(Avaliação) Novo Citroën C3 1.0: racional e econômico, mas a concorrência…

As vezes dizem que os melhores perfumes vêm nos menores frascos. Ou, trazendo aqui para um papo mais automotivo, os melhores negócios vêm nas versões mais simples. Depois de rodar uns bons quilômetros com o C3 nas versões Feel 1.6 manual e First Edition 1.6 automática, é hora de ver o que parece ser um dos negócios mais sensatos: a Feel 1.0 de R$84 mil, completinha com motor de entrada. No caso, o Firefly.

Versão Feel 1.0 é a mais completa com motor de entrada (Foto: Lucca Mendonça)

O pequeno tricilíndrico da Fiat se mostrou um parceiro e tanto do C3 e, como de praxe, é simples e funcional. Menos pode ser mais: assim mesmo, são bons 71/75 cv de potência e 10,0/10,7 mkgf de torque máximo (gasolina/etanol). E justamente por ser simples ele acaba ganhando em alguns lados: pelas seis válvulas ao invés de doze, o Firefly é bom de força nas baixas rotações, conseguindo agilidade pro carrinho de pouco mais de 1 tonelada. Já nas rotações médias e altas, as mais comuns no uso rodoviário, essas nem tanto.

Mas dá pra se virar bem com o C3 1.0 nas estradas, até porque ele também tem o câmbio Fiat C513, curto, mas com relação final um pouco mais longa que nos Argo, por exemplo (e de melhor manuseio e engates, também). As marchas próximas permitem reduções nos momentos de aceleração e ultrapassagem, feitas com um pouquinho de paciência, até porque um milzinho não faz milagres. Com a quinta alongada, o motor gira a cerca de 3.600 rpm a 120 km/h, fazendo das viagens uma tarefa mais silenciosa. Só que não há conta-giros: tem que fazer cálculos ou medir no ouvido. Merecia um.

Como todo 1.0 pequeno, leve e sem muitas pretensões com o prazer de dirigir ou luxos extraordinários, esse é o C3 mais econômico que se pode comprar hoje. Maneirando o pé e sem fazer o Firefly berrar esticando marchas ou reduzindo sem necessidade, ele consegue fazer um tanque cheio de gasolina render muito: mais de 600 km na cidade e pelo menos 900 km na estrada. Com a ajuda do computador de bordo, ele registrou até 14,8 km/l no trânsito urbano leve e 20,4 km/l nas médias de 110 km/h das rodovias movimentadas. Pão duro, tanto que conseguiu percorrer 601 km de uso misto durante a semana de testes e ainda foi devolvido com quase ¼ de tanque!

O C3 é um carro até bacana nessas versões mais em conta. Elas seguem um parâmetro de hatch “popular” que convence: é confortável, comportado ao volante, com bastante espaço interno, porta-malas grande (315 litros), teto alto e reto, portas de boa abertura, além de oferecer folga decente para os ocupantes, até porque a plataforma CMP modular permite seus 2,54 m de entre-eixos. Lembra a proposta da Renault para com o Sandero lá pra 2007/2008, com uma pitada de Fiat Novo Uno em 2011 pelo estilo descolado, mas ainda com viés racional.

Não é dele o título de mais gostoso de guiar da categoria (tem lá suas limitações de ergonomia, ruído excessivo no uso, fora o aspecto de projeto simples), mas pra quem curte carros altinhos e que passam sensação de robustez, é um prato cheio. Essa, inclusive, é uma das missões do C3: trazer um pouquinho de aspecto aventureiro pro mundo dos hatches 1.0, tanto que o tal jeito “altinho” é fruto das suspensões elevadas e da boa capacidade de atravessar obstáculos. Os ângulos de ataque e saída também convencem. Só que, por outro lado, esqueça qualquer resquício de esportividade: a pegada é outra.

