Avaliação: Renault Boreal Techno 2026 tem preço de SUV compacto, mas vale?

Renault Boreal Techno - Foto: Lucca Mendonça

Bastante têm se falado sobre o Renault Boreal Techno, versão intermediária do SUV médio da Renault, que custa R$ 200 mil, e teoricamente seria uma compra até mais interessante que a Iconic topo de linha, R$ 15 mil mais cara. Mas, será mesmo que o equilíbrio entre opção de entrada e topo de linha convence na prática? Para tirar essa dúvida, tive a companhia do Renault Boreal Techno por sete dias e mais de 400 km.  

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Boreal é nova fase da Renault

Costumo dizer que acompanhei o nascimento do Boreal, desde os primeiros flagras, passando pelos primeiros teasers de design, revelação estática completa (quando o carro me passou ótima impressão inicial, inclusive), até chegar no lançamento oficial. Trata-se de uma grande investida da Renault para o mercado brasileiro, e tenta subir o naipe da marca francesa por aqui: de fato, ele é um carro caprichado como poucos já oferecidos pela Renault do Brasil. Mesmo sendo baseado no Dacia Bigster, não tem absolutamente nada a ver com Duster, Oroch, Captur, Kwid ou outros.  

Renault Boreal Techno 2026 – Foto: Lucca Mendonça

Techno é versão intermediária

Focando no Renault Boreal Techno: ela é também uma das configurações mais comuns de ver na rua, indicando boas vendas. Dentro dos padrões do Boreal, claro, afinal ele ainda é tímido nos emplacamentos. Aposta nas rodas escurecidas (há quem torça o nariz), teto preto brilhante, e deixa de lado apenas o supérfluo nos itens, como tampa do porta-malas elétrica, sistema de som assinado, bancos com massagem ou ventilação, ou teto-solar panorâmico. Cobra, para isso, R$ 200 mil, valor de um VW T-Cross dos mais completos, dos Honda HR-V intermediários, ou de um Hyundai Creta 1.6 turbo, todos esses SUVs compactos. 

Equipamentos de série

Mas, mesmo assim, seu pacote convence: ficam os bancos dianteiros elétricos, revestimentos internos em couro sintético, grandes telas para instrumentação digital e multimídia, conjunto óptico inteiro em LED, pacote ADAS com diversas funções, câmeras de ré HD, sensores de estacionamento dianteiros/traseiros e laterais, ar digital automático dual zone com saídas traseiras, iluminação ambiente em LED, retrovisores com rebatimento elétrico, carregador de celular sem fio, sensores de chuva e crepuscular, console central com compartimento refrigerado, retrovisor interno fotocrômico e por aí vai.  

Renault Boreal Techno 2026 – Foto: Lucca Mendonça

Motorização (e como anda)

E, claro, sobra também a motorização, um de seus pontos fortes. O motor 1.3 turboflex é o mesmo do Duster, aquele compartilhado com a Mercedes: tem amplo torque em baixas rotações (graças a superalimentação, duplo comando variável e outras tecnologias), e mesmo em médias e altas velocidades conta com pique notável. Não é o mais silencioso da categoria, mas, no Renault Boreal Techno, é muitíssimo bem isolado graças a um capricho de mantas fonoabsorventes do carro: por conta disso, é pouco ouvido (e sentido) pelos ocupantes.  

Renault Boreal Techno 2026 – Foto: Lucca Mendonça

A potência recalibrada para 156/163 cv de potência (gas/eta), por conta de leis antipoluição, não surtiram efeito negativo na condução geral do carro, que já nasceu com essa calibração: força mais imediata, com amplo torque em baixa, e disposição extra em médias e altas rotações. O torque é de 27,5 mkgf, com os dois combustíveis, ajudando nesse comportamento ágil. E o Renault Boreal Techno é leve, com peso abaixo dos 1.450 kg (menos que um Jeep Renegade, para efeito de comparação), então a sobra de potência e força é nítida durante a condução.  

Renault Boreal Techno 2026 – Foto: Lucca Mendonça

Dupla embreagem e seus trancos

Essa sobra é bem gerenciada pela caixa automatizada de dupla embreagem e seis marchas, que é infinitamente mais esperta que a caixa CVT dos Duster 1.3T, porém não tão confortável: são comuns nela os trancos nas passagens de marchas, bem como pouca progressividade na hora de tirar o carro da inércia, como em manobras ou balizas (nas mais apertadas, é preciso dosar o pé para que o Boreal não arranque com muita pressa). Em contrapartida, essa transmissão automatizada é a mais adequada para uma condução sem desperdício do potencial do motor, digamos assim… 

Por ter duas embreagens, uma para marchas ímpares e outra para pares, ela sempre tem a marcha seguinte pré-engatada, o que permite trocas extremamente rápidas e até esportivas. De quebra, no Renault Boreal Techno ela conta com escalonamento correto, onde as primeiras marchas são curtas para garantir desempenho nas acelerações, e as mais altas (especialmente quinta e sexta), longas, para ter silêncio, conforto e economia nas maiores velocidades. Reduções e passagens são feitas no tempo certo, ainda que as vezes ele estique marchas sem necessidade, especialmente em trechos planos. Nada que um rápido toque nos paddle-shifts não resolva. 

