Avaliação: Renault Boreal Techno 2026 tem preço de SUV compacto, mas vale?

Bastante têm se falado sobre o Renault Boreal Techno, versão intermediária do SUV médio da Renault, que custa R$ 200 mil, e teoricamente seria uma compra até mais interessante que a Iconic topo de linha, R$ 15 mil mais cara. Mas, será mesmo que o equilíbrio entre opção de entrada e topo de linha convence na prática? Para tirar essa dúvida, tive a companhia do Renault Boreal Techno por sete dias e mais de 400 km.
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Boreal é nova fase da Renault
Costumo dizer que acompanhei o nascimento do Boreal, desde os primeiros flagras, passando pelos primeiros teasers de design, revelação estática completa (quando o carro me passou ótima impressão inicial, inclusive), até chegar no lançamento oficial. Trata-se de uma grande investida da Renault para o mercado brasileiro, e tenta subir o naipe da marca francesa por aqui: de fato, ele é um carro caprichado como poucos já oferecidos pela Renault do Brasil. Mesmo sendo baseado no Dacia Bigster, não tem absolutamente nada a ver com Duster, Oroch, Captur, Kwid ou outros.

Techno é versão intermediária
Focando no Renault Boreal Techno: ela é também uma das configurações mais comuns de ver na rua, indicando boas vendas. Dentro dos padrões do Boreal, claro, afinal ele ainda é tímido nos emplacamentos. Aposta nas rodas escurecidas (há quem torça o nariz), teto preto brilhante, e deixa de lado apenas o supérfluo nos itens, como tampa do porta-malas elétrica, sistema de som assinado, bancos com massagem ou ventilação, ou teto-solar panorâmico. Cobra, para isso, R$ 200 mil, valor de um VW T-Cross dos mais completos, dos Honda HR-V intermediários, ou de um Hyundai Creta 1.6 turbo, todos esses SUVs compactos.
Equipamentos de série
Mas, mesmo assim, seu pacote convence: ficam os bancos dianteiros elétricos, revestimentos internos em couro sintético, grandes telas para instrumentação digital e multimídia, conjunto óptico inteiro em LED, pacote ADAS com diversas funções, câmeras de ré HD, sensores de estacionamento dianteiros/traseiros e laterais, ar digital automático dual zone com saídas traseiras, iluminação ambiente em LED, retrovisores com rebatimento elétrico, carregador de celular sem fio, sensores de chuva e crepuscular, console central com compartimento refrigerado, retrovisor interno fotocrômico e por aí vai.

Motorização (e como anda)
E, claro, sobra também a motorização, um de seus pontos fortes. O motor 1.3 turboflex é o mesmo do Duster, aquele compartilhado com a Mercedes: tem amplo torque em baixas rotações (graças a superalimentação, duplo comando variável e outras tecnologias), e mesmo em médias e altas velocidades conta com pique notável. Não é o mais silencioso da categoria, mas, no Renault Boreal Techno, é muitíssimo bem isolado graças a um capricho de mantas fonoabsorventes do carro: por conta disso, é pouco ouvido (e sentido) pelos ocupantes.

A potência recalibrada para 156/163 cv de potência (gas/eta), por conta de leis antipoluição, não surtiram efeito negativo na condução geral do carro, que já nasceu com essa calibração: força mais imediata, com amplo torque em baixa, e disposição extra em médias e altas rotações. O torque é de 27,5 mkgf, com os dois combustíveis, ajudando nesse comportamento ágil. E o Renault Boreal Techno é leve, com peso abaixo dos 1.450 kg (menos que um Jeep Renegade, para efeito de comparação), então a sobra de potência e força é nítida durante a condução.

Dupla embreagem e seus trancos
Essa sobra é bem gerenciada pela caixa automatizada de dupla embreagem e seis marchas, que é infinitamente mais esperta que a caixa CVT dos Duster 1.3T, porém não tão confortável: são comuns nela os trancos nas passagens de marchas, bem como pouca progressividade na hora de tirar o carro da inércia, como em manobras ou balizas (nas mais apertadas, é preciso dosar o pé para que o Boreal não arranque com muita pressa). Em contrapartida, essa transmissão automatizada é a mais adequada para uma condução sem desperdício do potencial do motor, digamos assim…
Por ter duas embreagens, uma para marchas ímpares e outra para pares, ela sempre tem a marcha seguinte pré-engatada, o que permite trocas extremamente rápidas e até esportivas. De quebra, no Renault Boreal Techno ela conta com escalonamento correto, onde as primeiras marchas são curtas para garantir desempenho nas acelerações, e as mais altas (especialmente quinta e sexta), longas, para ter silêncio, conforto e economia nas maiores velocidades. Reduções e passagens são feitas no tempo certo, ainda que as vezes ele estique marchas sem necessidade, especialmente em trechos planos. Nada que um rápido toque nos paddle-shifts não resolva.

