(Avaliação) Novo Peugeot 208 GT é o melhor em (muitos) anos

Desde que você não precise de um farto espaço interno, nem de um amplo porta-malas, não há muito o que discutir: o Peugeot 208 é uma das melhores compras quando falamos de hatches compactos. Bacana desde que chegou nessa segunda geração, em 2020, ele está melhor do que nunca desde setembro do ano passado, quando sofreu sua mais recente reestilização. Finalmente está “pau a pau” com o europeu, com exceção da motorização tupiniquim, lógico. E justamente a versão topo de linha GT mostra os maiores avanços por R$127 mil.  

Dos mais “baratos”

Surpresa! Essa GT das fotos é mais barata que Chevrolet Onix Premier, VW Polo Highline, Hyundai HB20 Platinum Safety, Toyota Yaris XLS e Honda City Hatch (esse tem o rei na barriga e salga no preço). Só não custa menos que o Fiat Argo e que o “primo” Citroën C3, ambos bem mais pelados, simples e destinados a um público com maiores limitações financeiras, digamos assim. Mas não só de etiqueta se vive um carro… 

Para a grande maioria, o carro ganhou vida com esse “tapa de luva de pelica” no visual: dianteira mais moderna e arredondada (com o charme dos DRLs com três barras de cada lado e a grade detalhada na cor da carroceria), traseira com aplique preto entre as lanternas e iluminação renovada, interior mais caprichado graças ao painel digital 3D atualizado e multimídia de 10”, sem esquecer do belíssimo perfil lateral com rodas aro 17 de desenho desuniforme e arcos das caixas de rodas em preto brilhante, como na extinta versão elétrica. Bonito, é. Pelo menos para a maioria. 

Mesma mecânica…será?

A Peugeot não disse que mexeu na sua mecânica. Motor e câmbio, de fato, continuam os mesmos: 1.0 turboflex de três cilindros, com injeção direta e Multiair (projeto Fiat), entregando os melhores dados de ficha técnica da categoria (até 130 cv de potência, 20,4 mkgf de torque, sem contar o ágil 0 a 100 km/h e a alta velocidade máxima). O câmbio CVT de sete marchas simuladas, fornecido pela japonesa Aisin, é seu companheiro.  

Motor T200 é o mesmo: 1.0 turboflex com injeção direta, três cilindros, de projeto Fiat (Foto: Lucca Mendonça)

Dupla dinâmica, que faz do leve 208 um foguetinho: esse motor tem um amplo torque em baixas rotações, e entrega tudo antes dos 1.800 giros, o que garante ao Peugeot uma belo coice nas saídas. O CVT trabalha esperto, sem patinar nem “escorregar” muito, e, com o modo Sport de condução ligado, lembra até uma caixa convencional, dadas as trocas rápidas e bem programadas. Quer seja para sair rapidamente da inércia, ou para ultrapassar na estrada, os mais de 20 quilos de torque estão sempre ao dispor. 

Não tanto quanto seu irmão de plataforma Citroën C3 YOU!, mas o 208 GT é bem rápido e ainda mostrou economia durante os onze dias e 700 km de uso: se aproximou dos 17,5 km/l na estrada e passou dos 12,0 km/l na cidade com gasolina, números que baixaram para 13,0 km/l e 9,5 km/l com etanol no tanque, respectivamente. Além de ser “amigo do vento” com seu baixo coeficiente de arrasto aerodinâmico, o hatch da Peugeot é baixo, fluído e com uma área frontal não tão grande. Isso faz bem ao consumo e desempenho. 

Além do coeficiente de arrasto, o que também é baixo é seu centro de gravidade: o carrinho está melhor na dinâmica do que nunca (Foto: Lucca Mendonça)

Porém, o que parece ter ficado ainda melhor é sua dinâmica e dirigibilidade. O carrinho sempre foi esperto nas mudanças de direção, extremamente ágil para desvios e frenagens, e devorador de curvas rápidas, mas parece estar melhor do que nunca: o jogo de pneus 205/45R17 (mesma medida do esportivo Renault Sandero R.S., vale mencionar) casa perfeitamente bem com as suspensões de curso curto e acerto mais voltado a estabilidade do que ao conforto. 

