(Avaliação) Volkswagen Taos é “mini-Tiguan” ou T-Cross aumentado?

Há quem diga que os carros da Volkswagen têm todos a mesma cara, ou que não despertam tanta emoção assim. Bem, opinião é coisa pessoal, então isso certamente não define de verdade os carros da marca alemã. O Taos, último SUV médio que estreou no mercado brasileiro, tem lá seus diferenciais e um visual bem definido pra cativar como “o carro da família brasileira”, como diz a própria VW. Pelos números de unidades comercializados na pré-venda, cativou mesmo.

Dentro da gama da VW ele tem a companhia do irmão menor T-Cross e do maior Tiguan. A semelhança entre os três vai bem além das aparências, e uma velha dúvida vem à tona novamente: E aí, o Taos está mais pra “mini-Tiguan” ou T-Cross aumentado? Essa é uma pergunta que já rondou outro carro da marca, o Polo, há alguns anos, quando ele era taxado de “mini-Golf” por uns e Golzão por outros. Provavelmente a causa desses embates seja mesmo as linhas do design atual da VW, que sempre tenta manter “tudo em casa”.

O design atual, que tenta alinhar o visual de todos os modelos, é o responsável por toda essa semelhança (Foto: Lucca Mendonça)

Mecânica “feijão-com-arroz”

Apesar de ser vendido em duas versões no Brasil, a mecânica do Taos é sempre a mesma, com motor 1.4 16V turboflex (TSI) com 150 cv de potência e 25,5 mkgf de torque (gasolina ou etanol), além da tradicional transmissão automática Aisin de 6 velocidades. A VW preferiu não ousar com o maior 2.0 TSI nem tampouco com um propulsor a diesel, como faz o Jeep Compass: A receita é bem ao estilo feijão-com-arroz, que não garante um desempenho de tirar o fôlego mas é adequado a proposta familiar do carro. Segundo dados oficiais, o tempo do 0 a 100 km/h fica abaixo dos 10 segundos e a máxima beira os 200 km/h.

Motor 1.4 TSI com câmbio automático Aisin de 6 marchas: mecânica feijão-com-arroz, sem ousadias (Foto: Lucca Mendonça)

Tanto o T-Cross quanto o Tiguan também usam esse conjunto motor/câmbio, dependendo da versão, mas no Taos ele trabalha da maneira mais suave possível, com escalonamento das marchas focando sempre no baixo consumo de combustível, ou seja, trocas adiantadas e evitando reduções (a não ser que realmente precise). Falando nisso, as médias desse SUV médio ficaram dentro do esperado com até 9,0 km/l no percurso urbano e 11,5 km/l no rodoviário, sempre com etanol no tanque e pé leve no acelerador. Nos carros menores esse 1.4 TSI dá um show de economia, mas claro que pra puxar os 1.420 kg do Taos ele precisa beber mais.

Além do trem-de-força, ele, graças a plataforma modular MQB, se sai bem na concepção geral: As excelentes suspensões independentes nas quatro rodas com fixação multibraço do eixo traseiro são de série, assim como freios a disco nas quatro rodas e a direção elétrica com ajuste refinado, típico dos VW (precisa na condução e leve nas manobras). Isso faz dele um dos melhores SUVs médios do mercado nacional quando o assunto é dinâmica da carroceria, estabilidade direcional e em curvas, e eficiência de sistemas de direção e freios, por exemplo.

Os sistemas de suspensão, direção e freios se mostraram muito competentes. Pelas semelhanças construtivas, aqui ele é um “mini-Tiguan” (Foto: Lucca Mendonça)

Mas nem por isso ele perde pontos no conforto ao rodar, e foge à regra da firmeza comum dos carros alemães: O Taos roda macio e as suspensões absorvem bem as irregularidades do solo, sem transferir muito os impactos para os ocupantes. Da mesma forma, o silêncio a bordo também agrada, com bom isolamento acústico dos componentes mecânicos e de ruídos externos. É uma pegada diferente do T-Cross, por exemplo, que tem um “quê” de Polo/Virtus e mantém uma concepção construtiva bem mais simples (suspensões comuns e elementos trazidos do hatch popular), além de um rodar mais áspero, com menos suavidade.

