(Avaliação) Nova Fiat Strada Freedom cabine dupla: uma (quase) mini-Toro

A Strada mudou da água para o vinho nessa segunda geração: chamada por muitos de “Fiat Toro em miniatura”, ela agora ela está maior, mais bonita, mais moderna, com mais tecnologia e, principalmente, virou literalmente uma picape cabine dupla. A primeira e antiga geração até tinha lá sua versão para cinco ocupantes, mas era uma adaptação onde uma terceira porta, que abria no formato “suicida” (no sentido inverso das dianteiras), dava acesso a segunda fileira de bancos. Convenhamos que, apesar de cumprir o propósito de carregar mais gente, esse banco de trás era um tanto descômodo, com acesso complicado e apertado. O único jeito de resolver isso era aumentando esse espaço e colocando um par de portas traseiras, e essas foram exatamente as principais novidades da Nova Strada 2021.

Antes de tudo, já podemos falar do ótimo desempenho das vendas da picapinha Fiat nos últimos meses, mostrando que o tiro da montadora italiana foi certeiro: antes mesmo do lançamento dessa nova geração, o que aconteceu em junho de 2020, ela já era a que vendia mais dentro do seu segmento, e agora ela chegou até mesmo a liderar as vendas de automóveis no Brasil no último setembro. Em novembro, último mês cheio, ela ficou em terceiro lugar no ranking de mais vendidos, com mais de 9.600 unidades comercializadas. E, um detalhe: tudo isso aconteceu mesmo ela sofrendo dois aumentos de preço desde seu lançamento, há 6 meses.

Foto: Lucca Mendonça

A configuração avaliada é a intermediária, Freedom, com a tal cabine dupla. Ela custa pouco menos de R$80.300 e, se for adicionado a bela cor metálica Vermelho Monte Carlo e o Pacote Tech (composto pela central multimídia de 7” com conexões Android Auto/Apple CarPlay, volante multifuncional, tweeters dianteiros, entrada USB no console, além da câmera de ré e sensor de estacionamento traseiro), como o carro das fotos, esse preço salta pra R$84.180. Valores altos, como os de todo carro zero-quilômetro do nosso mercado, mas essa Nova Strada acaba trazendo uma proposta interessante quando comparada aos seus concorrentes.

Como ela mescla partes dos hatches Mobi, Uno e Argo, é comum ver componentes de algum deles espalhados na picape, tanto interna como externamente. Na mecânica dessa versão Freedom, um ótimo exemplo disso: sob seu capô está o 1.3 8V da família Firefly, que se destaca pela modernidade e economia de combustível. Esse propulsor faz presença no Argo e seu sedan Cronos e, apesar de ter uma construção simples, rende ótimos 101/109 cv de potência e 13,7/14,2 mkgf de torque (gasolina/etanol).

Trabalhando junto com uma transmissão manual de 5 marchas oriunda do subcompacto Mobi, que peca apenas por ter engates pouco precisos e fazer bastante barulho, esse conjunto brilha por gastar bem pouco, chegando a bater a marca de 16,0 km/litro de etanol no circuito rodoviário, rodando sem pressa em uma média de 100 km/h. Outra característica desse câmbio é que ele é curto, para aproveitar melhor a potência e torque do motor, principalmente em situações que o veículo está mais carregado. Para se ter uma ideia, dirigindo ainda nos mesmos 100 km/h na estrada, o conta-giros se mantinha sempre elevado, entre 3.700 e 3.800 rpm. Uma sexta marcha cairia bem, o que iria abaixar ainda mais as médias de consumo e, de quebra, deixaria esse 1.3 Firefly mais quieto e suave nas velocidades maiores.

Quem já guiou um Mobi ou Uno vai se familiarizar rapidamente com a Strada 2021. Com exceção da carroceria mais alta e dos bancos mais elevados, ela tem bastante coisa em comum com os dois populares da Fiat por dentro, incluindo alguns componentes (volante, botões, painel de instrumentos, alavanca/manopla do câmbio, e mais algumas partes), e posição de quase todos os comandos.

Por dentro, bastante coisa em comum com outros modelos Fiat (Foto: Lucca Mendonça)

Ela é agradável na condução, com uma direção com assistência elétrica bem leve para manobras e precisa aos comandos do volante, freios eficientes (mesmo ainda usando tambores na traseira), e sistema de suspensões que oferece um bom nível de conforto mesmo tendo foco na robustez (na traseira ela usa um eixo rígido com feixes de molas semi-elípticas, comum em picapes maiores e mais caras). Ponto positivo para os retrovisores externos grandes, emprestados da dupla Argo/Cronos, que garantem um bom campo de visão traseiro.

Mas o que melhorou bastante em relação a primeira Strada cabine dupla foi a acomodação dos passageiros traseiros. Com 2,73 m de entre-eixos, dois adultos de até 1,85 m de altura se acomodam tranquilamente, um no banco da frente e outro atrás. Ela também é alta por dentro, oferecendo espaço de sobra para a cabeça dos ocupantes mais altos. Fora isso, a praticidade das duas portas traseiras, que são grandes e tem bom ângulo de abertura, é outro ponto importante, coisa inexistente na geração anterior.

Para carregar bastante carga e ter uma caçamba com litragem maior, o mais indicado são as versões com cabine simples (ou Cabine Plus, como a Fiat prefere chamar as versões para dois ocupantes), mas essa carroceria com quatro portas não faz feio: são 650 kg, ou 850 litros de capacidade, em um espaço que mede 1,17 m de comprimento por 1,31 m de largura e pouco mais de 60 cm de altura. Com exceção do comprimento menor, as demais medidas são bem próximas as da carroceria com cabine simples da antiga geração. Nessa configuração intermediária, a caçamba já tem capota marítima, iluminação em LED, e também conta com vários ganchos para a amarração da carga.

São bons 650 kg ou 850 litros de capacidade na caçamba (Foto: Lucca Mendonça)

Independentemente dos opcionais que figuram nessa unidade avaliada, a versão Freedom de entrada já é bem equipada, trazendo de série o ar-condicionado, direção elétrica, conjunto elétrico (vidros, travas e retrovisores), painel de instrumentos com tela multifuncional em TFT de 3,5”, computador de bordo, faróis de neblina, luzes de condução diurna (DRL), monitor de pressão dos pneus (TPMS), quatro airbags (dois frontais e dois laterais, exclusividade das configurações com cabine dupla), controles eletrônicos de estabilidade (ESP) e tração (ASR), assistente de saída em rampas (Hill Holder), rodas de liga-leve pintadas de cinza aro 15, e mais alguns outros itens.

Sem dúvidas, a Strada Cabine Dupla é a melhor escolha dentro do seu segmento quando falamos de uma maneira geral, tanto na relação custo X benefício quanto nas características técnicas e mecânicas. Não é um projeto perfeito, mas, quando comparada com as suas concorrentes, essa picapinha italiana leva a melhor.

Ela sim pode ser chamada de “mini-Toro”, mas, para sermos justos, vamos falar de uma Toro Endurance com transmissão manual (leia aqui a avaliação dela), afinal a Strada ainda não tem a opção do câmbio automático para fazer essa associação de forma tão direta assim. Agora essa escolha de versões, opcionais e equipamentos fica a critério de cada um. No caso dessa Freedom Cabine Dupla completa de R$84.180 (o carro das fotos), o negócio mais interessante é partir pra Volcano Cabine Dupla de R$83.990, que traz o mesmo conjunto mecânico, mas vem com alguns equipamentos extras. Nesse caso, você leva um carro melhor, e ainda vão sobrar quase R$200 para encher o tanque de gasolina na saída da concessionária…

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