(Avaliação) Taos Comfortline e a vida do SUV médio da VW após um ano de lançamento

Nem parece, mas o VW Taos já completou um ano de mercado brasileiro. Sua estreia foi dia 27/05/2021, e não por acaso ele é o tema da avaliação dessa semana aqui no Carros&Garagem: como vai a vida dele depois de exatos 12 meses de vendas? Dá trabalho para a concorrência? Depois de conhecer melhor a versão topo de linha Highline, agora chegou a vez de darmos uma olhadinha na Comfortline, mais em conta, que hoje sai por R$177.500 sem opcionais.

Lá se vão 12 meses do lançamento do Taos no Brasil, mas como vai a vida do SUV médio da VW hoje em dia? (Foto: Lucca Mendonça)

Quando comparada com a mais cara, essa Comfortline deixa de lado as rodas diamantadas, as famosas luzes diurnas de LED que envolvem toda a grade frontal, alguns enfeites e detalhes cromados pela carroceria, mas ainda é um belo utilitário médio que, como vimos antes, está mais para um mini-Tiguan do que para T-Cross aumentado.

Ainda de 18 polegadas, as rodas dessa Comfortline são na cor prata (Foto: Lucca Mendonça)

Por dentro ele tem teto e colunas na cor clara (na Highline, é tudo preto), e ainda se mostra bem prático e espaçoso para cinco ocupantes mais bagagens, mas os bancos de couro do carro avaliado (dianteiros aquecidos e com ajustes elétricos para o motorista), que eram opcionais, sumiram do catálogo. Hoje a Comfortline traz sempre tecido, que ainda combina com o restante do conjunto e fica alinhado ao bom nível do acabamento interno.

Como ele custa um pouquinho mais caro que seu principal concorrente, entrega uma lista de conteúdos bem interessante mesmo nessa versão de entrada, que já tem a multimídia VW Play de 10”, painel de instrumentos digital (um menor e com menos funções que o Active Info Display), ar-condicionado digital de duas zonas e saídas traseiras, faróis full-LED, sensores de chuva e crepuscular, retrovisor interno fotocrômico etc.

Resumindo, um carro bastante completo e que pode ainda ser equipado com piloto automático adaptativo (ACC), alerta de colisão e frenagem autônoma de emergência por cerca de R$5.500 adicionais. É…os tais bancos de couro, tirados do catálogo, acabam fazendo falta nos pacotes opcionais.

Na mecânica ele é sempre o mesmo: em qualquer versão, traz o motor 1.4 TSI flex de 150 cv de potência e 25,5 mkgf de torque (gasolina/etanol), além da famosa transmissão automática Aisin AT6 de seis velocidades, que aqui podem ser trocadas manualmente. Um conjunto sem erros, já que dá um show em tecnologia e eficiência, seja empurrando o hatch esportivo Polo GTS ou os quilinhos a mais do Taos.

Motor 1.4 TSI: sem erros (Foto: Lucca Mendonça)

A VW diz que o 0 a 100 km/h é feito em cerca de 9,5 segundos, um número bem satisfatório pra um SUV médio familiar, e nos nossos testes de consumo, suas médias de etanol foram relativamente boas, com 8,2 km/l na cidade (graças ao Start&Stop que não vacila nem nas paradinhas rápidas) e 11,3 km/l na estrada. Um belo trem-de-força.

Um belo trem-de-força (Foto: Lucca Mendonça)

Sem esquecer também de um dos trunfos do Taos, que está nas suspensões, independentes nas quatro rodas, que ficam em um ótimo meio-termo entre estabilidade e conforto. Como nos carros mais caros da marca, o eixo traseiro é do tipo multibraço, ajudando ainda mais na equação.

O sistema consegue administrar muito bem a buraqueira do solo brasileiro com o centro de gravidade elevado da carroceria, assim como a direção elétrica é precisa na condução e leve nas manobras. Nada a reclamar também da posição alta de guiar ou da eficiência dos freios, sempre a disco nas quatro rodas. Um SUV bem interessante em praticamente tudo.

O Taos tem muitos méritos, mas… (Foto: Lucca Mendonça)

12 meses se passaram…

…e o Taos ainda não decolou nas vendas. Bem colocado no segmento, com preços na média e muitas qualidades, o SUV médio da VW fez bonito na pré-venda que se esgotou em tempo recorde, mas depois disso virou figurante no meio de tantos outros integrantes do segmento, em especial dos seus concorrentes principais Jeep Compass, Toyota Corolla Cross e Caoa-Chery Tiggo 7 Pro.

Depois de uma pré-estréia de fazer inveja pra qualquer popular, ele virou figurante na categoria (Foto: Lucca Mendonça)

Falando de números, ele registra cerca de 10 mil unidades totais vendidas no Brasil. Em uma conta rápida, são, em média, 830 carros/mês, e esse número aparentemente está diminuindo: em abril ele foi parar em apenas 225 garagens brasileiras, ante 445 de março e 501 de fevereiro. O líder disparado da categoria é o Compass, que normalmente emplaca algo ao redor dos 5.000 carros/mês, ou seja, em pouco mais de dois meses já bate o total de vendas do Taos.

