Avaliação: Ram Rampage Big Horn 2027 tem preço de Toro flex, e é feliz no simples

A Ram Rampage Big Horn 2027 é o carro mais barato da marca no Brasil. Custa R$ 231 mil na tabela cheia, mas pode ser facilmente comprada por menos de R$ 200 mil, principalmente se você tiver um CNPJ e a mínima disposição para ir até uma concessionária. Esse preço a coloca num patamar abaixo, até mesmo, das Fiat Toro T270 flex 4×2. E, aí sim, o negócio da Big Horn vai se tornando bem interessante.
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Ram Rampage Big Horn 2027 é bem equipada
Até o momento, a Rampage é um dos poucos produtos do Grupo Stellantis que não sofre com a concorrência chinesa. E, mesmo assim, ela não escapa dos descontos generosos. E não espere grandes perdas nos equipamentos, afinal ela já traz conjunto óptico em LED, sensor de chuva, ADAS completo, as mesmas telas das outras versões (12,3 pol. na multimídia e 10,3 pol. na instrumentação), ar digital automático dual zone com saídas traseiras, freio de mão eletromecânico com função Auto Hold, tração 4×4 automática com reduzida, partida remota do motor, bom sistema de som com 6 alto-falantes, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, câmera de ré etc. Só não tente entender a falta de sensor crepuscular: parece que foi esquecido.
Mas, antes de dar de cara com boa parte desses equipamentos, a Ram Rampage Big Horn 2027 já cai bem quando vista por fora: aposta nas rodas menores com desenho mais classudo (prateadas, aro 17), frisos cromados em volta das janelas, grade e capas dos retrovisores também cromadas, parachoque traseiro prateado, e um conjunto nada espalhafatoso nem cafona, como pode acontecer com algumas picapes. O interior em tecido e couro sintético pretos, ainda mantendo o bom acabamento, fecham o pacote com sobriedade. Como diz o ditado: feliz no simples.

Motorização moderna
Por outro lado, a motorização da Ram Rampage Big Horn 2027 não é tão simples quanto sua aparência. Pelo contrário. Conta com motor turbodiesel moderninho, transmissão automática com várias marchas, tração 4×4 inteligente, e bastante eletrônica off-road embarcada. Afinal, ainda precisa fazer valer o luxo que a Marca do Bode a proporciona, num naipe acima de Fiat ou Jeep, por exemplo.

Tudo funciona com elogiável sincronia, aliás. O motor é o 2.2 turbodiesel de quatro cilindros, dos mais silenciosos e suaves do mercado (parece motor a gasolina de maior cilindrada), que aqui na Ram Rampage Big Horn 2027 tem sobra de potência e força: falamos de 200 cv e 46 mkgf, mesmos números das Fiat Titano e Ram Dakota, por exemplo. Como essa versão da Rampage é mais leve, até mesmo, que uma Fiat Toro turbodiesel (efeitos das perdas de equipamentos e enfeites externos), há bastante pique nas acelerações e retomadas de velocidade.
Seu câmbio é bem diferente do pacato AT8 das irmãs maiores (Titano e Dakota). Na Ram Rampage Big Horn 2027, quem brilha é o ZF de nove marchas, mesma dos Jeep Blackhawk ou da Rampage R/T (esportivos). Sim, ela tem tocada bem mais ágil e espertinha por isso, principalmente nas reduções, e o leque mais amplo de relações de marchas permite a condução sempre em baixos giros, sem exigir do 2.2 turbodiesel.