Consumo não é surpresa
Esse motor 1.3 turboflex nunca foi econômico. Consumia menos, sim, nos Mercedes, numa calibração apenas a gasolina, mas nos carros nacionais da marca francesa sempre gostou de beber bastante combustível. Nada anormal: o T270 da Stellantis faz o mesmo. Em nossos testes, o Renault Boreal Techno, queimando etanol, rondou os 8,3 km/l na cidade, aproveitando o sistema Start & Stop, enquanto na estrada chegou a 10,8 km/l nas melhores condições. Seu tanque de 50 litros, que parece ser o mesmo do irmão menor Kardian (usam a mesma plataforma), é pequeno para essas médias de consumo: a autonomia é baixa, e os reabastecimentos, frequentes.
Boreal como projeto
No quesito engenharia, o trabalho feito nesse Renault Boreal Techno, e nas outras versões, é elogiável. Apesar do parentesco com o Dacia Bigster, seu primo pobre, o desenvolvimento desse SUV ficou a encargo da filial brasileira da marca. Trata-se de um carro caprichado no design e acabamento, bem munido de equipamentos, e maduro quando falamos do acerto de direção, suspensões, freios e afins.

Há ampla altura livre do solo (quase 21,5 cm), que o deixa livre de raspar parachoques ou enroscar assoalho em condições diversas, permitindo até algum off-road moderado, mantendo aquela pegada robusta que é comum no Duster, por exemplo. Enquanto a direção tem peso configurável (pode ficar durinha ou extremamente macia), a suspensão prefere uma calibração mais rígida e parruda, o que deixa a condução um tanto áspera, dependendo do piso. Deixa a impressão de que a Renault optou por uma sensação maior de robustez, ao invés de maciez e conforto. E, de quebra, isso o deixou afiado na dinâmica de frenagens fortes, curvas rápidas e afins.

Fácil de guiar e espaçoso
As suspensões duras são compensadas pelos bancos grandes e, esses sim, macios e confortáveis, além dos já citados silêncio a bordo e comandos macios de volante e freios. Também é um carro extremamente fácil de ser conduzido, graças a direção precisa e justinha, e excelente ângulo de esterçamento: de fato, o raio de giro do Renault Boreal Techno é uma de suas grandes qualidades, e, por mais fechada que seja a curva, ele consegue contornar sem problemas. Isso ajuda muito em balizas apertadas, também, afinal suas rodas esterçam bastante, enquanto a relação de direção aposta em menos voltas do volante (a chamada direção multiplicada).
No posto de condução, boa ergonomia. Curiosamente, sua posição de dirigir é naturalmente baixa, podendo ser elevada com o ajuste de altura do banco. Painel e console central elevados, e laterais de portas também altas, junto de janelas estreitas, colaboram para um cockpit que abraça o motorista, mesmo que ele não ofereça a melhor visibilidade (aí entram em cena os valiosos sensores e câmeras). A multimídia de 10 pol. é bonita, moderna e fácil de operar, enquanto o painel de instrumentos segue um caminho parecido, mesmo com um computador de bordo limitado nas funções. Ponto alto para o sistema de som, de excelente qualidade, mesmo sem grife.

E, como em todo bom Renault moderno que se preze, há um amplo espaço interno, especialmente na segunda fileira, onde o banco também é grande, assim como o vão para as pernas. Pela ausência do teto-solar panorâmico, essa versão Techno ainda tem teto mais alto. Portas USB, luzes de leitura dedicadas, apoio de braço e saídas de ar traseiras estão lá. E, para as malas, ainda sobram mais de 520 litros, num dos maiores porta-malas do segmento.
Renault Boreal Techno quer seu espaço sob o sol
O Renault Boreal Techno está bem-posicionado, seja em preço ou conteúdo, tanto que custa menos do que alguns SUVs compactos menores, mais apertados, fracos e simples. Só que não faltam SUVs médios como ele no mercado nacional, especialmente se incluirmos os chineses eletrificados. Sua guerra contra a concorrência é grande, e ele está bem armado para ela. O preço mais equilibrado dessa versão, claro, ajuda.





