E esse Citroën, desenvolvido para países emergentes, não é daqueles europeus de sangue que traz 1001 tecnologias: a versão Feel traz basicamente ar-condicionado, direção elétrica, conjunto elétrico contendo vidros, travas e retrovisores, computador de bordo, a multimídia de 10” (grande e um pouco lenta), banco do motorista e volante ajustáveis em altura, luzes diurnas em LED, rodas de liga-leve aro 15, comandos de som no volante, 6 alto-falantes, 4 portas USB (duas na frente e duas atrás), monitor de pressão dos pneus, airbag duplo, ABS, ESP, TC, ISOFIX e Hill Holder. Segurança não é seu forte, ainda mais depois dos resultados em testes de colisão…

Só que, montando um C3 Feel 1.0 completinho, com seus opcionais, já passamos dos R$89 mil! Isso porque ele tem quatro itens extras, que podem ser comprados juntos num mesmo combo: friso de borracha lateral, protetor de cárter, sensores de estacionamento traseiros e câmera de ré, todos que deviam vir de série, saem por R$2.300. Somando eles, que não estavam no carro avaliado, mais a pintura em dois tons de R$2.800, vamos muito além do seu preço original de R$84 mil.

O que é opcional, bem que poderia vir de série: é tudo bastante útil e importante (Foto: Lucca Mendonça)

Coincidência ou não, nessa mesma faixa de preço, R$90 mil, é possível levar pra casa um Peugeot 208 Style, completão também 1.0 manual. Ou já dá para partir pra um Fiat Argo Trekking 1.3 manual, também com o “kit aventura” que a galera tanto curte. Falando do Stepway 1.0, da Renault, são R$10 mil a menos: ele é vendido hoje a R$79.990, só que não deve durar muito tempo. No meio dessa turma, mais VW Polo MPI, Chevrolet Onix LT, Hyundai HB20 Limited 1.0, o C3 Feel 1.0 em sua melhor forma briga pelo seu pedaço de mercado.

Mas, calma lá, porque tem outras opções além dessa, como a Live 1.0 de entrada por R$73 mil (dignamente equipada e nada além), ou a Live Pack, baseada na primeira, só que com alguns extras como a multimídia de 10”, volante multifuncional, limpador e desembaçador traseiros e banco do motorista regulável em altura, basicamente. Essa já custa R$81 mil, mas, nesse caso, já vale pensar na Feel 1.0 do teste por R$3 mil extras.

Ficha técnica:

Concepção de motor: 999 cm³, flex, três cilindros, 6 válvulas (duas por cilindro), aspiração natural, injeção indireta de combustível, comando de válvulas único no cabeçote, bloco e cabeçote em alumínio
Transmissão: manual de 5 marchas + ré
Potência: 71/75 cv a 6.000 rpm (gasolina/etanol)
Torque: 10,0/10,7 mkgf a 3.500 rpm (gasolina/etanol)
Suspensão dianteira: independente, do tipo McPherson, com barra estabilizadora
Suspensão traseira: eixo de torção com molas helicoidais
Direção: com assistência elétrica progressiva
Freios: discos ventilados na dianteira e tambores na traseira
Pneus e rodas: Goodyear EfficientGrip Performance, medidas 195/60 com rodas de liga-leve aro 15
Dimensões (comprimento/largura/altura/entre-eixos): 3,98 m/1,73 m/1,60 m/2,54 m
Porta-malas: 315 litros
Tanque de combustível: 47 litros
Peso em ordem de marcha: 1.056 kg
Aceleração 0 a 100 km/h: 14,1/15,0 segundos (etanol/gasolina)
Velocidade máxima: 160 km/h (etanol/gasolina)
Preço básico: R$83.990 (carro avaliado: R$86.790)

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Com 21 anos, está envolvido com o meio automotivo desde que se conhece por gente através do pai, Douglas Mendonça. Trabalha oficialmente com carros desde os 17 anos, tendo começado em 2019, mas bem antes disso já ajudava o pai com matérias e outros trabalhos envolvendo carros, veículos, motores, mecânica e por aí vai. No Carros&Garagem produz as avaliações, notícias, coberturas de lançamentos, novidades, segredos e outros, além de produzir fotos, manter a estética, cuidar da diagramação e ilustração de todo o conteúdo do site.