É uma transmissão de relações longas (sai em 2ª, e só engata a 9ª acima dos 120 km/h), e funcionamento bastante suave, com trocas quase imperceptíveis. Mesmo nessa Big Horn, é possível fazer trocas manuais por borboletas atrás do volante, e esse câmbio, inclusive, é bem permissivo nesse quesito.
Bom mesmo é o consumo
E a melhor parte dessa receita nem é o amplo torque em baixas rotações, ou o casamento feliz entre motor e câmbio. Também não falo da suavidade e silêncio do powertrain (nem parece que trabalha um motor turbodiesel sob o capô). A Ram Rampage Big Horn 2027 é craque mesmo em economizar combustível: sobra torque do motor, e marchas da transmissão, então o trem-de-força trabalha folgado, o que permite ótimas médias de consumo de diesel.
Por natureza, esse motor 2.2 já gasta pouco mesmo nas picapes maiores, mas as médias da Big Horn são quase imbatíveis: em uso urbano, com pé leve, é fácil rondar os 12,5 km/l de diesel, enquanto na estrada, aproveitando as marchas longas, é possível chegar nos 17 km/l. Seu tanque de 60 litros, associado com essas médias, promete autonomia bem generosa. Após 600 km rodados, ainda restava mais de 1/4 de tanque.
Rampage é SUV de alma
Por mais que seja picape com caçamba grande (980 litros, e tampa de abertura facílima) e capacidade de carga de 1 tonelada, a Ram Rampage Big Horn 2027, por baixo, é um SUV familiar: usa a mesma base modular dos Jeep Compass e Commander, com alterações pontuais, mas mantendo o luxo das suspensões independentes nas quatro rodas, eixo traseiro multibraço e quatro freios a disco ventilado (algo raríssimo em picapes).
São só vantagens no uso: ela tem rodar macio como o de carros de passeio, em que pese a calibração de molas e amortecedores que tenta simular uma picapona maior. Também é boa de curvas como um SUV, mesmo com centro de gravidade mais alto e curso longo das suspensões (são 22 cm de altura livre do solo), e conta com capacidade de frenagem elogiável, mesmo quando carregada. Não podia ser diferente, afinal a fórmula de SUV aliada com a tração 4×4 automática, que sempre distribui automaticamente a força entre as quatro rodas, contribuem para a boa dinâmica.
Ergonomia e vida a bordo
Além do já citado bom acabamento, a Ram Rampage Big Horn 2027 é ergonômica como um Compass ou Commander, por exemplo. Tem bancos próprios (forrados num tecido de toque agradável, aliás), e posição alta de guiar, mas não abre mão dos comandos próximos do motorista e amplos ajustes de banco e coluna de direção. Vacila, apenas, em não oferecer regulagem de lombar para o motorista, que pode fazer falta.

E, durante a condução, há quem se sinta numa picape maior, de porte médio: culpa dos bancos elevados, e do enorme capô, que tem base acima do parabrisas e fica sempre no campo de visão frontal (tudo de propósito). A direção elétrica também é um pouquinho mais pesada, para simular a tocada de uma caminhonete superior. Ainda assim, segue precisa e direta.
Freio de mão eletromecânico, função Auto Hold, seletor de marchas giratório, bloqueio de diferencial e reduzida, além do seletor de tipos de terreno, podem ser comandados por botões no console central. E, no geral, a operação das duas telas, de instrumentação digital e multimídia, é bem fácil na Ram Rampage Big Horn 2027. Só não espere nenhum latifúndio no espaço traseiro, com limitações para as pernas de quem viaja atrás, e ergonomia típica de picapes para a segunda fileira: encosto do banco mais reto, assento baixo, assoalho alto.
Ao menos, a boa escolha de tecido e espuma dos bancos da frente é repetida atrás: nesse ponto, confortável. Saídas de ar, iluminação dedicada, apoio de braço central e quatro portas USB (sim, quatro) estão presentes no banco de trás da Ram Rampage Big Horn 2027, assim como acontece em versões mais caras.
Boa de preço (durante a promoção)
Dá para ser feliz no simples, sim, e a Ram Rampage Big Horn 2027 é a prova disso. Talvez, nem tão simples assim, mas com um pacote bem mais enxuto que o de outras versões. Tem preço promocional de Toro flex, entrega um visual agradavelmente simpático, não perde pontos no acabamento interno, e ainda tem uma lista interessante de equipamentos de série. Só não dá para perder a promoção de R$ 199.990, afinal, pelos R$ 230 mil da tabela cheia, já pode valer mais a pena uma Ford Maverick…


