Espaçoso e confortável como um SUV grande

Não é nenhum exagero falar que o Taos é tão espaçoso quanto o Tiguan, em que pese seus 10 cm a menos na distância entre-eixos e 5 cm a menos na altura. A diferença é que o Tiguan hoje é vendido só na configuração de 7 lugares por aqui, já que as versões mais baratas, com cinco assentos, deram lugar ao Taos. E, diga-se de passagem, o novo SUV médio honrou com bastante dignidade a lacuna deixada pelo irmão maior, já que tem no espaço interno um de seus maiores trunfos.

Espaçoso como um SUV grande, ele não fica muito atrás do Tiguan (Foto: Lucca Mendonça)

De cara já se vê que o Taos se sai melhor que seus principais rivais (no caso Jeep Compass e Toyota Corolla Cross) na hora de acomodar os ocupantes, seja no espaço para cabeça, ombros ou pernas/joelhos. Sobra espaço nos bancos dianteiros, e atrás vão até três adultos com certo conforto. A sensação de amplitude causada pelas janelas grandes e o teto “quadrado”, sem curvas ou inclinações, ajudam no bom resultado dessa equação. Coisas que fazem diferença, e muita, principalmente pra quem é grande. Lembrando que o porta-malas, que beira os 500 litros, segue a mesma cartilha.

Por outro lado ele tem um problemão, que já é velho conhecido dos carros feitos sobre a plataforma MQB: túnel central alto e enormes caixas de ar. Quem entra e se senta, principalmente no banco traseiro, tem a mobilidade bem limitada já que fica “encaixado” no seu devido lugar, fora a dificuldade de entrar e sair. O assoalho fica bem abaixo do recorte das portas, o que só complica a vida de crianças ou pessoas idosas que forem andar no Taos. Aqui faltou uma boa pitada da habitabilidade típica dos SUVs, onde a prioridade é fazer algo o mais prático o possível.

Difícil se acostumar com o lado ruim dessa plataforma MQB: Túnel central alto demais e caixas de ar enormes, o que só atrapalha na acomodação dos ocupantes (Foto: Lucca Mendonça)

O veredicto final: Qual é a do Taos?

Ele promete ser um bom SUV familiar, digno de brigar com o queridinho Compass. As semelhanças com os conterrâneos T-Cross ou Tiguan? Existem e são fortes em vários pontos, mas analisando sua construção mais refinada, tecnologia embarcada e até mesmo visual, fica claro que ele é um legítimo “mini-Tiguan”. O T-Cross fica um degrau abaixo, mais enxuto nas suas devidas proporções.

O Taos está mais próximo do Tiguan até na tecnologia embarcada e bons itens de série (Foto: Lucca Mendonça)

O preço desse VW médio fica na média da concorrência: R$162 mil pela versão de entrada Comfortline ou cerca de R$190 mil pela topo de linha Highline, o carro das fotos. São números bem altos, mas próximos dos rivais (e dependendo da situação, até menores). É o preço que se paga para ter um utilitário médio no Brasil.

Um belo SUV familiar, como prometido pela VW (Foto: Lucca Mendonça)

O VW Taos cumpre o que promete em segurança, conforto, espaço interno e tecnologia, alicerces importantes pra um carro familiar. E isso ele realmente é.

Ficha técnica:

Concepção de motor: 1.395 cm³, flex, quatro cilindros, 16 válvulas (quatro por cilindro), turbo, injeção direta de combustível, duplo comando de válvulas, variador de fase na admissão e escapamento, bloco e cabeçote fundidos em alumínio
Transmissão: Automática com conversor de torque e 6 velocidades, com trocas manuais pela alavanca e paddle-shifts atrás do volante
Potência: 150 cv a 5.000 rpm (gasolina/etanol)
Torque: 25,5 mkgf entre 1.400 e 4.000 rpm (gasolina/etanol)
Suspensão dianteira: Independente, McPherson, com barra estabilizadora
Suspensão traseira: Independente, multilink, com molas helicoidais
Direção: Tipo pinhão e cremalheira, com assistência elétrica progressiva
Freios: Discos ventilados na dianteira, discos sólidos na traseira
Pneus e rodas: Goodyear Wrangler, medidas 215/55. Rodas de liga-leve aro 18
Dimensões (comprimento/largura/altura/entre-eixos): 4,46 m/1,84 m/1,62 m/2,68 m
Porta-malas: 498 litros
Tanque de combustível: 51 litros
Peso em ordem de marcha: 1.420 kg
Aceleração 0 a 100 km/h: 9,3 s (gasolina/etanol)
Velocidade máxima: 194 km/h (gasolina/etanol)
Preço básico: R$162.090 (Comfortline) e R$190.290 (Highline)

