(Avaliação) Tiggo 5X PRO, o best-seller da Caoa-Chery: sucesso merecido?

Menina dos olhos da Caoa-Chery, o SUV compacto Tiggo 5X, que é montado com certa dose de nacionalização em Anápolis (GO), se garante no posto de modelo mais vendido da marca atualmente: já são quase 35 mil deles rodando Brasil afora desde 2018, ano de sua estreia nacional. Só na pré-venda de lançamento dessa versão premium PRO, aqui avaliada, foram 900 carros em um único dia…

Mais vendido da Caoa-Chery: quase 35 mil Tiggo 5X rodando pelo Brasil (Foto: Lucca Mendonça)

Ela custa R$156.590 promocionais. Por esse preço o consumidor já leva um carro turbo, com suspensões independentes, além de mordomias pra dar e vender, como pede um bom SUV completão. Vale lembrar que esse preço de ocasião não deve durar muito: na realidade, são R$166 mil pela tabela oficial. É próximo daquilo cobrado por um Hyundai Creta Ultimate ou Jeep Renegade S, seus rivais próximos.

Ao menos, por esse preço o consumidor já leva um carro refinado na construção e bastante completo (Foto: Lucca Mendonça)

Grande concorrência, bons diferenciais

Com essa concorrência forte, o Tiggo 5X PRO precisa ter boas cartas na manga. E tem. Conforto e requinte, por exemplo, surpreendem. Ao mesmo tempo que roda macio como poucos, resultado das suspensões macias e pneus borrachudos (a estabilidade sai perdendo, como de costume), ele é extremamente quieto nos mais diversos tipos de uso. Seja na cidade ou estrada, ele privilegia sempre o bem-estar de quem está a bordo com bastante silêncio, poucos ruídos de rodagem ou mecânica com comportamento “liso”.

Suspensões macias e pneus borrachudos dão ao Tiggo 5X muito conforto (Foto: Lucca Mendonça)

Nesse ponto, o Tiggo se passa tranquilamente por um SUV médio, de categoria superior. Perde para eles só no espaço da cabine, digno de compactos: carroceria alta, o que é ótimo, mas estreita e com entre-eixos não muito generoso. E, nesse caso, mais uma vez em prol do conforto, a adoção de bancões “incansáveis” também rouba um tanto do vão das pernas dos ocupantes traseiros, por exemplo. Outro é o porta-malas de 340 litros, não muito maior que o de um hatch pequeno.

Mas o Tiggo 5X PRO é, ainda, um carro familiar com um nível de acabamento e montagem das peças internas que chamam a atenção. Geralmente nem modelos mais caros são tão esmerados, contando com encaixes precisos, boa parte da cabine emborrachada ou iluminação ambiente até no teto panorâmico. Caprichado!

Existe até uma função para as luzes LEDs coloridas do painel piscarem conforme o ritmo da música que estiver tocando. Vale, inclusive, falar também do destacável sistema de som com seis alto-falantes e ótima qualidade, ou de itens interessantes como os ajustes elétricos do banco do motorista, assistente eletrônico de descidas, uma útil câmera 360º 3D, partida do motor à distância e multimídia com mais de 10” (lenta, mas completa). Fica devendo só o carregador de celular sem fio, tão usual hoje em dia.

Painel bonito e repleto de equipamentos (Foto: Lucca Mendonça)

Ao volante, que inclusive poderia ter um curso de ajuste de profundidade maior, o comportamento do carro é interessante, mas não foge à regra dos SUVs: posição alta, direção elétrica leve, boa visibilidade e aquela sensação, adorada por muitos, de se estar a bordo de um carro maior. Tirando o pedal do freio não muito progressivo e algumas…digamos…peculiaridades dos comandos, como só poder zerar o computador de bordo com o carro parado, ele se mostrou muito bem ajustado.

Computador de bordo só pode ser resetado com o carro parado: uma falta grave! (Foto: Lucca Mendonça)

Como anda, e o quanto bebe

Aqui temos um motor 1.5 turboflex da família ACTECO com injeção direta e duplo comando variável. Concepção promissora na teoria, mas nem tanto na prática: 147/150 cv de potência com “apenas” 21,4 mkgf de torque máximo, entregue antes das 1.800 rpm. A ideia é um propulsor não muito exagerado nos números de ficha técnica para (tentar) poupar combustível. A Stellantis, por exemplo, já extrai 185 cv e 27,5 mkgf do seu 1.3 turboflex.

1.5 16V turboflex: não muito potente, mas com bastante sede (Foto: Lucca Mendonça)

Esse 1.5 turbo está associado à uma caixa automática CVT que simula, muito bem, 9 marchas. É das mais lineares e progressivas do mercado. Com a ajuda do conversor de torque para as baixas rotações, o Tiggo 5X PRO tem boa dose de força desde a inércia, fazendo valer as várias posições pré-definidas da transmissão continuamente variável, que são muito bem exploradas pelo gerenciamento eletrônico.