O Taos vem da Argentina enquanto seus concorrentes são nacionais (Foto: VW/divulgação)

Mas vamos dar um desconto: o momento atual também é delicado, não só pela pandemia e todos os seus reflexos, mas também pela crise mundial de chips semicondutores que complicou muito a vida da Volkswagen brasileira, ou o fato dele ser importado de Pacheco, na Argentina. Seus concorrentes principais são todos brasileiros. Ainda assim está muito aquém do esperado, ainda mais depois de tanta expectativa criada pelo sucesso da pré-venda.

O que aconteceu?

Um ótimo carro, ou seja, é difícil explicar as vendas tímidas (Foto: Lucca Mendonça)

Difícil afirmar o que faz as vendas do utilitário médio da VW patinarem, mas talvez os motivos citados ali em cima tenham a ver com isso. Em compensação, o SUV compacto T-Cross, nacional, nada de braçada, e vem vendendo tão bem quanto o Jeep Compass. Seria o T-Cross outro vilão dessa história, roubando as vendas do irmão maior? Fica a dúvida. Mas uma coisa é certa: nada disso tira os vários méritos do Taos, um ótimo SUV médio.

Ficha técnica:

Concepção de motor: 1.395 cm³, flex, quatro cilindros, 16 válvulas (quatro por cilindro), turbo, injeção direta de combustível, duplo comando de válvulas, variador de fase na admissão e escapamento, bloco e cabeçote fundidos em alumínio
Transmissão: Automática com conversor de torque e 6 velocidades, com trocas manuais pela alavanca e paddle-shifts atrás do volante
Potência: 150 cv a 5.000 rpm (gasolina/etanol)
Torque: 25,5 mkgf entre 1.400 e 4.000 rpm (gasolina/etanol)
Suspensão dianteira: independente, McPherson, com barra estabilizadora
Suspensão traseira: independente, multilink, com molas helicoidais
Direção: com assistência elétrica progressiva
Freios: discos ventilados na dianteira e discos sólidos na traseira
Pneus e rodas: Goodyear Wrangler, medidas 215/55. Rodas de liga-leve aro 18
Dimensões (comprimento/largura/altura/entre-eixos): 4,46 m/1,84 m/1,62 m/2,68 m
Porta-malas: 498 litros
Tanque de combustível: 51 litros
Peso em ordem de marcha: 1.420 kg
Aceleração 0 a 100 km/h: 9,3 s (gasolina/etanol)
Velocidade máxima: 194 km/h (gasolina/etanol)
Preço básico: R$177.460 (carro das fotos: R$178.870)

Itens de série:

“Keyless” – sistema de alarme anti-furto com comando remoto, 2 luzes de leitura na frente, 6 airbags (2 frontais com desativação do passageiro, 2 laterais nos bancos dianteiros, 2 de cortina), 6 alto-falantes, Alerta sonoro e visual de não utilização dos cintos de segurança dianteiros e traseiros, APP-connect (Apple Carplay wireless e Android Auto via cabo) e conexão com a internet via Smartphone, Ar-condicionado “Climatronic” com filtro combinado ativo e ajuste de temperatura de 2 zonas, Assento de criança ISOFIX (dispositivo para fixação de 2 cadeiras de crianças no banco traseiro), Assistente para partida em subida, Bancos em tecido premium, Carregamento de celular por indução, Controle de desgaste das pastilhas de freio, Controle eletrônico de estabilidade (ESC) e de tração (ASR), Câmera traseira para auxílio de estacionamento, Descansa-braços central na frente com porta-objetos, saída traseira do ar-condicionado, Direção elétrica, Entradas USB tipo C (3), Espelho retrovisor interno fotocrômico automático, retrovisor com função tilt down do lado direito, Faróis em ECO LED com função “Coming & Leaving home” e luz de condução diurna em LED integrada, Freio de estacionamento eletromecânico, Indicador de controle de pressão dos pneus, sistema de frenagem automática pós-colisão, Lanterna traseira com iluminação em LED, Painel de instrumentos digital programável de 8”, Rodas de liga leve 18”, Sensor de chuva e crepuscular, Sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, Sistema KESSY – acesso ao veículo sem o uso da chave e botão para partida do motor, Sistema multimidia “VW Play” tela de 10″ com resolução HD+, câmera traseira integrada, Sistema Start-Stop com reaproveitamento da energia de frenagem, Tomada de 12 volts no porta-malas e no console central, Volante multifuncional em couro com shift paddles

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Tem 20 anos, cursa Publicidade e Propaganda, é filho do jornalista Douglas Mendonça, e desde que se conhece por gente, convive com carros e está envolvido no mundo automobilístico. Aprendeu a ler nas revistas automotivas, cresceu frequentando oficinas, corridas, encontros e eventos com o pai, e daí veio sua maior paixão: os carros. Lucca se tornou o braço direito do pai após sua perda de visão em 2012, ajudando na produção de matérias, reportagens, avaliações e textos. No Carros & Garagem, é responsável pela cobertura de eventos de lançamento de novos veículos, e produz avaliações, fotos e comparativos de modelos.