durinha
É um carro justinho e durinho, em que pese a plataforma obsoleta, (probabilíssima) nota zero em um teste de colisão, ou projeto que já tem idade para votar ou comprar bebida alcoólica (ela faz 18 em 2026, aliás). Molas e amortecedores, com viés profissional para carregar carga, optam pelos ajustes robustos e mais parrudos, ainda que o conforto a bordo não seja tão prejudicado assim, enquanto os bancos, seguindo a cartilha velha dos carros da Volks, apostam na espuma mais rígida e tecido mais espesso. Até aí, tranquilo: configuração correta para um carro de trabalho.

Ao volante, apesar da nostalgia digna de um produto vendido há 18 anos ininterruptos (itens como laterais de portas ou bancos são os mesmos desde 2008), algumas vantagens que não estão nas já citadas concorrentes. Sua direção hidráulica, apesar do peso maior, permite uma condução precisa e direta, e há quem diga que até prefira assistência hidráulica ao invés da elétrica (justamente por ser menos anestesiada).
Interior agradável (e apertado)
E o acabamento interno, surpreendentemente, é melhor que o de qualquer uma das picapinhas rivais: bons encaixes, bastante tecido nas portas, aplique prateado no painel e, para fechar com chave de ouro, a mesma instrumentação dos VW Jetta ou Tiguan de outrora (dois clusters analógicos e telinha digital ao centro). Até mesmo a nova multimídia, adaptada (parece ser chinesa, como a da Amarok), cai bem no layout interno da picapinha, com tela de 9 pol., conexões Android Auto e Apple CarPlay (opcional). Ar, direção, vidros e travas elétricas, retrovisores elétricos, computador de bordo, portas USB e volante multifuncional são de série.
O problema da VW Saveiro Cabine Simples é o tamanho da cabine: pequeno, com espaço suficiente para dois adultos e algumas poucas tralhas atrás dos bancos dianteiros. Por essas e outras, até mesmo o trilho dos bancos é curto, limitando o espaço para pernas e pés do motorista, especialmente se ele for de maior estatura. Nesse quesito, até mesmo a Strada com sua chamada Cabine Plus sai na frente, garantindo mais espaço para motorista, copiloto e até mesmo pequenas malas. Montana e Oroch são cabine dupla, com quatro portas.
1.6 16v
Mecanicamente, está tão bem representada que vai ceder o powertrain para a novíssima Tukan nas suas versões de entrada, por exemplo. Sob o capô, o 1.6 16v EA-211, que é forte desde as baixas rotações e entrega boa performance mesmo nos altos giros (milagres das 16 válvulas e duplo comando variável). Especialmente nessa versão com cabine simples da VW Saveiro, mais leve, seus 106/116 cv de potência e 15,4/16,1 mkgf de torque (gas/eta) sobram na hora de mover a picapinha, mesmo quando ela está cheia. Vale falar que a Strada entrega 107 cv e 13,7 mkgf, pesando mais.
Vá-lá: esse 1.6 16v não é dos mais econômicos (com etanol, rondou os 10,5 km/l na estrada e 8,5 km/l na cidade), mas entrega funcionamento suave e silencioso, torque amplo desde os menores giros, e força progressiva de forma correta, sem “buracos” em diferentes faixas de rotação. Casa bem ao câmbio manual de cinco marchas, com relações mais longas a partir da terceira marcha, que explora de forma inteligente a tal ampla faixa de força desse motor (por isso, não o faz trabalhar em altos giros, e permite trocas adiantadas). A 100 km/h, por exemplo, o 1.6 gira a baixos 2.600 rpm.
Câmbio faz a diferença
Ajuda bastante na boa impressão ao dirigir da veterana VW Saveiro a alavanca de marchas sempre ao alcance da mão do motorista, bem como o trambulador justinho e preciso, típico de carros germânicos. Só a ré, vez ou outra, penava um pouco para entrar logo após a partida (com o câmbio frio), mas, de resto, só alegrias. Para completar o kit ergonomia, há ajuste de altura e profundidade da coluna de direção (opcional), ajuste de altura do banco do motorista, e regulagem milimétrica dos encostos (por roldana), muito mais eficiente que a tradicional alavanca. Vantagens do seu projeto dos anos 2000, assim como o acabamento elogiado ali em cima.

Caçamba
E há a caçamba, um dos maiores trunfos de qualquer picape. Com oito pontos para amarração de carga e capota marítima (opcionais), o espaço ronda os 920 litros, e conta com a vantagem do revestimento plástico de série. Sua tampa é leve, mesmo sem qualquer assistência de abertura ou fechamento, e a operação é facilitada pela trava elétrica que pode ser liberada pela chave ou pressionando o logotipo traseiro da VW. Abrir e fechar a tampa da caçamba da VW Saveiro é uma operação que pode ser feita usando apenas uma das mãos, mas a remoção da capota marítima é complicada (só se torna fácil com ajuda de outra pessoa). Ela carrega 664 kg, de acordo com a Volks.

VW Saveiro vai deixar saudades?
A Saveiro, em breve, deve encerrar seu ciclo de vida. E ela se despede com méritos, que vão além do projeto mais do que maduro, incluindo também a mecânica bem acertada, ergonomia correta, notáveis níveis de silêncio a bordo e acabamento interno, ou mesmo a motorização que, de tão boa, vai continuar na sua sucessora. Quem destoa de tudo isso é o preço: por R$ 125 mil básica ou R$ 135 mil completa, a VW Saveiro Trendline passa longe da melhor relação custo X benefício dentre as picapes, ainda mais se levarmos em conta as concorrentes de cabine dupla, quatro portas e cinco lugares. Passados 18 anos, missão cumprida. E que venha a Tukan…




