Câmbio CVT que simula 9 marchas: suave, bem programado e linear. Detalhe para o porta celular que parece carregador sem fio, mas não é (Foto: Lucca Mendonça)

Mesmo não sendo dos mais brilhantes, esse conjunto dá muito bem conta do recado. Claro que, dependendo da situação, ele não é tão eficiente quanto um modelo equipado com câmbio automático convencional, por exemplo, mas devemos levar em conta que aqui o foco é a suavidade e conforto. Os dados oficiais apontam pouco mais de dez segundos para ir de 0 a 100 km/h, isso no modo Sport e com o joystick do câmbio colocado para as “trocas de marcha” manuais.

Tiggo 5X tem um conjunto mecânico bom, mas poderia (e deveria) beber bem menos (Foto: Lucca Mendonça)

Todo esse preparo fez do Tiggo 5X PRO um carro econômico? Não! Infelizmente ele gosta de consumir bastante combustível, seja gasolina ou etanol. Com o combustível de cana, é difícil passar dos 7 km/l declarados pelo INMETRO para o ciclo urbano, enquanto no rodoviário, nas situações melhores, ele chega nos 10,0 km/l. Isso com muita sorte, e sem qualquer auxílio moderno além do cut-off ou pé leve no acelerador.

Sucesso merecido?

Sucesso merecido? Claro. Uma ótima opção no segmento dos SUVs compactos (Foto: Lucca Mendonça)

Por que não? Pode não ser barato como os antigos Chery (mas também não é o mais caro da categoria, está na média), nem tampouco econômico como pede os preços de combustíveis de hoje, mas no restante é uma ótima pedida no mundo dos SUVs compactos. Lembrando que, além dessa versão PRO top de linha avaliada, existe ainda a TXS de R$145 mil e, como não pode faltar, a PRO híbrida, tabelada em R$170 mil. Tem Tiggo 5X pra (quase) todo mundo…

Ficha técnica:

Concepção de motor: 1.499 cm³, flex, quatro cilindros, 16 válvulas (quatro por cilindro), turbo, injeção direta de combustível, duplo comando de válvulas, variador de fase na admissão e escape, bloco e cabeçote fundidos em alumínio
Transmissão: automática do tipo CVT com simulação de 9 marchas e possibilidade de trocas manuais na alavanca
Potência: 147/150 cv a 5.500 rpm (gasolina/etanol)
Torque: 21,4 mkgf de torque a 1.750 rpm (gasolina/etanol)
Suspensão dianteira: independente, McPherson, com barra estabilizadora
Suspensão traseira: independente, multibraço
Direção: assistência elétrica progressiva
Freios: discos ventilados na dianteira e discos sólidos na traseira
Pneus e rodas: Pirelli Scorpion Verde All Season, medidas 225/55 com rodas de liga-leve aro 18
Dimensões (comprimento/largura/altura/entre-eixos): 4,34 m/1,83 m/1,64 m/2,63 m
Porta-malas: 340 litros
Tanque de combustível: 51 litros
Peso em ordem de marcha: 1.452 kg
Aceleração 0 a 100 km/h: 10,3 seg.
Velocidade máxima: 193 km/h (etanol)
Preço básico: R$156.590

Itens de série:

Faróis em LED com ajuste elétrico de altura, Espelhos retrovisores externos com rebatimento e desembaçador, Rodas de liga leve aro 18″, 6 Airbags: frontais, laterais e de cortina, Freios à disco nas 4 rodas, Monitor de pressão e temperatura dos pneus (TPMS), Alarme de velocidade e lembrete para descanso, Ar condicionado digital automático Dual Zone com comandos touch, Saída central de ar condicionado para os passageiros traseiros, Volante multifuncional com revestimento premium, Piloto automático, Banco do motorista com 6 ajustes elétricos e regulagem lombar elétrica, Sensor de estacionamento traseiro, Acendimento Automático dos Faróis, Modos SPORT/ECO de condução, Assistente de descida (HDC), Teto panorâmico, Sistema de chave presencial, Partida remota do motor (Comando de Climatização à distância – CCD), Freio de estacionamento com acionamento eletrônico (EPB) e função AUTO HOLD, Luz ambiente panorâmica com opção de cores, Painel de instrumentos digital em tela colorida de LCD/TFT de 7″, Multimídia de 10,25″ com Android Auto e Apple Car Play, Câmeras de visão 360° HD

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Tem 20 anos, cursa Publicidade e Propaganda, é filho do jornalista Douglas Mendonça, e desde que se conhece por gente, convive com carros e está envolvido no mundo automobilístico. Aprendeu a ler nas revistas automotivas, cresceu frequentando oficinas, corridas, encontros e eventos com o pai, e daí veio sua maior paixão: os carros. Lucca se tornou o braço direito do pai após sua perda de visão em 2012, ajudando na produção de matérias, reportagens, avaliações e textos. No Carros & Garagem, é responsável pela cobertura de eventos de lançamento de novos veículos, e produz avaliações, fotos e comparativos de modelos.