Avaliação: Nissan Kait Exclusive 2026 prova que tamanho é documento, sim!

Sempre elogiei a estratégia do Nissan Kait no mercado brasileiro. Na realidade, trata-se da primeira geração do Kicks, que passou por uma profunda reestilização e trocou de nome, para se tornar o SUV de entrada da Nissan por aqui, brigando com VW Tera, Fiat Pulse, Renault Kardian, Chevrolet Sonic e afins. Basicamente, viram que, mesmo com a obsoleta plataforma V (mesma de Versa e March), o primeiro Kicks ainda tinha lenha para queimar, e deram ao carro uma sobrevida. Interessante.
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A grande sacada do Nissan Kait é que, como antigamente ele era um carro que competia com Honda HR-V, Hyundai Creta, VW T-Cross e afins, hoje ele se faz valer pelo tamanho superior de carroceria, que lhe garante maior espaço interno e porta-malas mais generoso frente aos rivais, principalmente. Tanto que essa vantagem é amplamente aproveitada pelo marketing da Nissan nas propagandas e afins. No caso dele, tamanho é documento, sim, e dos mais valiosos.

Versão Exclusive do Nissan Kait 2026
Essa versão avaliada do Nissan Kait é a Exclusive, topo de linha, que ronda os R$ 153 mil. São cifras típicas dos SUVs pequenos mais completos, e que compram SUVs compactos intermediários, no máximo. Junto do novo visual e proposta, a Nissan o recheou com tecnologias que o finado Kicks de primeira geração nem sonhava, como piloto automático adaptativo (ACC), por exemplo. Nessa versão ainda há alerta de colisão frontal, frenagem autônoma de emergência, monitores de ponto-cego, alerta de tráfego cruzado traseiro e alerta de saída de faixa. Mancada só ter ficado de fora o farol alto automático.
Novo eixo traseiro, e calibrações mecânicas
A única mudança mecânica está no eixo traseiro, que foi trocado no Nissan Kait. Não por motivos dinâmicos ou de conforto, mas por um problema de projeto do componente na primeira geração do Kicks, que causou trincas de eixo traseiro em vários exemplares do SUV. Problema resolvido, e ele manteve os bons padrões de dirigibilidade e maciez do modelo anterior.