Ele não é o “brabo” na absorção da buraqueira, não tem o rodar mais macio do segmento, nem encara fora-de-estrada como o Citroën C3, mas compensa isso com um “handling” quase perfeito: impressiona seu comportamento neutro, seguro e muito divertido nas curvas rápidas ou desvios bruscos de trajetória. A carroceria inclina pouco, rola menos ainda, e, para quem não conhece o carro, dá para enganar dizendo ser um modelo com tração integral permanente. Também vale menção honrosa ao pequeno volante oval, que controla um sistema de direção pra lá de direto e multiplicado: mínimos movimentos nele, e o carro reage.  

Freia bem, talvez até um pouco mais que o modelo anterior, ainda que conserve os obsoletos tambores traseiros. Mas, afinal, no que tudo isso se resume? Num hatch compacto que te dá prazer ao volante, coisa que nem todos da categoria oferecem. Seu perfil é jovial, então é preciso se acostumar com a posição de guiar bem baixa, com o “cockpit” envolto pelo painel e laterais de portas, com os enormes e ergonômicos bancos dianteiros e com as portas pequenas, que não fazem do seu entra-e-sai o mais prático.  

i-Cockpit e suas vantagens

Mesmo assim, o 208 serve como um bom terno para a maioria dos motoristas e copilotos. Para quem é grande como quem vos escreve (1,87 m de altura e 125 kg), o posto de condução baixo evita cabeçadas no teto (panorâmico de vidro nessa versão), e os amplos ajustes de banco e coluna de direção são valiosos. Há um bom espaço para pernas, e a pedaleira separada não sacrifica ninguém. Pena o cinto de segurança ser fixo na altura. Além disso, tudo está próximo de quem dirige, senão virado diretamente para o condutor, caso da multimídia e botões do painel central. 

Interessante notar um acabamento esmerado, com imitação sutil de fibra de carbono, (bastante) black piano, cromados, couro sintético e costuras verdes, isso inclusive no volante e tapetes. Não é nenhum Maybach, porém se destaca dentre outros hatches similares. O novo emblema da Peugeot no volante deixa tudo com um ar mais “fresco”, assim como o painel de instrumentos digital 3D renovado, que vem emprestado do SUV 2008. Ele é visto por cima do volante, algo típico nos Peugeot mais modernos. 

Pontos-fracos (e fortes)

Pena que, ao passar para o banco traseiro, a coisa já seja bastante diferente. Atrás, já não me encaixo bem, seja pelo teto rente a cabeça, espaço limitado para ombros ou vão pequeno para pernas e pés. Ali parece ser o local ideal para crianças pequenas, ou adultos de baixa estatura, nada muito além. Não é novidade no 208: espaço traseiro e porta-malas são seus pontos fracos desde a primeira geração, que debutou no Brasil há doze anos. Ainda assim, a Peugeot vacilou em não colocar mais portas USB em seu interior: só são duas lá no painel, incluindo uma para transferência de dados (a única que carrega um dispositivo é tipo C).  

Em contrapartida, tem muitas tecnologias legais e bem-vindas, caso do carregador de celular por indução ventilado e poderoso (15 Watts), luzes de leitura traseiras (item cada vez mais raro nos hatches pequenos), um poderoso conjunto óptico inteiro em LED, sensor de chuva (também meio sumido nos dias de hoje) e um pacote de assistentes de condução completo (lê placas de sinalização, consegue contornar curvas leves, freia sozinho e afins). O pacote ADAS, aliás, é de ação discreta e sutil, e não “assusta” o motorista sem necessidade, então pode permanecer totalmente ativado durante a condução. Boa! 

Pódio garantido!

Pelo menos nessa versão GT da linha 2025, o Peugeot 208 mostra que não só está melhor do que seus antecessores, como também disputa uma briga acirrada pelo título de melhor hatch do segmento. Pesa muito a favor aquela história do preço mais baixo que o da concorrência. Pódio? Garantido, sem dúvidas.  