Renault Boreal Techno 2026 – Foto: Lucca Mendonça

Consumo não é surpresa

Esse motor 1.3 turboflex nunca foi econômico. Consumia menos, sim, nos Mercedes, numa calibração apenas a gasolina, mas nos carros nacionais da marca francesa sempre gostou de beber bastante combustível. Nada anormal: o T270 da Stellantis faz o mesmo. Em nossos testes, o Renault Boreal Techno, queimando etanol, rondou os 8,3 km/l na cidade, aproveitando o sistema Start & Stop, enquanto na estrada chegou a 10,8 km/l nas melhores condições. Seu tanque de 50 litros, que parece ser o mesmo do irmão menor Kardian (usam a mesma plataforma), é pequeno para essas médias de consumo: a autonomia é baixa, e os reabastecimentos, frequentes.  

Boreal como projeto

No quesito engenharia, o trabalho feito nesse Renault Boreal Techno, e nas outras versões, é elogiável. Apesar do parentesco com o Dacia Bigster, seu primo pobre, o desenvolvimento desse SUV ficou a encargo da filial brasileira da marca. Trata-se de um carro caprichado no design e acabamento, bem munido de equipamentos, e maduro quando falamos do acerto de direção, suspensões, freios e afins.  

Renault Boreal Techno 2026 – Foto: Lucca Mendonça

Há ampla altura livre do solo (quase 21,5 cm), que o deixa livre de raspar parachoques ou enroscar assoalho em condições diversas, permitindo até algum off-road moderado, mantendo aquela pegada robusta que é comum no Duster, por exemplo. Enquanto a direção tem peso configurável (pode ficar durinha ou extremamente macia), a suspensão prefere uma calibração mais rígida e parruda, o que deixa a condução um tanto áspera, dependendo do piso. Deixa a impressão de que a Renault optou por uma sensação maior de robustez, ao invés de maciez e conforto. E, de quebra, isso o deixou afiado na dinâmica de frenagens fortes, curvas rápidas e afins. 

Renault Boreal Techno 2026 – Foto: Lucca Mendonça

Fácil de guiar e espaçoso

As suspensões duras são compensadas pelos bancos grandes e, esses sim, macios e confortáveis, além dos já citados silêncio a bordo e comandos macios de volante e freios. Também é um carro extremamente fácil de ser conduzido, graças a direção precisa e justinha, e excelente ângulo de esterçamento: de fato, o raio de giro do Renault Boreal Techno é uma de suas grandes qualidades, e, por mais fechada que seja a curva, ele consegue contornar sem problemas. Isso ajuda muito em balizas apertadas, também, afinal suas rodas esterçam bastante, enquanto a relação de direção aposta em menos voltas do volante (a chamada direção multiplicada). 

No posto de condução, boa ergonomia. Curiosamente, sua posição de dirigir é naturalmente baixa, podendo ser elevada com o ajuste de altura do banco. Painel e console central elevados, e laterais de portas também altas, junto de janelas estreitas, colaboram para um cockpit que abraça o motorista, mesmo que ele não ofereça a melhor visibilidade (aí entram em cena os valiosos sensores e câmeras). A multimídia de 10 pol. é bonita, moderna e fácil de operar, enquanto o painel de instrumentos segue um caminho parecido, mesmo com um computador de bordo limitado nas funções. Ponto alto para o sistema de som, de excelente qualidade, mesmo sem grife. 

Renault Boreal Techno 2026 – Foto: Lucca Mendonça

E, como em todo bom Renault moderno que se preze, há um amplo espaço interno, especialmente na segunda fileira, onde o banco também é grande, assim como o vão para as pernas. Pela ausência do teto-solar panorâmico, essa versão Techno ainda tem teto mais alto. Portas USB, luzes de leitura dedicadas, apoio de braço e saídas de ar traseiras estão lá. E, para as malas, ainda sobram mais de 520 litros, num dos maiores porta-malas do segmento.  

Renault Boreal Techno quer seu espaço sob o sol 

O Renault Boreal Techno está bem-posicionado, seja em preço ou conteúdo, tanto que custa menos do que alguns SUVs compactos menores, mais apertados, fracos e simples. Só que não faltam SUVs médios como ele no mercado nacional, especialmente se incluirmos os chineses eletrificados. Sua guerra contra a concorrência é grande, e ele está bem armado para ela. O preço mais equilibrado dessa versão, claro, ajuda.  

Renault Boreal Techno 2026 – Foto: Lucca Mendonça
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Com 25 anos, está envolvido com o meio automotivo desde que se conhece por gente através do pai, Douglas Mendonça. Trabalha oficialmente com carros desde os 17 anos, tendo começado em 2019, mas bem antes disso já ajudava o pai com matérias e outros trabalhos envolvendo carros, veículos, motores, mecânica e por aí vai. No Carros&Garagem produz as avaliações, notícias, coberturas de lançamentos, novidades, segredos e outros, além de produzir fotos, manter a estética, cuidar da diagramação e ilustração de todo o conteúdo do site.