Itens de série:

“ACC” – Controle adaptativo de velocidade e distância, “AEB” – Frenagem autônoma de emergência, “Keyless” – sistema de alarme anti-furto com comando remoto, 2 luzes de leitura na frente, 6 airbags (2 frontais com desativação do passageiro, 2 laterais nos bancos dianteiros, 2 de cortina), 8 alto-falantes, Alerta sonoro e visual de não utilização dos cintos de segurança dianteiros e traseiros, Antena para recepção AM/FM, APP-connect (Apple Carplay wireless e Android Auto via cabo) e conexão com a internet via Smartphone, Ar-condicionado “Climatronic” com filtro combinado ativo e ajuste de temperatura de 2 zonas, Assento de criança ISOFIX (dispositivo para fixação de 2 cadeiras de crianças no banco traseiro), Assistente para partida em subida, Assistente traseiro de saída de vaga, Banco traseiro inteiriço com encosto dividido e rebatível, Bancos dianteiros aquecíveis, Bancos dianteiros com ajustes elétrico para o lado lado do motorista e ajuste de altura manual para o passageiro, Carregamento de celular por indução, Cinto de segurança automático de três pontos para o banco traseiro central e laterais, Controle de desgaste das pastilhas de freio, Controle eletrônico de estabilidade (ESC) e de tração (ASR), Câmera traseira para auxílio de estacionamento, Descansa-braços central na frente com porta-objetos, saída traseira do ar-condicionado, Detector de fadiga, Detector de pedestre, Detector de ponto cego, Direção elétrica, Entradas USB tipo C (3), Espelho retrovisor interno fotocrômico automático, Espelhos de cortesia iluminados nos para-sóis, Espelhos retrovisores e maçanetas das portas na cor do veículo, Espelhos retrovisores eletricamente ajustáveis, rebatíveis e aquecíveis com função tilt down do lado direito, Faixa de luz de LED na grade frontal, Faróis com sistema de iluminação IQ-LIGHT com ajuste de faixa automática e luzes de curvas dinâmicas, Faróis em ECO LED com função “Coming & Leaving home” e luz de condução diurna em LED integrada, Freio de estacionamento eletromecânico, Frisos decorativos cromados na parte inferior das janelas, Iluminação ambiente no painel, painéis das portas frontais laterais (incluindo luz dos espelhos externos), Iluminação da placa de licença em tecnologia LED, Iluminação no porta-malas, Indicador de controle de pressão dos pneus e sistema de frenagem automática pós-colisão, Lanterna traseira com iluminação em LED, Painel de instrumentos digital programável 10,25″, Porta-luvas iluminado e refrigerado, Porta-óculos, Rack de teto longitudinal na cor prata anodizada, Revestimento das portas dianteiras em “soft-touch”, Revestimento interno do teto escurecido, Revestimentos dos bancos parcialmente em couro, Rodas de liga leve 18″ design “Katana”, Seleção de modo de condução, Sensor de chuva e crepuscular, Sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, Sistema KESSY – acesso ao veículo sem o uso da chave e botão para partida do motor, Sistema multimidia “VW Play” tela de 10″ com resolução HD+, câmera traseira integrada, leitor de MP3 e car menu, Sistema Start-Stop com reaproveitamento da energia de frenagem, Tapetes de tecido dianteiros e traseiros, Tomada de 12 volts no porta-malas e no console central, Transmissão automática de 6 velocidades, Vidros elétricos dianteiros e traseiros com função “one touch” nos dianteiros, Volante multifuncional em couro com shift paddles

Compartilhar:
Tem 20 anos, cursa Publicidade e Propaganda, é filho do jornalista Douglas Mendonça, e desde que se conhece por gente, convive com carros e está envolvido no mundo automobilístico. Aprendeu a ler nas revistas automotivas, cresceu frequentando oficinas, corridas, encontros e eventos com o pai, e daí veio sua maior paixão: os carros. Lucca se tornou o braço direito do pai após sua perda de visão em 2012, ajudando na produção de matérias, reportagens, avaliações e textos. No Carros & Garagem, é responsável pela cobertura de eventos de lançamento de novos veículos, e produz avaliações, fotos e comparativos de modelos.