Ficha técnica:

Concepção de motor: 999 cm³, flex, três cilindros, 12 válvulas (quatro por cilindro), turbo, injeção direta de combustível, comando de válvulas único no cabeçote, MultiAir, bloco e cabeçote em alumínio
Transmissão: automática do tipo CVT com simulação de 7 marchas e opção de trocas manuais
Potência: 125/130 cv a 5.750 rpm (gasolina/etanol)
Torque: 20,4 mkgf a 1.750 rpm (gasolina/etanol)
Suspensão dianteira: independente, McPherson, com barra estabilizadora
Suspensão traseira: eixo de torção com molas helicoidais
Direção: com assistência elétrica progressiva
Freios: discos ventilados na dianteira e discos sólidos na traseira
Pneus e rodas: Goodyear Eagle Touring, medidas 205/45 e rodas de liga-leve aro 17
Dimensões (comprimento/largura/altura/entre-eixos): 4,05 m/1,74 m/1,45 m/2,54 m
Porta-malas: 265 litros
Tanque de combustível: 47 litros
Peso em ordem de marcha: 1.157 kg
Aceleração 0 a 100 km/h: 9,0/9,2 segundos (etanol/gasolina)
Velocidade máxima: 206 km/h (etanol/gasolina)
Preço básico: R$126.990 (carro avaliado: R$128.990)

Itens de série:

Aerofólio esportivo em preto brilhante, capas dos retrovisores em preto brilhante, faixa em preto brilhante interligando as lanternas traseiras, faróis e lanternas Full LED, grade dianteira Bodycolor, luzes DRL “Garra de leão” em LED, luzes indicadoras de direção nos retrovisores, maçanetas externas na cor do veículo, rodas de liga-leve diamantadas de 17”, saída de escapamento com ponteira cromada,  bancos especiais GT em couro sintético com costuras em verde, apoio de braço para o motorista, console central com 2 saídas USB (tipo C e tipo A), iluminação interior individual dianteira e traseira, maçanetas internas com acabamento cromado, painel de instrumentos digital Peugeot i-Cockpit® 3D, soleira de portas em alumínio, tapetes especiais GT, volante especial GT revestido em couro com costuras verdes, 6 airbags, 3 apoios de cabeça traseiros com regulagem de altura, acendimento automático das luzes de emergência após frenagem brusca, 3 alças de teto, alerta sonoro de não colocação do cinto de segurança do motorista e passageiro, alerta sonoro de portas abertas com o carro em movimento, cintos de segurança traseiros de 3 pontos, freios com ABS e REF – distribuição eletrônica de frenagem, Isofix, limpador e desembaçador do vidro traseiro, alerta de colisão frontal, alerta e correção de permanência em faixa, comutação automática do farol alto, detector de fadiga do motorista, frenagem de emergência automática, reconhecimento automático de sinalização de velocidade, controle eletrônico de estabilidade (ESP), trava de segurança para crianças nas portas traseiras, travamento automático das portas e do porta-malas em velocidade a partir de 10 km/h, acendimento automático dos faróis (sensor crepuscular), acionamento automático do limpador de para-brisas (sensor de chuva), alarme perimétrico, ar-condicionado automático digital, banco do motorista com regulagem de altura, banco traseiro rebatível, botão liga-desliga, carregamento do smartphone por indução, chave tipo keyless (presencial) com comandos de abertura das portas e porta-malas, computador de bordo, destravamento interno do tanque de combustível, direção elétrica com assistência variável, espelho no para-sol para motorista e passageiro, função ‘’Follow me home’’ (faróis acesos por tempo determinado), função ‘’Lead me to the car’’ (faróis acesos por tempo determinado), ganchos para sacolas no porta-malas, Hill Assist – sistema de auxílio de partida em subidas, modo de condução Sport, piloto automático (regulador de velocidade) e limitador de velocidade, retrovisores externos com comandos elétricos, teto panorâmico, travas elétricas nas portas e porta-malas com comandos na chave e no painel, vidros elétricos nas quatro portas com antiesmagamento, sensores de estacionamento traseiros, câmera de ré com modo de visão 180º, volante com regulagem de altura e profundidade, 6 alto-falantes (incluindo 2 tweeters), atalho para reconhecimento de voz no volante, espelhamento sem fio para Apple CarPlay e Android Auto, multimídia Peugeot i-Connect 10,3” integrada ao painel

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Com 23 anos, está envolvido com o meio automotivo desde que se conhece por gente através do pai, Douglas Mendonça. Trabalha oficialmente com carros desde os 17 anos, tendo começado em 2019, mas bem antes disso já ajudava o pai com matérias e outros trabalhos envolvendo carros, veículos, motores, mecânica e por aí vai. No Carros&Garagem produz as avaliações, notícias, coberturas de lançamentos, novidades, segredos e outros, além de produzir fotos, manter a estética, cuidar da diagramação e ilustração de todo o conteúdo do site.