Ele é melhor no segundo aspecto do que no primeiro, vale falar: molas e amortecedores lidam bem com o piso brasileiro (embora o conjunto dianteiro seja um pouco ruidoso quando o asfalto é irregular), e deixam seu rodar confortável mesmo em trechos esburacados. Curvas rápidas e desvios bruscos de trajetória são missões que ele cumpre com segurança, mas sem surpreender positivamente: o Nissan Kait não curte tocadas esportivas.
1.6 CVT
Motor, transmissão, direção, freios e suspensões são os mesmos. É uma boa notícia, afinal a receita aplicada no Kait é a mesma do Kicks desde 2016, com fama de robusta e fácil de manter. O motor 1.6 16v de aspiração natural entrega 110/113 cv de potência e 14,9/15,2 mkgf de torque (gas/eta), mas pode até sobrar em algumas condições, afinal esse SUV tem tamanho, mas pesa pouco (cerca de 1.150 kg). Suficiente nos baixos e médios giros, o 1.6 brilha de verdade na sua faixa de torque máximo, a 4.000 rpm. Diferente dos motores turbo da concorrência, o do Nissan Kait pede giros mais altos e pé mais fundo no acelerador para entregar seu máximo.
A caixa automática CVT XTronic trabalha pensando mais no conforto e economia do que na performance, algo que fica claro já nas saídas. Escorrega bastante, opta pelos giros mais baixos, e prefere o funcionamento mais linear e continuamente variável, como é de se esperar nesse tipo de transmissão (ela não simula marchas com tanta precisão). Por conta de um querer manter giros baixos, e o outro preferir rotações mais elevadas, motor e câmbio do Nissan Kait acabam tendo algumas “discussões”, especialmente em subidas (oscilação constante de rotação) ou na hora das ultrapassagens (o CVT se adianta e simula a marcha mais longa antes do fim da manobra, exigindo um kickdown para elevar a rpm novamente). Requer certo costume, e adaptação.
Para driblar essas brigas entre motor e câmbio, é possível recorrer ao modo Sport através de um botão na alavanca de câmbio: com ele ativado, o conjunto fica mais esperto e parece trabalhar com mais sincronia por um bem maior, que é a performance. Só não espere, nesse caso, muito silêncio a bordo (mesmo no modo Normal, ele já não é um tanto barulhento), nem as médias de consumo mais animadoras. O foco é no desempenho.
Consumo do Nissan Kait 2026
Com pé leve, aliás, o Nissan Kait bebe pouco, especialmente quando está queimando gasolina: o Inmetro fala em animadores 11,3 km/l na cidade e 13,7 km/l na estrada com o derivado do petróleo. O carro avaliado estava com etanol, e registrou cerca de 8,5 km/l na cidade e 12,5 km/l na estrada (110 km/h). De qualquer forma, as paradas para abastecer são frequentes, por culpa do limitado tanque, de apenas 41 litros.
No Kait cabe
A propaganda que repete a frase “no Kait cabe” é verídica. Ele é espaçoso para quatro adultos e uma criança no meio do banco traseiro, e o entre-eixos de 2,62 m evita apertos de pernas e joelhos para quem viaja atrás. Há ainda um teto alto e arredondado, melhorando a sensação de espaço na cabine, e tudo fica um pouco melhor com as janelas grandes (mas há alguns pontos cegos, por conta das colunas largas – em especial a C).
No geral, ele supera os rivais em cerca de 15 cm no comprimento, o que se reflete nessa folga interna e no porta-malas generoso (432 litros, tampa grande e piso quase plano). Seu túnel central baixo permite fácil movimentação interna, e os bancos dianteiros e traseiro são dos mais ergonômicos.
Falando em ergonomia, a do Nissan Kait é típica dos SUVs dos anos 2010, mais verticalizada. Bancos dianteiros são bem elevados, para dar a impressão de se estar a bordo de um carro maior (com direito ao capô sempre no campo de visão frontal), enquanto painel, laterais de portas e console central ficam em posição mais baixa – esse último, inclusive, acaba deixando o apoio de braço longe de quem dirige. O próprio volante, com três raios e boa pega, é nitidamente inclinado para cima, acompanhando o posto de condução altinho. Ponto positivo indiscutível está nos bancos dianteiros: a espuma tem densidade correta e o formato não cansa o corpo.
Equipamentos
Nessa versão Exclusive, o pacote de equipamentos é o mais completo da linha. Tirando o sistema de som que deixa a desejar, e a ausência de saídas de ar traseiras, convence com um belo pacote ADAS, sensor crepuscular, retrovisor interno fotocrômico, carregador de celular sem fio, portas USB traseiras, conjunto óptico em LED, rodas diamantadas aro 17, painel de instrumentos com tela digital de 7 pol., multimídia Pioneer de 9 pol. (um pouco lenta, mas repleta de funções), bancos em couro sintético, ar digital automático, câmeras 360º, chave presencial, partida por botão, sensores de estacionamento traseiros, 6 airbags e acabamento elogiável.

Tamanho, e mais
Embora o ditado diga que tamanho não é documento, ele cai por terra quando olhamos para o Nissan Kait. No caso dele, tamanho é documento, sim senhor, e é com esse tamanho avantajado que ele tenta convencer os consumidores. Soma-se a isso a mecânica reconhecida e confiável, as médias de consumo interessantes, o conforto a bordo, o amplo porta-malas e, nessa versão mais cara, o maior pacote de tecnologias. E vale lembrar que existe Kait a partir de R$ 118 mil, já com bom conteúdo de série, que pode oferecer melhor relação custo X benefício.



































