(Avaliação) Novo Peugeot 208 1.6 manual é bom de guiar e tem preço de 1.0

O câmbio manual chegou atrasado no Novo 208. Como sempre tentou ser um carro premium, o hatch compacto da Peugeot foi lançado inicialmente só com a caixa automática de 6 marchas. Não deu certo, já que ele ficou com preço distante da concorrência, e logo apareceram versões de entrada pra resolver o problema, todas manuais de 5 marchas, como essa Like das fotos.

Novo Peugeot 208 manual: demorou, mas chegou (Foto: Lucca Mendonça)

Ela é o abre-alas para o grande público na linha 208. O preço, por enquanto, atrai bastante: está em promoção nacional por R$74.990, mas sem volante multifuncional e com multimídia menor de 5” em um pacote chamado Essencial. A maioria dos hatches compactos 1.0 são mais caros e menos equipados que esse Peugeot, que inclusive traz debaixo do capô o consagrado 1.6 16V EC5 e seus 115/118 cv de potência com 15,4/15,5 mkgf de torque (gasolina/etanol).

1.6 EC5 garante robustez e economia ao conjunto (Foto: Lucca Mendonça)

Câmbio longo cai bem

Com câmbio longo e de engates precisos, ele escolhe o conforto em prol do desempenho, já que o motorista não precisa ficar sempre trocando marchas, principalmente na cidade. Demora um pouquinho para embalar nas acelerações, mas a partir dos 2.000 rpm já tem boa parte do torque disponível e fica mais espertinho. A Peugeot fala em cerca de 11 segundos no 0 a 100 km/h.

Câmbio longo troca agilidade por menos trocas de marcha no 208 MT5 (Foto: Lucca Mendonça)

Outro lado bom do câmbio de relações aumentadas é que, na estrada, o motor trabalha mais quieto: a 100 km/h em quinta marcha, o polêmico conta-giros em sentido anti-horário acusa 2.800 rpm. Aliás, o conjunto completo é bem silencioso no funcionamento, para a alegria dos ocupantes. O carro avaliado, já perto dos 10 mil km, tinha alguns rangidos e batuques de acabamento pela cabine, mas nada muito assustador falando de um hatch popular.

O câmbio e motor são suaves no funcionamento (Foto: Lucca Mendonça)

E o 208, mesmo nessa versão de entrada, tem o i-Cockpit, que é só elogios, seja dos motoristas altos ou baixo demais. Ele é composto pelo pequeno volante de dois raios ajustável em altura e profundidade (excelente, diga-se de passagem), painel de instrumentos elevado e, aqui, alavanca de marchas em ótima posição. Fica longe da proposta “convencional” da concorrência, que, no máximo, tem uma instrumentação bem ajeitada.

i-Cockpit e bem-estar invejável: só ele tem (Foto: Lucca Mendonça)

Dinâmica de poucos

Carros franceses são tradicionalmente bem acertados na dinâmica geral. O Peugeot 208, franco-argentino (tem projeto europeu mas é feito pelos Hermanos), não fica de fora da regra: é bom de contornar curvas mesmo com as suspensões macias, não assusta nos desvios rápidos de trajetória e anda sempre em linha reta, sem passarinhar, independente da velocidade. Dinâmica de poucos dentro da categoria.

Mesmo sendo da versão mais simples, esse Peugeot agrada muito no comportamento dinâmico (Foto: Lucca Mendonça)

Apesar de não ter segredos na concepção, com freios a disco só na dianteira e suspensão com eixo arrastado na traseira, o Peugeotzinho é muito bom ao volante e, com pé leve, agrada mais ainda pela economia de combustível, especialmente gasolina, como no carro testado, que registrou 12,4 km/l na cidade e 17,7 km/l na estrada. Diferentemente das versões automáticas, o 208 manual não tem modo ECO.

Não, não é o mais espaçoso

O 208 nunca foi sinônimo de espaço interno, nem mesmo na sua primeira geração. Pequeno e acanhado, principalmente atrás, ele não é bom partido pra mais do que quatro ocupantes. E os que forem atrás precisam se apertar não só lá dentro mas também pra entrar e sair, já que as portas são pequenas. Nem mesmo o porta-malas de 265 litros escapa do aperto.

Nem mesmo o porta-malas escapa de apertos (Foto: Lucca Mendonça)

Na verdade, o espaço, ou a falta dele, nem é culpa das dimensões do carro, que são até interessantes com 1,74 m de largura e 2,54 m de entre-eixos (um Gol tem 2,46 m), mas sim  do arranjo interno. Só os bancos dianteiros, por exemplo, roubam boa parte do vão traseiro para as pernas, mas compensam com tamanho de poltrona e ótima ergonomia. É um ponto pra se atentar.

No fim…

Essa versão é daquelas que mereciam mais atenção, assim como a Sense MT5 do Nissan Kicks. E aqui ainda existe o enorme atrativo do custo X benefício. Por esses R$75 mil da promoção, o 208 já traz desde conjunto elétrico (retrovisores, travas e vidros nas quatro portas), computador de bordo, ar-condicionado digital, multimídia de 5”, 4 airbags (dois frontais e dois laterais), ESP, TC, Hill Holder e, pra fechar com chave de ouro, até piloto automático com limitador de velocidade.

Completo e barato, mas não por muito tempo (Foto: Lucca Mendonça)

Gostou? Então corre, porque não deve durar muito!

Ficha técnica:

Concepção de motor: 1.597 cm³, flex, quatro cilindros, 16 válvulas (quatro por cilindro), aspiração natural, injeção indireta de combustível, duplo comando de válvulas, variador de fase na admissão e escape, bloco em ferro fundido e cabeçote em alumínio
Transmissão: manual de 5 marchas + ré
Potência: 115/118 cv a 5.800 rpm (gasolina/etanol)
Torque: 15,4/15,5 mkgf a 4.000 rpm (gasolina/etanol)
Suspensão dianteira: independente, do tipo McPherson, com barra estabilizadora
Suspensão traseira: eixo de torção com molas helicoidais
Direção: do tipo pinhão e cremalheira com assistência elétrica progressiva
Freios: discos ventilados na dianteira e tambores na traseira
Pneus e rodas: Pirelli Cinturato P1, medidas 185/65. Rodas de aço com calotas aro 15
Dimensões (comprimento/largura/altura/entre-eixos): 4,05 m/1,74 m/1,45 m/2,54 m
Porta-malas: 265 litros
Tanque de combustível: 47 litros
Peso em ordem de marcha: 1.095 kg
Aceleração 0 a 100 km/h: 11,0 seg. (etanol/gasolina)
Velocidade máxima: 190/185 km/h (etanol/gasolina)
Preço básico: R$74.990 (Like Essencial, promocional)

 

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Tem 20 anos, cursa Publicidade e Propaganda, é filho do jornalista Douglas Mendonça, e desde que se conhece por gente, convive com carros e está envolvido no mundo automobilístico. Aprendeu a ler nas revistas automotivas, cresceu frequentando oficinas, corridas, encontros e eventos com o pai, e daí veio sua maior paixão: os carros. Lucca se tornou o braço direito do pai após sua perda de visão em 2012, ajudando na produção de matérias, reportagens, avaliações e textos. No Carros & Garagem, é responsável pela cobertura de eventos de lançamento de novos veículos, e produz avaliações, fotos e comparativos de modelos.